quinta-feira, 4 de abril de 2013

"Meu Velho"


Final de semana passado, em casa, já deitada e bem aconchegada, pronta para dormir percebo um senhor se aproximar da porta do quarto. Ele me observa com carinho e zelo por alguns instantes, e sai à passos leves. É um “velho conhecido meu”, o mesmo que quando cheguei em casa, depois de mais uma semana no campus, me recebera com um gostoso abraço. Sorri ao ver que ainda repete a mesma “espiadinha”. Imaginei quantas vezes foi uma espiadinha zelosa dessas, e me ver ali deitada dormindo, algumas vezes com um ursinho ao lado, que lhe deu animo para sair para mais um dos muitos plantões noturnos de seu trabalho. Lembrei-me de que, naquele mesmo quarto, quando dormir lá sozinha na cama ainda era uma novidade, ele se sentava ao pé da cama prometendo ficar até que eu pegasse no sono.
Conhecendo bem este senhor, como conheço, imagino como foi difícil para ele “ser a figura severa” no cumprimento da tarefa de me educar e preparar para a vida, o que, na verdade, foram bem poucas vezes. Não que as “bagunças” tenham sido poucas e sim porque este senhor é “manteiga”.  Também conhecendo bem esse senhor, pensei nas vezes em que, certamente, sentiu ciúmes do meu carinho por meu tio Beto.
Pensei como foi para ele aturar uma adolescente! Imaginei como foi para ele reconhecer os primeiros sinais de que “sua menininha” estava crescendo. Já não precisando dele à beira da cama para dormir ou não se interessando em “ajudar” a lavar o carro, vestindo biquininho e brincando com a água... Como deve ter sido para ele deixar de ser “meu super-herói” e passar a ser “velho” (mas com funções de chofer, caixa-forte...), perdendo para grupos de amigos a sua condição de prioridade para mim. Mas se estava destituído do posto de primazia, eu ao contrário não perdia o posto. Ele sempre esteve e está lá para qualquer solicitação, para qualquer necessidade... Imaginei quantas vezes esperou por longo tempo que, em meio a tantas atividades com a turma, eu encontrasse um momento para, como quando pequena, sentar junto a ele para assistir a algo na TV, em especial a jogos de futebol. (É, sem meninos, sempre se esforçou em cultivar em mim o ser torcedora)
Imaginei como foram os ciúmes, agora não mais de mim com seu irmão, mas ‘pior’ das minhas primeiras paquerinhas e namoradinhos... Imaginei o tamanho da sua vontade de me superproteger... Sua preocupação em todas as vezes em que eu não estava (e continua ainda quando não estou) ali deitada para ser espiada e sim nas baladinhas com as amigas (e pior podendo haver “gaviões” me rondando)...
Imaginei como é para ele me olhar e ver uma jovem mulher, isso é, se é que para ele eu já tenha deixado de ser “sua menininha”! Bem, já sobre deixar de vê-lo como “‘super-herói’, rebaixando-o a ‘velho’”, já não é “um velho”, é “meu velho” e com certeza um herói, não infalível como o “super-homem”, mas um herói humano com seus erros e acertos, mas que invariavelmente se esforça muito pelo melhor para “sua menina” e é o dono do abraço com beijo de barba espetando mais gostoso do mundo, um abraço que termina não com o fim de sua vontade de permanecer abraçado, mas com a timidez e é seguido do olhar amoroso que dispensa a necessidade da frase “como estou feliz por você estar aqui”!
E por tudo isso, e muito mais, é que é tão bom poder estar aqui hoje para lhe dar um longo abraço e dizer “Feliz aniversário, Papai!” (para os demais “Dr. Olavo”)

...beijinhos***

quinta-feira, 28 de março de 2013

Histórias de Terror Assustador que dão Medo




Eu não criei a história a seguir, ela me foi relatada.

Em meados da década de 1960, em um bairro da zona oeste do Rio de Janeiro, distante da região central da cidade: Um homem aflito, pálido de medo visivelmente em pânico, e exausto de uma corrida em disparada chega à localidade onde morava. Seus amigos lhe perguntam o que acontecera. Sua história é estranha demais para ser verdade, mas seu estado atestava de que não estava mentindo. Ele conta sua história.
   
Trabalhara, como fazia quase todas as noites, em seu ofício de garçom até tarde em um bairro vizinho, região de praias que contava com certa vida boemia. Terminado seu serviço ele se arrumou para voltar para casa e como sempre fazia apanhou sua bicicleta. Tudo dentro da rotina, uma noite como outra qualquer.
Naquela época o transporte coletivo na região parava pouco depois das dez da noite, deixando assim apenas a bicicