segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Natal Macabro.



- O Zach deu nó no cabelo da minha boneca de novo! – A pequena Becky, muito zangada, se queixou à Mãe.
- Eu vou dar uma boa bronca nele! Me deixa te ajudar a desfazer o nó! – respondeu a mãe.
- O Zach é tão chato! – disse Becky.
- Prontinho! Viu? – disse a mãe ao entregar a boneca. E outro assunto tomou conta dos pensamentos da pequena Becky.
- Mamãe, por que nunca vemos o Papai Noel?
- Deve ser porque ele vem muito rápido, já que tem que entregar presentes em todas as casas de todo o mundo! Aí fica difícil conseguir vê-lo, não é? Mas ano passado você quase o viu! Não foi?
- É.

Becky foi até a janela, onde ficou olhando o céu e penteando a boneca.

- Oi, querido, como foi o trabalho? – a mãe de Becky perguntou ao marido que chegava.
- Foi um dia duro no trabalho, Gina. Eles nos exploram muito naquela fabrica. Olha a hora que estou chegando!
- Ah, querido! Pelo menos esse ano vamos poder comprar o que as crianças querem de Natal – Gina disse sussurrado ao marido, para que a pequena Becky não os ouvisse.
- Isso é verdade! Pena que o Papai Noel ganhe o crédito!
- Ah, Wayne! É tão gostosa essa idade, de acreditar em Papai Noel!
- Pelo menos o Zach já sabe que somos nós que compramos! E só vídeo game dele custa mais do que ganho em um mês inteiro!

- Mamãe! Mamãe! – Becky gritou entusiasmada da janela, interrompendo a conversa dos pais – Vem ver, Mamãe!

Gina foi até a janela.

- É a estrela de Belém, Mamãe? – Becky perguntou apontando uma estrela grande que surgia no céu.

- Não, filha, a estrela de Belém só esteve no céu na noite do nascimento de Jesus... Mas olhe! É uma estrela cadente!
- Cadente?
- Sim, porque cai, então é cadente!
- rs – Becky achou o nome engraçado.
- E sabe o que uma estrela cadente tem de muito especial?
- Não.
- Quando vemos uma podemos fazer um pedido e ele vai se realizar!

Becky apertou os olhinhos, se concentrando em seu desejo.

- O que você pediu à estrela? – quis saber a mãe
- Que esse ano eu consiga ver o Papai Noel!

***

Naquela mesma noite, algumas horas mais tarde, o velho Sr. Rimbauer acendia pela primeira vez a iluminação de Natal de sua casa! O Sr. Rimbauer estava muito orgulhoso da iluminação desse ano! Sua casa era sempre a mais iluminada da pequena cidade nas noites de Natal.
O velho passou algum tempo do lado de fora da casa admirando sua obra para esse ano. Depois entrou em casa regozijoso e se sentou em sua grande poltrona na sala.

- O Sr. Rimbauer ligou a iluminação da casa! – comentou Charles, um de seus vizinhos com a esposa.
- Esse ano está ainda mais linda! – ela respondeu depois de olhar pela janela.

Sr. Rimbauer ouviu um som estranho, o som de uma respiração pesada e ofegante, e, voltou-se para trás, na direção de onde vinha o som e se deparou com uma figura tenebrosa!

O Grito de Rimbauer foi alto e cheio de horror.

Charles correu apressado na tentativa de acudir. Mas já não poderia fazer nada! Ao atravessar a porta da frente, que Rimbauer deixara aberta, encontrou o velho morto imerso em uma poça do próprio sangue no meio da sala.

Charles sentiu o estomago embrulhar com visão da enorme abertura no pescoço de Rimbauer, era como se alguma fera o tivesse atacado.

Charles voltou correndo para casa.

- O que houve, amor? O que houve com o Sr. Rimbauer? – perguntou a esposa

- Rápido, telefone para o Delegado Sullivan! O Sr. Rimbauer foi brutalmente assassinado!

***

- O Sr. Rimbauer? E justo na noite de Natal? Mas quem teria um motivo para matá-lo? – Sean Martin questionou ao delegado, assim que soube do telefonema de Charles.
- Nunca se sabe!
- De qualquer modo acho difícil imaginar vingança ou crime passional contra o velho Rimbauer! Terá sido assalto?
- Veremos depois de chegarmos lá.

***

Ao examinar o corpo do Sr. Rimbauer, o delegado Mike Sullivan estava propenso a imaginar mais o ataque de algum animal do a ação de um criminoso...
Também não havia sinais de que algo houvesse sido roubado da casa...
Sullivan decidiu fechar a casa e o mais rápido possível rondar a área em busca de algum animal selvagem ou o que quer que possa ter feito aquilo ao velho.

***

Enquanto isso um caminhão militar cruzava as estradas da região

***

O Delegado Sullivan e Martin rondavam os entornos da casa de Rimbauer quando algo pulou em cima da viatura policial. Pelo barulho algo muito pesado.
A criatura sobre o carro de polícia quebrou os para-brisas, agarrando o volante e fazendo Sullivan perder o controle da direção. O carro derrapou na neve e capotou.
A criatura que pulara sobre o veículo agarrou Martin puxando-o para fora. Sullivan conseguiu sair, mas assim que se levantou, antes de ter qualquer reação, um tapa da criatura o arremessou muitos metros para longe.
A criatura se assemelhava à figura humana, mas tinha pelos vermelhos com faixas brancas, que bizarramente faziam lembrar uma roupa de Papai Noel, tinha o rosto verde, orelhas grandes pontiagudas e pelos no rosto, como uma grande barba branca.
O delegado viu a fera erguer Martin e cravar seus dentes enormes no pescoço dele. Sullivan sacou a arma e atirou seis vezes no monstro sem que este demonstrasse qualquer abalo com os disparos, que deveriam ter-lhe atravessado o coração.
O delegado assistiu incrédulo os buracos das balas simplesmente se fecharem.
A criatura bebeu uma boa quantidade do sangue de Martin e depois como se estivesse saciada jogou o corpo para o lado e desapareceu dentro da noite.

***

Sullivan fez sinal para que um carro parasse.
- Mike?
- Gerald, preciso do carro. Ficamos sem a viatura.

Gerald cedeu o acento do motorista para Sullivan e seguiram para delegacia.

***

- Mike, recebemos outra chamada. – Denny, outro policial, informou ao delegado assim que este chegou.
- O que houve? – perguntou Mike.
- Dois adolescentes foram encontrados mortos perto de uma fogueira.
- Mas que droga! Quem eram?
- Os netos da Norma Camber.

Mike, agoniado, passou as mãos pelo cabelo.

- Pobre Norma! Eles estavam feridos no pescoço?
- Sim, Mike.
- Inferno! Foi o desgraçado!
- O que houve com Sean, e como foi na casa do velho Rimbauer?
- O que atacou Rimbauer não era humano e... Não sei o que era! Aquilo agarrou Sean e eu não pude fazer nada! Com um safanão me arremessou longe. Eu disparei seis vezes, as balas não tiveram nenhum efeito nele! O desgraçado matou Sean mordendo a garganta e ao que tudo indica fez o mesmo com Rimbauer!
- Mike, juro que se não fosse você contando eu não acreditaria – disse Denny
- Eu digo o mesmo – comentou Gerald – Pelo o que você disse, Mike, é difícil imaginar como capturar essa coisa!
- Se soubéssemos, pelo menos, onde essa criatura fará o próximo ataque! – disse Denny.

Mike, de cabeça baixa e apoiado com ambas as mãos na mesa, pensava.

- Nós sabemos! – exclamou Mike e olhou para o relógio na parede – Gerald, você fica aqui na delegacia.
Tá certo, Mike...
- Denny, você vem comigo! Vamos para o Centro no carro do Gerald! Estão prestes a acender a árvore de natal!

O delegado e Denny entraram no carro e partiram.

- Como sabe onde ele vai estar?
- O Maldito é atraído pela luz! Rimbauer tinha acendido a iluminação de natal da casa dele. Quando chegamos pouco tempo depois a coisa pulou sobre a viatura, que estava com as luzes acesas, e depois atacou onde havia uma fogueira! A árvore gigante vai atraí-lo e quase toda a cidade está lá!

***

Militares examinavam a área, onde, próximo à cidade, um objeto não identificado havia caído.

- Mais tralha pra gente levar para a Área 51! – comentou o Capitão Denbrough
- Essa coisa parece um ovo partido e olha toda essa gosma! – comentou o Tenente Huggins – Esses malditos alienígenas não nos dão folga nem no Natal!
- Eu também preferia estar com minha família, tenente – respondeu Denbrough.
- Capitão! – alarmou o Sargento Bowrs – Há rastros de que algo saiu daqui e caminhou pela floresta na direção leste!
- O maldito alienígena deve ter ido em direção à cidade! – comentou Huggins – Os civis de lá podem ter avistado a queda do objeto.
- Da distância que estão quem tenha visto de lá certamente imaginou ser algo inocente, como uma estrela cadente! Ainda bem, se não haveria civis curiosos olhando esse maldito meteorito! Vamos para aquela cidade procurar o que tenha saído dessa droga aqui! Era só o que me faltava, um maldito alienígena perambulando no meio de população civil! – disse Denbrough.

***

A árvore gigante de natal foi acesa na praça central da cidade recebendo ovação do público!
Enquanto as pessoas se saudavam e admiravam a grande árvore a criatura atraída pela luminosidade se aproximou rápido do centro, saltando de prédio em prédio, chegando à praça e surgindo ao pé da árvore.

Aos poucos as pessoas voltaram suas atenções à estranha criatura.
Sullivan e Denny chegavam...

- Mantenham-se longe dele! – gritava o delegado.

A população assustada abria um grande vão em torno de onde estava a criatura.
O monstro caminhava lentamente olhando para os lados.

- Essa coisa é perigosa! – gritava o delegado.

De repente perceberam que uma criança se aproximava do monstro! Era a pequena Becky, que no meio do tumulto se afastou dos pais.

- Minha filha! – Gina berrou apavorada quando viu Becky andando em direção a criatura

- Papai Noel! – dizia a pequena Becky

- Becky, não! Não chega perto dele! – gritava Gina em meio à multidão

Papai Noel! – repetia Becky, cada vez mais próxima do monstro.

A criatura reparou na menina e a observava, com saliva escorrendo pela boca e os olhos fixos.

Os militares chegaram ao centro da cidade e Mike Sullivan ao vê-los foi de encontro a eles.

- Ainda bem que estão aqui! Sou o delegado da cidade! Precisamos de ajuda contra aquilo! Eu atirei naquilo e as balas foram completamente ineficazes! – disse Mike ao Capitão Denbrough.

- Mas que droga! Tem uma criança lá! – exclamou Denbrough – Atirem tranquilizantes antes que ele pegue a criança! – ordenou.

O tenente e o sargento acertaram muitos disparos no monstro, que não era afetado pelos tranquilizantes.

- Mas que diabos! Isso derrubaria cem elefantes! – exclamou o capitão.

Quando a criatura estava prestes a atacar a menina sentiu uma pedra lhe acertar a cabeça.

- Ei, seu boboca! – gritou Zach, irmão de Becky, que dançava de modo provocativo, na intenção de atrair a criatura para longe da irmã.

- Meu Deus, ele vai matar aquelas crianças – gritavam da multidão.

O monstro agarrou Zach pelo pescoço e o ergueu, tal como fez com Martin, segundos antes de morder-lhe a garganta. Mas antes da mordida mortal a criatura deu um grito de dor após ser atingida por uma bola de neve! Becky a arremessara!

- Seu feio, larga meu irmão! – gritou a menina, arremessando outra bola de neve.

Novamente atingida, a criatura voltou a gritar de dor, suas costas exalavam fumaça – as bolas de neve estavam queimando o alienígena.

- Ele está sendo afetado por bolas de neves? – questionou Denbrough – Nós o acertamos com tranquilizantes pesados sem efeito e ele sente o ataque de bolas de neve?

- Espere! – disse o Tenente Huggins – Não são as bolas! Eu entendo! É o sentimento da menina pelo irmão!

- Hã? – fez Denbrough

Huggins entregou um megafone ao Delegado Sullivan, dizendo-lhe que ordenasse à população que atirassem bolas de neve.

- Atirem bolas de neve! Pensem em suas famílias! Pensem no nosso amor por nossa cidade! – ordenava Mike à população.

As bolas de neve arremessadas pela população acertavam a criatura, que gritava e derretia... Até que o monstro se desmanchou completamente evaporando!

Denny pegou a pequena Becky e a entregou à Gina.

- Minha filha! – dizia Gina chorando e abraçando a filha. Em seguida Zach chegava e se juntava ao abraço, e também Wayne, pai das crianças.

- Mamãe, porque o Papai Noel é mal e atacou o Zach? – perguntou Becky.

- Aquilo não era o Papai Noel, filha.

- O que, afinal, era aquilo? – Sullivan perguntava ao Capitão Denbrough.

- Não sei, filho. É algo que devemos esquecer e dar graças por termos nos livrado dele.

FIM


Desejo que seu Natal não seja macabro!
Boas Festas!
E um feliz e prospero ano novo!



...beijinhos***

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Noite Maldita 3 - cap 6



Noite Maldita 3 - O Final da Maldição


Capítulo Final

No alto da Pedra dos Escravos as vítimas eram sacrificadas uma a uma, e o sangue recolhido derramado no caldeirão.
Amanda assistia às terríveis cenas sem saber se seria pior ser a próxima ou ter que assistir a mais sacrifícios, antes que chegasse a sua vez.

Algo estranho e ainda mais bizarro começou a se formar dentro do caldeirão e a cada novo derrame de sangue aquilo crescia em volume! Amanda nunca vira um demônio, mas tinha certeza de que era o que aos poucos se formava dentro daquele caldeirão!

A coisa erguia-se e aos poucos ganhava uma forma semelhante à humana, porém bestial! A forma inicial era compacta, depois se formaram braços, cabeça com chifres... E então feições horrendas...

Amanda assistiu ao sacrifício das outras seis vítimas, até que chegou sua vez de ser levada para a morte.

Ela foi colada no local e amarrada na mesma posição que as demais, com os braços abertos... Os encapuzados que recolhiam o sangue dos pulsos se posicionaram... E o encapuzado que a segurava se posicionou onde os demais se colocaram para sacrificar suas vítimas... Então ela pode ver o rosto debaixo do capuz... Era Brett! Aquele que ela tanto amou a havia levado para ser sacrificada naquele ritual horrendo! Amanda imaginava, até ali, que quem quer que fossem aqueles encapuzados, eles teriam feito algo a Brett, e agora via que o amado era um deles, que a atraíra para a morte! Amanda chorava pela iminência da própria morte, chorava pela dor de ter sido enganada por Brett, por saber que nunca fora amada por ele... Chorava de raiva de si mesma, chorava de remorso de ter acreditado nele, chorava com saudade de casa, com saudade dos pais e com remorso pelo seu último contato com eles ter sido uma briga...

Brett olhou para os olhos de Amanda, vendo neles toda a dor que ela sentia. Ele nunca a amou de verdade, mas se lembrou das conversas, das declarações que ela lhe dedicava, das horas que passaram juntos, da relação carnal que tiveram... Brett retirou seu punhal e o ergueu... Continuava a olhar os olhos de Amanda.

“Eu não posso fazer isso” – disse Brett.

“O que você está dizendo, irmão Brett?” – perguntou o líder do grupo.

“Ela é uma criança praticamente!” – disse Brett.

“Esse é o sacrifício que mantem nossa terra, e nossas famílias, a salvo das punições! Assim é, e assim tem sido por todos esses anos! Execute a sétima vítima!” – disse o líder.

“Eu não posso” – disse Brett.

“Você é um fraco e um traidor, irmão Brett” – respondeu o líder.

Amanda então viu a boca de Brett se encher de sangue. Outro encapuzado se aproximara por trás e o esfaqueou... Brett vomitou sangue em cima de Amanda e caiu morto.

O encapuzado que matou Brett olhou com desprezo para o ex-confrade no chão, depois limpou o punhal nas próprias vestes e disse: “Será uma honra executar a vítima que completará a volta do Espírito Maldito!” – e, sorrindo, ergueu o punhal – “O Espírito Maldito será grato a mim!”.

Nessa hora muito repentinamente um trovão ecoou com grande força e começou a chover. E alguém saltou até o local do sacrifício! Era Bryan Lempke!
Bryan agarrou o encapuzado, segurou seu pulso, fazendo-o soltar o punhal, ao mesmo tempo agarrou-o pelo pescoço.
Os demais encapuzados se posicionaram para atacar Lempke.

“Não o ataquem!” – Soou a voz horrenda e gutural da criatura que se formava dentro do caldeirão.

“Vamos, Bryan! Mate-a para mim! Afinal esse é seu verdadeiro destino! Você é meu descendente! Tire o sangue da vítima e o derrame no caldeirão! Eu só preciso do sangue de mais uma vítima para estar nesse mundo!”.

 – “Nunca servirei a seus propósitos, Feitor!” – respondeu Bryan e, então, usando o punhal que tomara do encapuzado, cortou as cordas que prendiam Amanda e a colocou para trás de si.

Os encapuzados que haviam ficado vigiando a cabana e o xerife chegavam ao topo da Pedra nesse momento. Assim que deram falta de Lempke seguiram para lá.

“Retirem o maldito pentagrama de prata do pescoço dele! É o que faz com que ele não esteja possuído!” – ordenou a criatura do caldeirão. Mas quando os encapuzados avançaram, relâmpagos começaram a cair sobre a Pedra, dispersando o grupo.

O líder dos encapuzados, que se manteve próximo ao caldeirão, agarrou, então, um dos confrades, que estava ao seu lado, e, inclinando-o para o caldeirão, cortou-lhe a garganta, matando-o e derramando seu sangue.

A criatura, então, abriu os braços e gemia enquanto seu corpo chegava ao fim do processo de materialização física.

Os encapuzados olhavam de longe, e Bryan se aproximou do caldeirão.

“Ele está vindo para este mundo e não há nada o que você possa fazer contra isso!” – o líder disse a Bryan.

“Sim, há! O sangue do próprio feitor pode quebrar o feitiço e bani-lo para os Infernos!” – respondeu Bryan, que usando o punhal fez um corte fundo em seu antebraço, derramando seu próprio sangue no caldeirão – “Meu sangue, sangue de um descendente, tenho o sangue desse demônio maldito!”.

Então um enorme portal se abriu no espaço, e através dele se podia ver o mundo dos mortos – Um mundo tenebroso, que se abria para os Infernos e se viu o rosto da morte! Com aparência de um homem muito feio. Demônios alados saiam do portal e carregavam os encapuzados para o Reino dos Mortos. Enquanto eram carregados a carne de seus rostos se desfaziam e se contorciam de dor, se deformando em horríveis caretas. A criatura no caldeirão, com gritos como de dor, começou a se desfazer e antes de desaparecer por completo gritou: “Você me pagará caro, Bryan!”.

O Portal se fechou, sumindo, como se nunca houvesse estado ali, e com ele se foram os encapuzados e tudo mais que havia sobre a Pedra, com exceção apenas de Bryan e Amanda. A chuva cessava, assim como os relâmpagos... Então os espíritos dos escravos surgiram e se aproximaram deles, entre os espíritos estava a escrava que Amanda vira algumas vezes.

“Obrigado!” – os espíritos disseram, em seguida tornaram-se pontos de luzes, e, então, desapareceram.

Bryan e Amanda deixaram o local. Amanda em choque com tudo o que vivenciara não pronunciou uma palavra até chegarem à estrada.

 “O que foi tudo aquilo?” – Amanda perguntou a Bryan.
“Aquilo foi o fim de uma maldição que assolou por muitos anos essa terra” – respondeu Lempke.
“Eu vi algumas vezes um espírito de uma mulher, que estava entre aqueles...”.
“Ela estava tentando te avisar do perigo que você corria! Creio que agora você tem ideia do que acontece aos que são maus! Volte para casa e viva bem sua vida”.


Amanda voltou para casa e algum tempo depois começou a namorar Jimmy (aquele do capítulo um).

Bryan, livre da maldição, pode ter uma vida normal. Estabeleceu-se numa cidade longe dali, onde veio a conhecer Irene, por quem se apaixonou e veio a se casar.


FIM (?)


...beijinhos***

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Noite Maldita 3 - cap 5



Noite Maldita 3

Capítulo Cinco

Após os eventos com o padre Glaxton, Bryan Lempke viajou para a Itália, mais precisamente para a região da Toscana, onde encontraria Cowley.

Cowley tinha por volta de sessenta anos. Era um tipo extravagante no modo de se vestir, usava sempre roupas longas que se assemelhavam a mantos. Usava cabelo comprido e barba aparada... Mas o que chamava, em especial, a atenção de Bryan era o modo como Cowley observava o céu, especialmente quando havia relâmpagos.

Cowley se recostava à janela de seu casebre em um subúrbio toscano observando atentamente o céu, quando pela primeira vez falou a Bryan sobre a arte de interpretar relâmpagos.

Relâmpagos, trovões, entranhas de animais, o voo dos pássaros, o curso dos astros, o aparecimento dos cometas, as chuvas, os sonhos e os pesadelos, os andróginos, as crianças de duas cabeças, os bebês prematuros, as árvores, as abelhas: tudo era pretexto para Cowley prognosticar e prever o futuro. Fora através desses métodos que Cowley previra com exatidão o encontro de Bryan Lempke e o padre Glaxton.

Cowley explicou a Lempke que os raios não são disparados meramente por uma colisão de nuvens, dá-se a colisão para que o raio seja disparado, os raios fazem sinais por terem sido produzidos, mas de que eles se produzem porque teem algo a significar. Cowley explicou ainda a Lempke que o raio que fulminara Michelle ("Noite Maldita 2") fora fruto da vontade divina.

Bryan viveu os anos que se seguiram na Toscana e se tornou discípulo de Cowley, iniciando-se em magia.

*** 

Bryan desceu do ônibus, chegando à região da antiga fazenda. Era o final da tarde e logo teria que enfrentar seu destino. Cowley não revelara a Bryan detalhes do que aconteceria nessa noite, era importante, segundo ele, que Bryan os ignorasse para que a sequência dos fatos não fosse ameaçada.

Após Bryan descer do ônibus, o motorista que o conduzira olhava intrigado para Bryan, pegou, então, o celular e fez um telefonema: “Lempke acabou de chegar à cidade. Sim, veio no ônibus que dirigi”.

Para descansar um pouco da viagem e meditar se preparando, Bryan alugou um quarto de motel por algumas horas. Após deixar o motel, o dono do estabelecimento também deu um telefonema: “Ele acabou de deixar o meu motel”.

Ambos os telefonemas foram para a cúpula da seita secreta que zela pelo cumprimento do ritual maldito.

***

Bryan seguia a pé pela rodovia que dava acesso à entrada do Rubião e às trilhas que conduzem até a Pedra dos Escravos, quando foi interpelado por uma viatura policial.

O carro de polícia tocou a sirene, emparelhou com Bryan, que se deteve, e o xerife desceu da viatura.

“Boa noite, policial” – comprimentou Bryan.

“Coloque as mãos na viatura” – ordenou o xerife, que em seguida o revistou.

Ao examinar os documentos de Bryan o xerife disse:

“Ora, se não é assassino Bryan Lempke!” – havia um tom de ironia em sua fala.

“Eu já paguei tudo o que devia à justiça” – respondeu Bryan.

“Justiça? À qual Justiça você se refere?” – disse o xerife, colocando a arma na nuca de Lempke e em seguida o algemou.

“Você mudou bastante desde a primeira vez em que te prendi vinte e seis exatos anos atrás! Não é interessante que nos reencontremos?” – disse o xerife (o mesmo xerife de "Noite Maldita 1"), que então colocou Bryan no banco de trás de sua viatura e dirigiu até a entrada do Rubião. Chegando lá o fez descer e o conduziu, com a arma em sua nuca, pelas trilhas, até se encontrarem com dois encapuzados.

“Aqui está o descendente! O que faremos com ele?” – o xerife perguntou aos encapuzados.

“O Espírito Maldito nos disse que o descendente deve permanecer vivo. Vamos prendê-lo até que o ritual esteja completo”. – respondeu um dos encapuzados. E levaram Bryan para a cabana onde estavam até momentos antes as pessoas capturadas para servirem de vítimas no ritual (vítimas, entre as quais estava Amanda). Os dois encapuzados ficaram montando guarda.

No interior da cabana Bryan estava refém da situação até que viu diante de si os espíritos de vários escravos que o observavam. Então sentiu que as algemas às suas costas se romperam. Lempke, então, sussurrou para os espíritos: “Vocês me libertaram?”.

 – “Rompemos os seus grilhões! É tudo o que podemos fazer para ajudar! Saia pelos fundos, eles estão conversando diante da frente da cabana. Impeça o ritual, Bryan. Se o Feitor voltar ao mundo dos vivos o mal se espalhará! Seja rápido, o ritual já está avançado! Ajude-nos!” – responderam os espíritos.


Continua...

(Próximo capítulo: Sexta-feira)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Noite Maldita 3 - cap 4



Hoje, sexta-feira 13, dia de Terror, e dia das emissoras de TV reprisarem os filmes do Jason, não poderia faltar um pouco de terror aqui!

Mas antes quero falar de uma feliz surpresa e grande satisfação!

Quero agradecer a você que votou no “O Diário Thompson” para o selo “Xícara de Ouro” do blog “Café entre Amigos”, que promove, entre seus leitores, uma votação de melhores blogs do ano! Muito feliz pela sua indicação! Muito obrigada!

...beijinhos***




Noite Maldita 3

Capítulo Quatro

Amanda se sentia grogue enquanto recobrava os sentidos lentamente. 
Ela estava sentada, com os pés unidos e amarrados e as mãos amarradas às costas...
Estava no interior de uma pequena cabana de madeira... Quis gritar, mas estava amordaçada, com uma fita de silver tape... Olhou em volta... Havia mais seis pessoas na mesma situação... Algumas ainda dormiam, outras estavam acordadas, seus olhares eram de completo desespero... 

Onde ela estava? Como foi parar ali? Não, não era realidade, era um pesadelo! Precisava acordar! Onde estava Brett?
Começou a ter taquicardia e a se desesperar... 

O que Amanda não sabia era que a bebida que Brett lhe servira estava “batizada”, ele lhe dera um “Boa noite, Cinderela”.

Amanda começou a ter alucinações... Assistia a cenas de escravos recebendo horrendos maus-tratos... De repente as alucinações desapareciam... 

Eram alucinações! Ou seriam visões de cenas do passado? Não, era alucinação, alguém a drogou!

Ela não consiga sequer tentar, de alguma forma, se mover... seu corpo começou a tombar para a direita, então caiu no chão da cabana... 

Ela chorava copiosamente... Como ela foi parar ali? Por quê? 

Um rato se aproximou lentamente do seu rosto, enquanto estava caída no chão... o roedor ficou a milímetros de seu rosto e depois andou sobre ela por intermináveis minutos... 

Às vezes as alucinações voltavam, mas os piores momentos eram quando ela se sentia consciente. O que iria acontecer? Por que ela, e aquelas outras pessoas, foram levadas para aquele lugar?

Até que ouviram um barulho – alguém estava abrindo a porta da cabana... Era um grupo de homens encapuzados, com grandes mantos escuros. 
Entraram sem dizer uma palavra e começaram e levar as pessoas, que ali estavam, para o lado de fora da cabana...

Era noite... E estavam no meio de uma mata... 
Aqueles homens enfileiraram as pessoas que estavam dentro da cabana e começaram a fazê-las caminhar pelo mato... 

O caminho a que eram obrigados a seguir parecia interminável... Quem eram aqueles encapuzados? Aonde os estavam levando? E o que iriam fazer a eles? Teria Brett algo a ver com isso? Onde estava Brett?

Seguiram por uma trilha até o alto de uma grande pedra – A Pedra dos Escravos.

No alto da pedra havia tochas formando um grande círculo, uma mesa rústica de madeira e um estranho caldeirão... Lá esperava um encapuzado, parecia ser o líder daquele grupo misterioso... 

Amanda e cada uma das pessoas que estavam com ela no interior da cabana eram seguradas por um encapuzado...

 – “Tragam as vítimas do Sacrifício” – ordenou aquele que liderava.

Um dos encapuzados conduziu sua vítima até a mesa de madeira, onde outros dois encapuzados a amarraram, de forma que seus braços ficaram abertos como uma cruz, com os pulsos ultrapassando a extensão da mesa... 

O líder então fez alguns gestos...

 – “Eu invoco os espíritos malditos desta noite, para que recebam a paga pela paz em nossa terra! Como há tanto está estabelecido, nessa noite nós lhe entregaremos sete almas exigidas em sacrifício!”

O encapuzado que levou a vítima até a mesa retirou um punhal do interior de sua veste, enquanto um dos que a havia amarrado posicionava uma vasilha abaixo do pulso esquerdo... O que detinha o punhal, então, cortou-lhe o pulso e o outro recolhia o sangue... Fizeram o mesmo com o pulso direito... A vítima agonizava de forma aterradora... Até que, em um último gesto de misericórdia teve o punhal cravado no coração.

Amanda assistia em completo desespero àquele rito macabro.
É o que logo fariam com ela. 
Vivera tão pouco! Era tão jovem ainda!

A vasilha com o sangue foi levada até o caldeirão, onde o sangue que continha foi derramado, por ordem do líder que dizia: “Derrame o sangue da vítima no caldeirão, como nos ordenou o Espírito Maldito!”


Continua...


(Próximo capítulo: Terça-feira)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Noite Maldita 3 - cap 3



Noite Maldita 3

Capítulo Três

Na casa de Brett, na noite seguinte da chegada de Amanda, nas horas que antecediam a festa para a qual ele a convidara, já não havia timidez entre o casal. Riam, bebiam... Amanda não tinha costume de beber, nunca bebera antes, a não ser uma provadinha escondida da cerveja do pai, mas ela não diria isso a Brett – para não “pagar mico”.
Amanda saía do banho quando ao olhar para o espelho vê novamente a imagem de uma mulher negra. Sentiu o corpo gelar e fitou, com o coração disparado, a imagem fantasmagórica no espelho, como que esperasse que ela se dissipasse, tal como uma alucinação. A imagem se mantinha nítida, então a negra do espelho sussurrou “Fuja! Fuja!”.
Assustada e não querendo crer no que vira e ouvira, Amanda saiu pálida do banheiro e visivelmente nervosa. Ela não comentaria com Brett! Deveria estar muito bêbada, mas só álcool faria aquilo? Na verdade, Amanda desde criança via coisas assim, sempre se refugiando em qualquer explicação.
Brett notou o nervosismo de Amanda e a questionou do porquê estar tensa daquela forma, ao mesmo tempo a abraçando.
Ela disse que só estava nervosa com o fato de estarem os dois a sós. Brett a acalmou. Do beijo em seguida se iniciaram carícias cada vez mais ousadas. Amanda se entregou ao amado. Ela se sentia em um sonho! Um sonho perfeito! Não voltaria para casa dos pais! Apesar dos apenas quinze anos de idade se sentia suficientemente adulta para seguir a vida pelo mundo. Brett a amava, viveriam toda a vida juntos! Com pensamentos em sonhos de um futuro com seu amado, Amanda começou a sentir um sono muito forte e acabou adormecendo nos braços de Brett, sem saber que, quando acordasse, seu sonho perfeito se converteria em seu pior pesadelo – um pesadelo inimaginável para ela!


Após a conversa de Bryan com padre Glaxton, quando de sua visita à região da antiga fazenda dez anos atrás, Glaxton chamou Bryan para uma sala secreta na casa paroquial, ocultada por uma imensa estante de livros de teologia.

Enquanto a porta secreta se revelava Glaxton disse: “Providencialmente, mas não por coincidência, meu coadjutor está passando o dia fora, foi ter com familiares. Também não por coincidência, estamos na fase da lua minguante”.

Bryan surpreendia-se com o interior da sala repleto de símbolos pagãos e objetos estranhos e havia um altar com estatuetas egípcias.

 – “Padre, estas coisas me fazem pensar em bruxaria, em obras condenáveis pela fé!” – disse Bryan. Glaxton respondeu “Durante a idade média os padres adoravam condenar o que não conheciam”.

Glaxton, usando sal, desenhou um grande círculo no chão, então ficou de pé extremidade leste do círculo e segurando um punhal, que apanhara de sobre o altar, com a mão direita tocou a testa dizendo Ateh; o peito Malkuth, o ombro esquero Ve-Gedulah e o direito Ve-Geburah; cruzou as mãos sobre o peito Le-Olam e novamente segurando o punhal diante de si Amém. Desenhou no ar, com a ponta do punhal, uma estrela de cinco pontas e o fez novamente nas direções Leste, Oeste, Norte e Sul, dizendo, respectivamente em cada direção: Yod He Vau He! Adonai! Eheieh! e Agla! Estendeu os braços, como uma cruz, e com grande resolução recitou: "Diante de mim está Rafael, Atrás de mim Gabriel. À minha direita está Miguel. Á minha esquerda está Auriel. Diante de mim queima o Pentagrama, atrás de mim brilha a estrela de seis raios!".

Glaxton, então, colocou Bryan no centro do círculo, amarrando em torno da cintura de Bryan um grosso cordão preto. O padre então acendeu uma vela de cor preta e disse em tom forte: "Rápido como o vento, veloz como a noite, que o mal seja banido com a luz. A ti busco onde possas estar e invoco a lei de três!" O padre, então, pôs fogo em uma vasilha cheia de álcool e, se colocando a distância de um braço, passou a vasilha na frente de Bryan, para cima e para baixo. Ainda a segurando, caminhou três vezes em torno dele, entoando: "Termino suas maldições com o poder do pensamento, todas as suas obras resultaram em nada. Saia, saia todo o mal, para depois perecer e desaparecer no chão. Como o fogo e as chamas, a luz purificadora bane agora e para sempre o sofrimento de Bryan Lempke!". Colocou a vasilha sobre o altar. Desamarrou o cordão preto da cintura de Bryan, deixando-o cair no chão. Pediu a Bryan que saísse do círculo, colocou a vasilha ainda queimando no local onde Bryan estava. Então Glaxton e Bryan entoaram juntos: "Tú que causaste este tormento viverás cativo nas profundezas!". Glaxton disse a Bryan que deixasse a sala sem olhar para trás, enquanto tomaria as últimas providências.

Glaxton colocou um cordão com um pentagrama de prata no pescoço de Bryan, dizendo “Você deve manter este amuleto consagrado contigo!” – Bryan assentiu com a cabeça, e Glaxton prosseguiu:

 – “Há pessoas, entre as quais estou incluído, que por décadas busca livrar essa terra da Maldição. No combate à crença da necessidade do sacrifício maldito nos foi de grande valor o desenvolvimento da região nos últimos anos. Alguns de nós se utilizou de suas posições sociais para incentivar esse desenvolvimento, com ele e com a vinda de novas famílias fomos capazes de rebaixar o mito da Pedra dos Escravos à condição de suposta superstição dos antigos”
 – “Assim a população atual está livre, pois não é conivente com o sacrifício, sequer crê que ele exista ou tenha sido real” – comentou Bryan.
 – “Contudo, a fidelidade ao culto maldito prosseguiu, ainda que enfraquecido, manteve-se uma seita secreta em torno do sacrifício. Você desconhece os fatos ocorridos da ocasião de sua segunda possessão: uma garota de nome Michelle providenciou para que houvesse as vítimas, ela fazia parte da seita. Sabemos que a seita cresceu muito, especialmente entre jovens, nesses três anos, tememos o avanço desse grupo”.
 – “As vítimas para que eu assassinasse, o senhor diz”
 – “Você não tem culpa, Bryan, você não agiu mediante seu arbítrio. E coube a você ser o descendente vivo do feitor quando da décima terceira noite amaldiçoada, daqui a dez anos! Você terá a oportunidade de desfazer a maldição! Se você falhar, será necessário esperar mais do que um século e meio para uma segunda chance! E por isso eu lhe enviarei a um grande aliado, Cowley o preparará para seu destino.”.


Continua...

(Sexta-feira: o quarto capítulo)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Noite Maldita 3 - cap 2



"Noite Maldita 3 - Todos os segredos serão revelados"

Capítulo Dois

Amanda finalmente se encontrava com seu amado Brett! Durante os seis meses de namoro pela Internet, Amanda passava todo o tempo, inclusive durante as aulas da escola, sonhando acordada, perdendo a noção do espaço e do tempo. Parecia viver numa dimensão paralela! Foram seis meses sonhando com esse encontro, idealizando, imaginando como seria perfeito! A paixão que sentia, por si só, lhe trazia inúmeras sensações de prazer, parecia ter nela o mesmo efeito de uma droga.

Agora Brett estava ali, perto dela, de frente pra ela. Ele era ainda mais lindo do que nas fotos que postava. Amanda sempre imaginou que quando esse momento chegasse, ela sairia correndo para os braços do amado e lhe daria um beijo cinematográfico! No entanto, ela ficou ali parada. Brett foi até ela, se abraçaram, ela teve vergonha de beijá-lo.

“As coisas da festa estão prontas?” – Amanda perguntou, sem saber o que dizer.
“Sim, está tudo certo para a festa amanhã” – respondeu Brett, que a tomou pela mão – “Vamos, meu bem, você deve querer descansar da viagem!”.
“Deixa eu só ir rapidinho no banheiro!” – disse Amanda.

Enquanto Amanda lavava o rosto na pia do banheiro da rodoviária, sentiu o ar tornar-se mais frio e quando olhou para o espelho seu corpo inteiro gelou ao ver a imagem de uma mulher negra atrás dela, que a fitava com expressão séria. A Imagem logo desapareceu. Amanda saiu apressada do banheiro. Preferiu não contar sobre isso a Brett. O que ele iria pensar dela? Que era louca e via coisas? Talvez ela estivesse tensa, talvez fosse alguma faxineira da rodoviária que ela vira de relance. Ela não tinha uma boa resposta para o que vira.


Enquanto isso Bryan, que só chegaria à cidade no final da tarde do dia seguinte, se lembrava de sua conversa com o padre Glaxton.

–“Venha comigo até a casa paroquial, lá poderemos conversar melhor” – disse o padre.

– “O senhor pode me dizer sobre meu pai, a fazenda e a maldição?” – perguntou Bryan.
– “Você precisa saber, Bryan, antes de tudo, que há muitas pessoas interessadas no seu destino. Caberá a você, filho, a chance de livrar esta região do jugo maldito, que há muito lhe caiu! Você certamente nesses anos soube ou ouviu algo sobre a Maldição dos Escravos!”.
– “Nos tempos de escravidão vários escravos foram arremessados da Pedra dos Escravos para morte, e seus espíritos desejosos de vingança exigem a cada treze anos a morte de sete pessoas na noite maldita. Caso contrário os espíritos espalhariam mortes na região por treze anos, até que o ciclo se cumpra novamente. Não é isso, padre?”.
– “E você?”
– “Eu fui, por duas vezes, instrumento dessa maldição” – Bryan terminou a frase e ficou calado, voltando o olhar penoso para o chão.
– “Sim, filho, e seu pai também foi usado como instrumento da maldição. Diferente de você, ele sabia que seu avô também fora possuído pela maldição. Seu pai insistia em manter a vã esperança de que ele não seria tocado por ela! Ele ouviu do seu avô sobre a terrível sina e de todos os tormentos que lhe perseguiram. Após a morte do seu avô a maldição caiu sobre seu pai, este, ao perceber que havia voltado da possessão, após cometer os assassinatos, se jogou do alto da Pedra. Sinto tanto por ele” – respondeu o padre Glaxton.
– “As almas dos suicidas não encontram paz, não é, padre?”.
Glaxton com pesar respondeu:
– “Reze sempre pela alma de seu pai”.
– “O senhor sempre soube? Por quê? Por que a meu pai e avô? Por que a mim?”.

O Padre Glaxton olhou para todos os lados, e aguçou os ouvidos – parecia preocupado em não ser ouvido por mais ninguém.

– “Vou te contar a origem da Maldição, o que houve há tanto tempo na antiga fazenda! Existiu, naquele tempo, um feitor, o feitor da fazenda. Ele foi um homem perverso que maltratou de todas as formas aos escravos da fazenda. Costumava amarrar os escravos desobedientes no alto da Pedra, deixando-os desfalecer ao sol. Suas maldades foram inúmeras.
Uma noite os escravos armaram uma rebelião. Eles conseguiram capturar o feitor, e o levaram para o alto da Pedra. Lá eles o assassinaram.
Acontece que o espírito de quem foi mau durante a vida continua igual após a morte de seu corpo físico. Podendo tornar-se uma entidade demoníaca!
Após matar o feitor os escravos festejavam, com um grande banquete no topo da Pedra. Mas acontece que o espírito do feitor fez um trato com o próprio Demônio. O espírito do feitor se tornaria maldito e mandaria muitas almas para o Inferno. Em troca, Satã agonizou de tal forma aos escravos durante o banquete, que eles enlouqueceram e saltaram da Pedra, dando assim ao Feitor a sua vingança. Por serem os assassinos do Feitor, o Demônio possui legalidade sobre suas almas e ele as tornou cativas. Você, Bryan, o seu pai e o pai de seu pai e outros antes de vocês são os descendentes diretos do Feitor e por isso vocês teem sido vítimas de maldição familiar”.
– “As almas das vítimas da Noite Maldita são oferecidas ao Demônio pelo espírito do Feitor?” – perguntou Bryan.
– “Não, e é aqui que o Adversário de nossas almas usou de grande sagacidade! Satã não pode se apossar de almas, se elas forem inocentes. Acontece que durante muitos anos, a maior parte das pessoas da região sabia do sacrifício e era conivente com ele. Em prol de se preservarem da ameaça de treze anos de mortes a população da região entregava as vítimas ao assassino possuído. E por treze anos viviam hipocritamente como uma boa comunidade cristã! As almas da região teem sido condenadas ao Inferno por assassinato”.
– “Aquele que quiser preservar sua vida a perderá!” – disse Bryan e concluiu “Por serem coniventes com os sacrifícios são igualmente culpados por desobedecer ao quinto mandamento: Não Matarás! Aquele que mata em seu coração é culpado de assassinato!” – disse Bryan.

Glaxton esboçou um sorriso pela compreensão de Bryan.

Continua...


(Terça-feira: o terceiro capítulo)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Noite Maldita 3 - cap 1




As Histórias de Terror Assustador que dão Medo estão de volta!

Se você gostou de Noite Maldita e de Noite Maldita 2 eu espero que goste tanto ou mais do terceiro conto!

Bryan Lempke está de volta.

Em "Noite Maldita 3 - O Final de uma Maldição" Todos os segredos serão revelados!




"Noite Maldita 3 - O Final de uma Maldição"

Capítulo Um

No meio da noite, já de madrugada, Amanda, escondida dos pais, saía de casa pela janela do seu quarto, no segundo andar. Com muito cuidado, e levando uma mochila às costas, ela andou pelo teto do alpendre até a árvore próxima, que usou para descer para o quintal. Ao sair para a calçada, parou, olhou para trás e bufou, ainda com raiva dos pais, depois da discussão mais cedo. E, então, seguiu seu caminho.
Conforme se afastava de casa começou a ter a incomoda sensação de estar sendo seguida. Começou a se sentir tensa e um sentimento de medo começou a crescer.
Até que uma mão lhe segurou o ombro.

–“Jimmy!” – Ela disse, depois de quase ter berrado com o susto “O que você está fazendo aqui?”.
– “O que você está fazendo?” – contestou Jimmy.
– “Não é da sua conta!” – Amanda bravejou.
– “Você está fugindo de casa? É aquele cara da Internet, não é?”.
– “Já disse que não é da sua conta! E aquele cara tem nome, viu? É Brett, e é meu namorado! E, de novo, o que você está fazendo aqui? Anda me vigiando?”.
– “Não ando vigiando ninguém, mas eu estava acordado e vi, pela janela do meu quarto, você saindo da sua casa! Namorado? Você só conhece ele pela Internet!”.
– “Pois logo vou conhecer pessoalmente! E é meu namorado sim! Já estamos namorando pela Internet há seis meses!”.
– “Então é isso? Você tá indo encontrar com ele! Você acha mesmo que um cara de vinte e cinco anos tem boa intenção com uma menina de quinze que conheceu pela Internet?”.
– “Me deixa em paz, Jimmy, e vê se não me segue também, além de ficar me vigiando da janela do seu quarto!”.

Amanda seguiu para a rodoviária, onde pegaria um ônibus para a cidade de Brett.
Mas Amanda não era a única pessoa a viajar para aquela cidade naquela noite.

Partindo de outra localidade, Bryan Lempke, uma alma atormentada por eventos passados, não conseguia dormir a bordo de um ônibus com o mesmo destino.
Bryan sabia que logo teria que enfrentar seus piores fantasmas.

Vinte e seis anos atrás Bryan prestava serviço militar quando surtou, desertando do exército e se escondendo em uma fazenda. Quando voltou do surto estava preso, acusado pela morte de sete pessoas. Após passar treze anos na penitenciária por essa acusação, sendo depois libertado por cumprimento da sentença, amenizada por bom comportamento, Bryan voltou a surtar. Dessa vez quando voltou a si estava no mesmo local onde fora preso treze anos antes. Sabia que havia acontecido novamente. Ele havia matado. No segundo surto, quando recobrou a consciência, encontrou uma garota, com quem teve uma conversa rápida, pois ela lhe disse que se apressasse em fugir, antes de ser novamente preso, já que a polícia estava a caminho. Mas o que Bryan não esqueceria foi a frase: “É a maldição, acontece a cada treze anos”.

Bryan olhava a noite chuvosa pela janela do ônibus, enquanto se lembrava do seu encontro com o Padre Glaxton, dez anos atrás.

Bryan, após o segundo surto, procurou viver longe daquela região e reconstruir sua vida. No entanto, sua angustia o fez voltar à região onde vivera até a idade militar, em busca de respostas. Entre as perguntas estava o desejo de saber sobre seu pai, que morrera quando Bryan era ainda garoto. Sua mãe sempre lhe disse apenas que o pai morrera sob circunstâncias que não foram bem esclarecidas.

Ao voltar à cidade Bryan pode averiguar, pelos registros oficiais do município, que Tony Lempke, seu pai, estava entre oito pessoas encontradas mortas na fazenda onde trabalhou. – A mesma fazenda onde Bryan fora preso quando surtou e aonde retornou treze anos após o primeiro surto. – Os registros davam conta de que a perícia concluiu que Tony Lempke havia assassinado sete pessoas de forma brutal e logo depois cometido suicídio. Fatos os quais sua mãe lhe ocultou.
Desde sua prisão, Bryan só tornou a encontrar a mãe uma única vez. Após isso ela ficou acamada e veio a falecer vítima de câncer.
Depois das consultas aos documentos que lhe revelaram ser o pai assassino e suicida, Bryan foi até a igreja onde na infância fizera primeira comunhão.

Bryan entrou na igreja, vazia àquela hora, andou vagarosamente pelo seu interior, até que se sentou em um dos seus bancos, de onde ficou olhando para o altar, para a imagem do Cristo crucificado, enquanto desejava profundamente encontrar paz para seu espírito.

– “Bryan” – disse uma voz familiar.
Bryan voltou-se para trás e lá estava o Padre Glaxton, o mesmo páraco dos seus tempos de catecismo.
– “Padre? O senhor ainda se recorda de mim?” – disse Bryan.
– “Sim, tenho esperado pelo nosso encontro de hoje por muitos anos! A essa altura você já sabe sobre seu pai” – respondeu o Padre.
 – “Tem esperado por mim? E o senhor sabe que estive procurando por informações sobre o meu pai?” – questionou Bryan.
– “Sim. E você traz perguntas sobre muitas coisas além do destino de seu pai, você tem perguntas sobre si, sobre a fazenda e A Maldição” – respondeu Glaxton, e acrescentou – “Eu tenho as respostas”.



Continua...


(Sexta-feira: o segundo capítulo)



sábado, 2 de novembro de 2013

O Lobo e O Coyote -cap 4



Último Capítulo


“Papai!” – disse espantada Sally ao encontrar o xerife amarrado e amordaçado na rua.

Ao tirar a mordaça do pai, ela perguntou o que houve.

“Um maldito fora-da-lei muito perigoso, filha!” – disse o xerife – “O conhecido como William Coyote! O maldito assaltou um homem nessa noite passada e o levou tudo do pobre diabo e o deixou desacordado na rua! E agora há pouco fez isso comigo!”.

“Bill não poderia ter assaltado ninguém essa noite passada! Não foi ele!” – Sally disse demonstrando muita convicção.

“Bill? Você o chama de “Bill”, como se o conhecesse? E por que tem tanta certeza de que ele não cometeu o assalto?” – disse o xerife.

“Ora! É que... Deixa-me desamarrá-lo, papai! E me conte melhor desse sujeito desacordado!” – disse Sally, querendo com o assunto da vítima de assalto fugir à resposta da pergunta feita pelo pai.

“Logo pela manhã bem cedo esse viajante estava desacordado perto de uma cerca, e com marcas de enforcamento no pescoço...” – respondia o xerife.

Sally se lembrou do que sabia, por livros, sobre lobisomens. Que pela manhã voltavam à condição humana. E ao saber onde exatamente o tal homem estava desacordado, com marcas no pescoço, concluiu que o lobisomem passara a noite com o pescoço preso na cerca e que o homem que o pai encontrou e julgava ser vítima de assalto, era na verdade o lobisomem. Mas preferiu não comentar algo tão difícil de acreditar.

Mais tarde, à noite, Sally procurou Billy no hotel.

“Desculpe-me pelo seu pai, eu precisei da estrela de prata que ele carregava presa à roupa” – disse Billy.

 Billy mostrou a bala de prata à Sally e colocando-a no colt, disse:

“Coiotes são tipicamente excluídos de áreas com lobos! Talvez seja a hora do Coiote excluir o lobo!”.

“Acredita que ele voltará?” – perguntou Sally.

“Pequena, eu conheço as bestas e conheço os homens, ambos são orgulhosos, pelo que você me disse, esse lobo é ambas as coisas, e com certeza voltará e virá atrás de nós para se vingar de ter sido cavalgado e ter passado a noite com a cabeça presa numa cerca. Mas dessa vez a bala de prata espera por ele!” – respondeu Billy.

***

Na noite seguinte, já em horário avançado Sally procurou por Billy no seu quarto de hotel.

“Papai vai dormir na delegacia de novo?” – Billy perguntou à Sally ao encontra-la.

Sally entrou no quarto e o casal trocou beijos apaixonados.
Depois, tiraram suas roupas de cima e se deitaram, trocando mais beijos, abraços e carícias.

Billy acariciava os cabelos de Sally quando ao ouvir cachorros latindo, parou e disse:

“Pelo jeito que os cães estão ladrando, estou vendo que farejam lobo!”

No instante seguinte Sally atônica arregalou os olhos, apontando para a janela às costas de Billy.

Billy foi muito rápido, alcançou a pistola na cômoda ao lado da cama e se virou, deitando de costas sobre Sally, quando a besta-fera pulou, quebrando a janela, invadindo o quarto e atacando ao casal, Billy disparou a arma, acertando bem entre os olhos do lobisomem, que com o impacto do disparo foi para trás, caindo pela janela, rolando pelo teto do alpendre, e caindo no meio da rua.

O lobisomem urrou e uivou por longos e dolorosos minutos até morrer.
O som do disparo da arma de Billy e os urros e uivos acordaram todos na cidade, que correram, saindo de suas camas, para ver o que havia acontecido. Inclusive o xerife McCamon. Billy e Sally desceram e se juntaram à multidão.

Todos assistiram à horrenda cena do lobisomem morto voltando à forma humana.

“Sally?” – disse o xerife ao ver a filha.
“Papai, as suas calças!” – ela respondeu.

O xerife se levantou tão apressado que se esquecera de vestir as calças, para diversão do povo da cidade.

Billy dirigiu-se ao xerife e disse:

“Aí está o seu ladrão de gado e cavalos, também sua suposta vítima de assalto, e, se quiser, pode retirar a bala de prata da cabeça dele, foi feita com a prata do seu distintivo”.

***

Na tarde do dia seguinte o xerife McCamon e sua filha Sally foram ao hotel procurar por Billy para entregar-lhe um cavalo.

“Os fazendeiros ficaram gratos pelo extermínio da fera que vinha atacando seus cavalos e gado e pediram que você aceite esse cavalo, como lembrança de gratidão” – disse o xerife.

Billy acariciou o pescoço do animal e comentou:

“É um belo corcel!”

Billy montou no cavalo e acrescentou:

“Bem, meu trabalho por aqui já acabou, é hora de deixar essa cidade”.

Terminou a frase e ficou olhando para Sally, que entendeu que ele a esperava.
Sally abraçou e beijou seu pai, o xerife, dizendo:

“Eu te amo, papai, voltaremos para visitar”.

Então Sally montou no cavalo junto de Billy e o abraçou pela cintura.

Billy fez um gesto de despedida segurando a ponta do chapéu:

“Até mais, xerife”.

E eles partiram.

E foi assim que Billy passou a ser chamado de “Billy Coyote - O Bala de Prata”




...beijinhos***


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Lobo e O Coyote - cap 3



Penúltimo Capítulo


“Eu acredito que era um lobisomem” – disse Sally.

“Então tal coisa é real? Foi de um lobisomem que eu te salvei, pequena?” – disse Billy.

“Eu não acreditaria se não o tivesse visto frente a frente!” – disse Sally.

“E o que uma pequena como você fazia sozinha a essa hora andando pelas ruas?” – perguntou Billy.

“Eu tinha ido ver meu pai na delegacia” – ela respondeu.

“Pelo o que ele foi preso?” – perguntou Billy.

“Não foi preso! Ele é o xerife e como não voltou hoje para casa eu fui levar algo para ele jantar”.

“Então já conversei algumas vezes com o seu pai! Sujeito simpático com os que visitam a cidade!”

“Perdoe-o, forasteiros costumam trazer problemas!”

“Como seu lobisomem? Acho que é um lobo forasteiro! Quer que eu a leve para casa ou para a delegacia? Mas dessa vez acho melhor levar a pistola!”

“Não, Senhor Coyote, em casa eu estaria sozinha, somos só meu pai e eu, e aquela criatura pode ter se soltado daquela cerca e pode ser perigoso. E o senhor não pode matá-la com balas comuns. Eu já li muitas coisas sobre lobisomens e é preciso uma bala de prata para matá-los!”.

“Billy! Já lhe disse para me chamar de Billy! Então onde pretende passar a noite?”

“Er... aqui?”

“Não nesse hall de hotel, não é pequena? Venha, vamos subir”.

Sally hesitou, ficando parada olhando para seu salvador. Billy e pegou pela mão e a conduziu ao quarto.

“Nesse hotel pelo menos temos cama macia. Eu vou acomodá-la” – disse Billy.

***

Contam que a bela jovem escapou assim das garras do Lobo, mas não escapou do Coyote!

No dia seguinte, bem cedo pela manhã, o xerife encontrou um sujeito nu desmaiado próximo a uma cerca.

***

O xerife McCamon, com a carabina, cutucou o homem nu desacordado.

“Acorde, vagabundo! Vou prendê-lo por atentado ao pudor, seu bêbado!” – disse o xerife.

O homem acordou e olhou em volta de si e depois olhou para o xerife.

“Eu não bebi, xerife! Eu viajava quando fui atacado por um fora-da-lei, pistoleiro! Ele me tomou a montaria e... não me lembro do que houve depois! O sujeito deve ter me golpeado e me levou até as roupas!” – respondeu o homem.

O xerife coçou a barba e torceu a boca pensando por algum tempo.

“Acho que você diz a verdade!” – disse o xerife desconfiando que o forasteiro que há alguns dias estava na cidade (Billy, claro) fosse o autor do assalto. Então o xerife jogou seu chapéu para o homem e disse – “Cubra sua vergonha com isso e venha comigo, vou lhe arrumar umas roupas para que você siga seu caminho como puder. Vamos logo antes que o povo da cidade acorde!”.

Na delegacia o xerife deu ao homem roupas usadas.

“O que pretende fazer?” – perguntou o xerife.
“Seguir minha viagem caminhando” – o homem respondeu.
“Certo. E pode ficar com o chapéu! Vai precisar para que o sol do oeste não lhe cozinhe os miolos” – disse o xerife, que então reparou marcas no pescoço do sujeito. – “O fora-da-lei te enforcou no momento do assalto?”.

O homem pensou por alguns segundos e respondeu “Eu... Eu acho que foi isso sim”.

“Bem, siga seu caminho, rapaz!” – respondeu o xerife.

***

Naquele dia à tarde o xerife tornou a encontrar Billy e novamente, montado em seu cavalo, se pôs carrancudo à frente de Billy. Ostentando a carabina, o xerife disse a Billy:

“Forasteiro, parece que eu estava enganado quanto aos cavalos e gados! Acho que seu ramo de atividade é outro! Anda assaltando à noite?”.

“Vejo que continua muito simpatizante de mim, xerife! Como escapei da acusação pelos cavalos e gado?” – respondeu Billy.

“Encontrei os animais mortos com a carne devorada! E sabe o que mais encontrei? Um viajante que foi enforcado até ficar desacordado e tudo o que tinha lhe foi levado! Você sabe algo sobre isso, forasteiro?” – disse o xerife.

“Essa estrela que traz no peito – de que é feita, xerife?” – perguntou Billy.

“Hã?! É de prata, mas por quê?” – disse o xerife. Mas antes que terminasse a frase, Billy tomou-lhe a carabina e o golpeou com ela, derrubando-o do cavalo em seguida apontando-lhe a própria arma tomada. Então o conduziu, sob a mira da carabina, até uma cerca onde havia cavalos amarrados e usando uma corda, que estava pendurada ali, Billy amarrou os braços e as pernas o xerife e o amordaçou com um lenço.

“Sinto muito por isso, xerife!” – disse Billy.

O xerife amordaçado tentava resmungar pela humilhação.

“Agora, com sua licença, preciso dessa estrela!” – disse Billy arrancando o distintivo do xerife. E acrescentou – “Ah! Estou um pouco cansado do termo ‘forasteiro’, o nome é Billy Coyote”.

***

Contam que o velho xerife McCamon borrou as calças quando ouviu o nome da boca de Billy! Rs rs rs.

Billy foi até um estabelecimento com placa de loja de armas.
O artesão de armas arregalou os olhos ao ver Billy colocar um distintivo de xerife sobre o balcão. Em resposta à expressão do artesão Billy disse: “Essa estrela foi um presente. Pode fabricar uma bala de colt com a prata dela?”.
O artesão achou melhor não contrariar um pistoleiro que talvez tivesse matado um homem da lei de quem teria obtido aquilo. E sob o olhar supervisionador de Billy, derreteu a estrela e moldou uma bala de prata.

“Obrigado, você foi muito prestativo!” – assim Billy despediu-se do artesão, que preferiu não cobrar o serviço.

Continua...


terça-feira, 29 de outubro de 2013

O Lobo e O Coyote - cap 2



Capítulo 2

Acho que Billy Coyote estava só de passagem pela cidade, mas talvez por causa da bela Sally tenha resolvido ficar uns dias por aqui! E ele se hospedou no hotel, o único hotel aqui da cidade. Contam que lá também economizou, pois quando lhe perguntaram o nome para registro ele disse “William” e quando perguntado pelo sobrenome ele respondeu “Pode chamar de Coyote” e “Billy Coyote” era um nome temido. Havia histórias sobre ele! Alguns diziam que fora criado por coiotes. Ora essa! E havia os que diziam que com apenas sete anos de idade um coiote tentou ataca-lo e Billy o matou usando só as mãos! E ainda outros que diziam que o nome era porque havia acertado um tiro exatamente entre os olhos de um coiote a mais de um quilometro de distância... No fundo ninguém sabia ao certo o porquê do nome e contavam histórias! Mas sobre tudo se dizia que ele tinha a melhor pontaria do Oeste! Bem, quando ouviu se tratar de Billy Coyote o velho dono do hotel o hospedou com regalias e sem lhe cobrar nada! Dizem que o velho tremeu mesmo feito vara verde quando soube quem estava diante dele!

Mas voltemos ao que aconteceu naqueles dias em que Billy Coyote esteve aqui!
Acontece que justamente depois que Billy chegou, os fazendeiros da região começaram a se queixar ao xerife de que seus cavalos e gado andavam desaparecendo. E o xerife achou que “o forasteiro” tivesse algo a ver com isso! E chegou a questioná-lo ao o encontrar novamente pela cidade! (O velho xerife McCamon, ainda não sabia com quem estava falando).

***

Billy caminhava pela rua central da cidade e o Xerife McCamon mais uma vez ostentando a carabina e montado em seu cavalo se colocou perante o forasteiro.

“Olá, forasteiro! Vejo que continua nessa cidade! Terá você algo a ver com os sumiços de cavalos e gado por aqui, dos quais tenho ouvido queixas dos fazendeiros?” – disse o xerife.

“Olá, xerife! Vejo que gosta de conversar sempre apontando essa carabina, seria mais educado não aponta-la tanto! Nada tenho a ver com seus cavalos e gado!” – respondeu Billy.

***

Mas acontece que depois o xerife acabou acreditando que, nesse caso dos cavalos e gado, estava enganado quanto ao forasteiro! Um dia fazendo ronda pelas redondezas encontrou vários restos de animais, cavalos e gado. Os corpos dos animais pareciam haver sido atacados por algum predador. O xerife acreditou se tratar de um ataque de lobos.

E depois desses fatos é que aconteceu de Billy salvar Sally em uma noite!

***

Era tarde da noite, mas o sono fugira de Billy e ele tentava dormir, enquanto olhava o teto do seu quarto no hotel.

Sally caminhava pela rua principal da cidade, onde o hotel se localizava.
Mas a jovem começou a ter a sensação de haver algo a seguindo e sentiu seu corpo gelar! Quando olhou para trás havia uma criatura horrenda! Parecida com um cão, porém muito maior, com orelhas enormes e pontudas e olhos de um vermelho horripilante que estavam fixos nela, a boca da criatura semiaberta exibia dentes enormes e pontudos e aquela criatura salivava como se estivesse faminta! O bicho caminhava lentamente na trilha da jovem. Quando Sally viu a criatura deu um grito agudo e alto de pavor! A jovem ficou paralisada de medo sem conseguir sair do lugar! Permanecendo ali parada olhando incrédula para a criatura.

Ao ouvir o grito Billy se levantou e olhou pela janela e viu a cena da moça de frente com a criatura ameaçadora! Então Billy pulou a janela e, deslizando pelo teto, foi cair bem em frente à moça.
Sally deu um salto para trás ao se surpreender com o pistoleiro caindo.

Billy se levantou e bateu na roupa tirando a poeira enquanto dizia para ela se afastar.
Metros a frente de Billy a criatura observava, com olhos ameaçadores, e começou a roçar o chão de terra com as patas.

“Que diabo é isso?” – disse Billy espantado com o que via.

Billy e a criatura ficaram se olhando por minutos até que a criatura disparou em direção do pistoleiro.
Billy levou a mão procurando a pistola, mas então percebeu que não havia colocado o cinto antes de pular pela janela!

“oh-oh!”

Billy correu e aquela coisa correu atrás dele! Claro, aquilo era mais veloz e quando Billy corria por uma varanda e o bicho o estava quase pegando, o pistoleiro com um salto, agarrou no teto da varanda, escapando do ataque bem na hora, e com a criatura debaixo de si, Billy largou do teto pulando nas costas daquela coisa e agarrou-lhe os pelos e cavalgou naquilo como se cavalga em um touro bravo!

Sally encolhida em um canto de varanda assistia ao inusitado “show de rodeio”.
A criatura saltava furiosa, tentando fazer “o peão” cair de suas costas! E Billy fez aquilo correr em direção a uma cerca, onde o bicho se chocou e ficou com a cabeça presa!
Então Billy desceu e aproveitando que a criatura estava presa, correu para junto de Sally e a levou para dentro do hotel, jogando-a por uma janela do primeiro andar e saltando atrás, antes que aquilo se soltasse.

***
“O-o-Obrigada, Senhor...” – disse Sally.

“William, já lhe disse” – respondeu Billy.

O Dono do hotel apareceu.

“Traga água para a pequena, acho que ela passou por um grande susto!” – disse Billy ao dono do lugar.

“Sim, Senhor Coyote!” – respondeu o sujeito solícito, indo buscar água.

“Q-q-co-Coyote?” – perguntou Sally admirada.

“É como me chamam” – respondeu Billy

O dono do hotel chegou com a água e Billy serviu à Sally.

“Agora pode nos deixar” – Billy ordenou ao sujeito.

“Você é, é, é... Billy Coyote?” – perguntou Sally em tom de espanto.

“Sim. E você depois daquela coisa lá fora se assusta com meu nome? Que diabos era aquilo?” – disse Billy.

“É verdade que o senhor matou um coiote quando era criança?” – perguntou a jovem.

“Bem... Estamos começando a deixar de ser estranhos, não é? Começou a se interessar pelo tipo pistoleiro, o tipo de fora-da-lei?” – disse Billy.

“Er... O senhor salvou-me a vida, Senhor Coyote” – disse Sally.

“E isso dá algum crédito, me parece! Pois bem, eu criado por coiotes? Rs. Dizem isso?”

“Dizem”

“Não, pequena, de quem talvez eu possa saber o nome! É ‘Coyote’ por que eu vivo só! Como os coiotes costumam viver!”– disse Billy com ar galanteador.

“Meu nome é Sally”.

“Agora que terminamos as apresentações... Talvez possamos falar sobre o que era aquilo lá fora”.


Continua...

domingo, 27 de outubro de 2013

O Lobo e O Coyote - cap 1


Meu pai adora filmes de Faroeste, ou Western, como preferir, os favoritos dele são os italianos e desde que eu era pequena ele assiste repetidamente aos mesmos títulos: “Django”, “Dolar Furado”, “Três Homens em Conflito”... Este último sempre gostei da trilha sonora (é, papai além do filme tinha o CD de trilha sonora). Eu acho esses filmes muito divertidos: os pistoleiros com habilidades absurdas, as brigas nos saloons, o mocinho que responde com uma ‘bela tirada’, os bandidos, a implicância instantânea com alguém por ser “forasteiro”, um cara (Django) que arrasta um caixão pra todo lado e de repente descobrimos que ele usa o caixão para guardar uma metralhadora...
Além dos filmes sérios, com Franco Nero, Clint Eastwood ou John Wayne, entre outros (atores favoritos do pai) há também os Faroestes Comédia, como “Trinity”, com Terence Hill e Bud Spencer – se os sérios já são engraçados, os com essa dupla o são ainda mais!
Esses dias me lembrando desses filmes senti vontade de escrever uma história de faroeste para o blog. Mas dado meu gosto por histórias de Terror e estarmos no mês do Halloween é bem capaz que algo sobrenatural aconteça no Velho Oeste!
Espero que você goste de “O Lobo e O Coyote”!

...beijinhos***


O Lobo e O Coyote.

Por essas bandas daqui, nesse pedaço esquecido do Oeste, conta-se a lenda do Lobo e o Coyote. Essa é a história que vou contar a partir de agora!

Um dia Billy Coyote chegou à nossa cidade. 
Ele entrou no saloon e pediu uma boa refeição de feijão e o melhor uísque que houvesse lá!

***
Billy entrou calmamente pela porta de folha dupla e atravessou o saloon, atraindo alguns olhares dos frequentadores. As moças do saloon julgaram o forasteiro de olhos azuis, um tipo elegante e especialmente belo!

Billy chegou ao balcão. O barman, que, usando um pano, limpava o interior de um copo, olhou para o forasteiro.

“Um bom prato de feijão e dose dupla do seu melhor uísque” – pediu Billy.

O barman pôs de lado o copo e apoiando-se com ambas a mãos sobre o balcão indagou:

“Tem dinheiro para pagar, forasteiro?”.

Billy ergueu o chapéu preto, usando o indicador da mão direita e, com um ensaio de sorriso, exibiu um gordo maço de notas, retirando-o do bolso com a mão esquerda e tornando a guarda-lo.
O barman voltou a olhar para o rosto do forasteiro, então se virou, e apanhou uma garrafa de uísque.

“Essa não, barman, eu disse seu melhor uísque”.

***

Depois de se fartar com a refeição e com o bom uísque Billy Coyote causou uma bela briga no lugar.

***
Enquanto bebia a terceira dose Billy olhava para uma mesa onde alguns homens jogavam cartas. Um dos jogadores fitava Billy, quando este, com expressões faciais sutis, o fez entender que um dos seus adversários nas cartas trapaceava.

O homem se levantou furioso e esmurrou o adversário indicado por Billy, acusando furiosamente: “Trapaceiro sujo de uma figa!”.

A partir daí o interior do saloon se tornou um barulhento inferno de homens se esmurrando confusa e furiosamente, cadeiras e mesas sendo atiradas de um lado para o outro, quebradas sobre os corpos dos contendores. O tilintar de vidros quebrados era constante. Ninguém se preocupava com como tudo começara – não tinha nenhuma importância, estavam todos muito embriagados e enfurecidos para se preocuparem com outra coisa além de se esmurrarem. Um vaqueiro foi arremessado através da vitrine do saloon... O barman gritava pedindo para pararem a briga e se acalmarem, dois contendores o agarraram e ato contínuo, o atiraram sobre o balcão, o barman deslizou por toda a sua extensão, derrubando copos e garrafas, até se esparramar desengonçadamente sobre os corpos de outros homens.
Outro homem pendurou-se no enorme lustre, que dominava o saloon e balançou-se repetidamente até que este se desprendeu do teto e o homem se espatifou no chão.

***

E Billy provocara aquela algazarra só para economizar o pagamento da refeição e do uísque! Rs
E ao sair do lugar Billy Coyote encontrou com o velho Xerife McCamon.

***

Billy começou a traçar, através da confusão, o caminho da saída. Ora se abaixava para desviar de uma cadeira, garrafa ou soco, ora esmurrava a cara de algum contendor que se colocava diante dele... Ao sair pela porta do saloon Billy viu-se de frente com um vaqueiro, que havia sido arremessado para fora e tentava voltar. Billy o esmurrou fazendo-o cair desmaiado num bebedouro para cavalos.

Billy sorriu, olhou para o saloon, achando graça da confusão e feliz pela refeição e o uísque terem ficado de graça. Quando olhou novamente para frente se deparou com o xerife diante dele, sobre o cavalo e com a carabina de cano duplo pendente num dos braços, o rosto dominado por uma carranca mal-humorada e hostil. O xerife era um sujeito ossudo e avermelhado, cabelos e bigode castanho-claro penteados com esmero e sobrancelhas grossas.

“Esta cidade costuma ser pacata! De repente encontro uma confusão e um forasteiro! Não gostamos de confusões aqui! Você deve ter culpa nisto!” – disse o xerife.

“O que é isso, Xerife! Eu estava tentando ter uma refeição nesse saloon e sua gente pacata começa uma algazarra!” – respondeu Billy.

“Quanto tempo pensa em ficar na cidade, forasteiro?” – disse o xerife, sem abaixar a carabina.

“Uma cidade muito hospitaleira além de pacata! Estou só de passagem!” – respondeu Billy irônico.

O xerife fitou-o desconfiado, não acreditara que o forasteiro nada tivera a ver com o início da confusão no saloon.

“Espero não encontra-lo novamente criando confusão!” – disse o xerife e se retirou.

***

Depois disso que Billy Coyote viu pela primeira vez a bela Sally! O Coyote não perdeu tempo em puxar assunto com a moça! Não o culpo, conta-se que se tratava de uma jovem muito bonita, de cabelos loiros penteados num sóbrio e elegante bandô, pele rósea, olhos verdes e lábios finos.

***

Sally caminhava pela rua com passos curtos e delicados.

Billy se aproximou dela

“Bom dia, bela flor do oeste!”

Sally apertou os passos e olhou fixamente para frente, passando por Billy, que a agarrou pelo braço.

“Ei, pequena! Não me escutou falar com você?”

Sally virou-se de frente para Billy, e ele a segurou pela cintura.

“Não falo com estranhos!” – ela disse em tom zangado.

“Posso me apresentar! Meu nome é William”. – disse o Coyote.

Sally se sentiu mexida com o modo firme que Billy a segurava e não conseguiu evitar correr os olhos pelo forasteiro.
Ela empurrou as mãos dele e disse:

“Pois o senhor, senhor William, me parece um pistoleiro, um fora-da-lei, um tipo repugnante com o qual não quero contato! É favor não me interpelar mais! Passar bem!”

Billy sorria vendo a moça se afastar enquanto pensava: “Essa pequena gostou de mim”.

***

Continua...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Faz um 21! (aniversário da blogueira)



E hoje completo 21 anos!
“Faz um 21!!!” =D

Lembra da propaganda? Pra usar 21 nas ligações telefônicas...

Er... Acho que nem todo mundo se lembra dessa campanha... Quando eu era criança o pessoal repetia muito o bordão dela e... Era de quando a gente passou a ter/ poder optar pela prestadora... Sabe?

É... Devo estar ficando velhinha! Bem, pelo menos não comecei com aquilo de “as crianças de hoje jamais saberão...”!

Nuss já se passaram três anos desde que completei dezoito! Como assim? Eu me lembro dos quinze anos e a ansiedade para completar dezoito (e então poder entrar em qualquer balada, dirigir, assistir qualquer filme... etc.). E do quanto demoraram aqueles três anos... Já esses últimos três anos voaram! O tempo parece que resolve correr depois dos 18!
Espera um minuto!!! Se os próximos três anos passarem rápido assim, logo terei 24 e mais uma passadinha dessas e estarei com 29... À beira dos trinta!!!! 30!!!
Ai meus sais! Estou ficando coroa! Nesse ritmo não demora estou com 60!
=| À beira da terceira idade!
Calma, Aline! Não precisa se apavorar! Quantas cantoras e atrizes estão muito bem com seus cinquenta? Quantos tem a Paula Toller, a Madonna?

Mas será que devorando pizzas, refri, frituras, doces... e toda gama de “besteira” vou estar bem com 50?

“Trimmmm” – soou o telefone (não sei se ‘fazendo um 21’).

Só atender e já volto para acabar o post!

-“Alô, Ditte, tudo bem?”.
- “Oi, aniversariante, como tá o seu níver, gata?”
- “Por que me chamou de ‘gata’? Acho que estou embarangando? Diz a verdade!”
- “O que?”
- “Tá bom! Lembra que iriamos àquela pizzaria os amigos comemorarmos meu níver?”
- “Sim”
- “Resolvi mudar pra um vegetariano! Sabe onde tem um?”
- “Comida vegetariana? :S Aline, você tá bem?”
- “Por quê? Er... Você acha que não estou?” D=
- “Você fez 21 e ficou pinel?”.
- “Fiz um 21! rs. Lembra da propaganda, né?”
- “Que propaganda?”
- “Ah não! Pode ir parando! Você regula idade comigo! Sua anciã!”

- momento de fúria (no melhor estilo TPM) e desliguei o telefone na cara da Ditte.

Que desaforo da Ditte! Me ligou pra me chamar de velha por causa do meu aniversário!

- vou até o espelho.

- com as mãos no rosto, examinando-o minuciosamente.

Será que isso é um sinal de idade? Hmmm Acho que tenho já até entradas...

- verificando as raízes do cabelo

Isso é um fio branco? Bem... estar ficando balzaquiana não é ruim... pelo que sei ficamos emocionalmente amadurecidas... podemos viver o amor com maior plenitude...

- alguns instantes depois...

Ai, Aline! (falando comigo mesma) que monte de bobagem! Que crise besta... até ontem  não estava pensando nada disso. E o que aconteceu à meia-noite? Fez “plim” e mudou tudo por que agora tem 21? Idade é só “um número idiota”... Lembra, Aline? Idade cronológica, idade psicológica, ideológica... (...) E não 30! São só 21... Aff!

=/ Nusss! Fui grosseira com a Ditte, coitada! Tenho que ligar pra ela e pedir desculpa!
E também dizer pra esquecer aquilo de vegetariano e dizer que o rodizio de pizza que está valendo!

“Trimmm” – o telefone novamente.

Será a Ditte de novo? =| Será que ligou pra dar uma bronca?

- “Alô!”.
- “Feliz aniversário, prima!”.
- “*-* Oi, Bianca! Muito obrigada!”.
- “Como está o aniversário até agora? Te conhecendo, imagino que deve estar escrevendo postagem para o blog!”.
- “Pior que estava mesmo... e... Ah! Estou pensando em postar algo assim, sabe, de crise com o aniversário... tipo “ficando velha”...pra ser divertido... Acha muito “derr”? Muito besta?”.
- “Não sei...”
- “É... Ah! Sabe o que “21” me lembrou agora? Uma música da Alanis! “21 things that I want in a lover”! O que acha de eu postar alguma lista de “21 coisas”, tipo, sei lá... 21 coisas com aniversário! Ou acha que isso de lista de muito batido? Já tem aquilo de “10 things I hate about you”... e também aquele filme que você gosta “16 wishes” que é de aniversário...”
- “Que música é essa que falou? Alanis? 21?”.
- “Alanis Morissete! Ué!”
- “Ai, ‘Line’! Só tiozinho escuta Alanis Morissete! Sei lá que música é essa!”.
- “Hã? Tá dizendo que sou tiazinha? Nem é tão antigo assim! É de 2002!”.
- “Nuss! Mais de 10 anos!”.
- “Ligou pra me chamar de velha???” =@

(...)



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Caso do Porquinho Chico - cap 6



Último Capítulo


No tribunal Vanessa e os pais ficaram sentados no banco dos que acusavam e eram defendidos pelo promotor público, do outro lado, o lado da defesa, estava o sujeito e seu advogado particular. Os jurados sentavam-se à esquerda. Entre as balaustradas que separavam o júri dos espectadores, encontrava-se o padre Francisco como testemunha.

“Vamos dar início ao caso do Porco Chico!” – anunciou o juiz.

“Meritíssimo, meu cliente está sendo difamado, caluniado por estas pessoas de má fé!” – disse o advogado do sujeito.

“Mãe, o que ele disse? Meritiss... o que?” – perguntou Vanessa.
“Meritíssimo! É o mesmo que juiz!” – a mãe respondeu.
“E difamado e caluniado?” – perguntou a menina.
“É falar mal”
“Por que não diz, então, juiz e falar mal, que a gente entende?”

O juiz com cara de bravo bateu o martelo: “Silêncio no tribunal!” – bradou.

“Xiiiiii” – fez a mãe de Vanessa.

“Como eu dizia, Meritíssimo, essas pessoas sem nenhuma prova contundente, fazem acusações difamatórias contra meu cliente, o senhor Guilherme, que é um contribuinte honesto desse município!” – disse o advogado do sujeito.

“Não entendi nada, mãe! Que município?” – perguntou Vanessa.
“É o mesmo que cidade! Fica quietinha, filha, o juiz vai brigar!” – respondeu a mãe.
“Por que não diz cidade, que todo mundo entende?” – comentou Vanessa.

O juiz voltou a bater o martelo: “Silêncio!” – bradou novamente.

“Desculpa, meritíssimo ou juiz!” – disse Vanessa.

“Padre Francisco!” – chamou o escrivão.

“Padre, o senhor pode contar ao juiz e ao júri o que se passou?” – perguntou o promotor.

 “A menina Vanessa e sua amiga foram à minha paróquia hoje pela manhã levando o porco...” – respondia o padre.

“Mãe, o que é paróquia?” – perguntou Vanessa.
“É quase o mesmo que igreja! Agora fica quietinha!” – respondeu a mãe.
Ára, por que não diz igreja, que todo mundo entende?” – comentou Vanessa.

“Mocinha, vou ter que pedir que se retire, se não parar de falar!” – disse o juiz se dirigindo à Vanessa.

“Me retire?” – perguntou Vanessa.

“Que saia do tribunal” – respondeu o juiz.

“Por que não diz sair, que todo mundo entende?” – perguntou Vanessa e depois apontou para o sujeito, dizendo brava:

“Esse moço malvado mentiu pra mim e pra Valéria e roubou o meu porquinho!”

“Protesto! A menina não pode advogar!” – bradou o advogado do sujeito.

“Protesto? E o que eu não posso?” – Vanessa perguntou ao advogado.

“Er... Quer dizer que não concordo e que você não pode se defender por si mesma!” – respondeu o advogado.

Ára! Ocês ficam falando tudo enrolado! Eu posso sim! E quero chamar minha testemunha!” – respondeu a menina.

“Tudo isso é absurdo! O porquinho Tico é meu!” – gritou exaltado o sujeito que afanara (que é o mesmo que roubar) o porco.

“É Chico o nome dele, seu bocó! Tá vendo, seu juiz, ele nem sabe o nome do porquinho!” – disse Vanessa.

Os pais de Vanessa passaram as mãos na cabeça. O advogado do sujeito o disse para que ele ficasse calado. O juiz bateu o martelo e tornou a pedir ordem.

“Quem você quer chamar como testemunha?” – o juiz perguntou à menina.

“Protesto!” – bradou o advogado do sujeito.

“Protesto negado” – respondeu rispidamente o juiz – “Vai, menina, chama logo essa testemunha e vamos acabar logo com isso!”.

“Eu chamo o porquinho Chico!” – disse Vanessa.

“O porco?” – admirou-se o escrivão.

O policial ficou tentando levar o porco puxando a corda.

“Chico!” – Vanessa chamou o porquinho.

O porquinho Chico foi correndo, e se esfregou nas pernas da menina.
Quando essa lhe fez carinho, ele se virou, deitando-se de costas para receber carinho na barriga. Depois se levantou e corria alegre em torno de Vanessa.

O Juiz bateu novamente o martelo e disse:

“É obvio que esse porco é dessa garotinha faladora! E está decidido que o porco é da menina!”

O sujeito e seu advogado ficaram muito bravos! Os pais de Vanessa e o padre festejavam a vitória.

Mas Vanessa estava muito triste.

“O que houve, filha?” – perguntou a mãe – “Nós ganhamos!”

“Mas ocês querem assar o Chico! De que adianta?” – a menina respondeu muito triste.

“Foi por isso que ela e a amiga foram à igreja com o porco! Queriam que eu escondesse o bicho lá na paróquia!” – disse o padre Francisco.

Os pais olharam para menina, que agora, abraça o porco com carinho.

“Filha” – chamou a mãe. Vanessa olhou. – “É causo você ouviu que a gente ia assar o porco... quero dizer: o Chico para a ceia, não é?” – perguntou a mãe.

“É!”.

A mãe fez cara de pensando. – “Então, a gente não assa! Ocê pode ficar com seu porco... o Chico!” – disse a mãe.

“Sério? De verdade, verdadeira? Posso ficar com o Chico?”

“Pode sim!” ^^


E caso encerrado!


Ou melhor... Fim! Que todo mundo entende!


...beijinhos***


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O Caso do Porquinho Chico - cap 5



Penúltimo Capítulo


“É sobre o Chico... quero dizer! Sobre o porco!” – disse o padre.

“O porco?” – admirou-se a mãe de Vanessa.

“Sim, vocês teem um porco, que as meninas chamam de Chico, não é?”

“Temos, mas ele desapareceu!” – respondeu o pai de Vanessa.

“Então eu estava certo! A Vanessa e a Valéria foram à Igreja com ele hoje de manhã. E agora a pouco vi um porco igualzinho. Se for o mesmo, o sujeito está com o porco tentando vender lá perto da igreja!”.

“Então ele pegou o porco aqui?” – perguntou o pai de Vanessa.

“Vanessa, o que ocê e a Valéria estavam fazendo com o porco na igreja? Vocês faltaram à aula?” – perguntou a mãe de Vanessa.

Vanessa não respondeu.

“Acho que eu entendo a menina, mas agora o melhor é irmos lá onde o homem está com o porco!” – disse o padre.

Vanessa e os pais, acompanhados pelo padre, foram ao local onde o homem oferecia o porco.

“É esse malvado aí mesmo! Ele mentiu pra gente que iria cuidar do Chico e colocou ele nessa jaula!” – disse brava Vanessa.

“Esse porco é nosso!” – disse a mãe de Vanessa.

“Pois o porco é meu! Por acaso pode provar o contrário?” – respondeu o sujeito.

“O padre está de prova! Ele conhece o porco!” – disse o pai de Vanessa.

“Se vocês pagarem o preço podem levar ele!” – disse o sujeito!

“Pois não vamos pagar por um porco que é nosso mesmo!” – disse a mãe de Vanessa.

“Meu filho, por que não devolve o porco?” – perguntou o padre.


O Tumulto atraiu a atenção do guarda que estava próximo.


“O que está havendo aqui?” – quis saber o policial.

“Senhor, essas pessoas estão querendo roubar-me o porco!”

=O “Ah! É mentira, seu guarda! Ele que roubou o meu Chico!” – disse Vanessa indignada.

“Roubou o que?” – perguntou o guarda.

“O Chico... quero dizer! O porco é da menina, policial!” – disse o padre.

“Pois eu digo que o porco é meu!” – disse o sujeito.

O guarda coçou a cabeça e disse:

“Eu nunca deixaria de acreditar na palavra do vigário! Mas não sei o que eu posso fazer! Bem acho que vamos ter que ir ao juiz lá na cidade!” – disse o policial.


Continua...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Caso do Porquinho Chico - cap 4



Capítulo Quatro


As duas amigas voltaram até a casa do sujeito que havia aceitado “esconder” o porco Chico. Mas ninguém atendia à campainha.

Ára! Temos que ver o Chico, ver como ele tá!” – disse Vanessa.

“Mas o moço não atende! E o muro não deixa ver!” – respondeu Valéria.

“Faz ‘pé-pé’ pra mim, que eu olho por cima do muro!” – disse Vanessa.

Valéria juntou as mãos entrelaçando os dedos, fazendo um apoio para Vanessa subir.

Vanessa, usando o ‘pé-pé’, se esticou toda para ver do outro lado do muro.

“Valéria! =|” – exclamou Vanessa.

“O que foi?”

“O Chico! Ele tá sem banho! E tá preso! Tá com carinha de triste! O moço colocou ele numa jaula pequenininha!” – disse Vanessa..

Ocê consegue pular?”

“Não”.

“Tão desce que minha mão tá doendo já”.

“Ele enganou a gente, Valéria! Ele não tá cuidando bem do Chico!”.

“Vamos pedir o Chico de volta!” – disse Valéria.


Elas ficaram esperando o sujeito aparecer. Até que o portão da casa abriu e uma caminhonete saiu de lá.


“Vanessa, olha!” – Valéria gritou apontando.

“É o Chico! Ele colocou a jaula com o Chico na carroceria daquela caminhonete!”


Elas correram até o sujeito que desceu para fechar o portão.


“Ei, moço! Devolve o porquinho Chico!” – disse Vanessa.

“Não conheço ocês! E o que estão fazendo que não estão na escola? Desapareçam!” – respondeu o sujeito, entrando na caminhonete e dando a partida.

“Pra onde ele vai levar o Chico?” – disse Vanessa desolada.

“Será que é pra fazenda onde gostam dos porquinhos?” – disse Valéria.

Ára! Deixa de ser pastel! Ele é malvado! Ele mentiu! Não existe essa fazenda! Temos que ir atrás e pegar o Chico!”

Elas tentaram correr atrás da caminhonete até que a perderam de vista em meio à nuvem de poeira que ela deixava pra trás na estrada de terra.


“Valéria, Ele levou meu porquinho” – disse Vanessa triste.  =(


Elas voltaram cabisbaixas para suas casas.

Quando Vanessa chegou a casa seus pais haviam voltado da roça para o almoço.
Vanessa chegou com cara de ter chorado e toda suja da poeira da estrada.


“Vanessa, o que houve?” – perguntou a mãe.

“Nada”.

“Olha o estado de sujeira que ocê tá! E por que essa cara de quem chorou? O que aconteceu? Foi algo na escola?”


O pai de Vanessa nessa hora deu falta do porco:


“Onde tá o porco?” – o pai perguntou.

“Roubaram o Chico!” – Vanessa respondeu com voz chorosa.


Bateram à porta e a mãe de Vanessa foi atender.


Uai, quem será?” – disse a mãe de Vanessa – “Vou ver quem é, mas ocê ainda vai ter que explicar o porquê dessa cara e dessa sujeira, Vanessa”.

 – “Boa tarde, Dona Vaninha!” – disse o homem que batera à porta.

“Padre Francisco?” – A mãe de Vanessa se admirou do padre ir à sua casa.

“Não esperava! Não repare na bagunça! O sinhô está servido para o almoço? O que o traz aqui, padre?” – perguntou a mãe de Vanessa.


Continua...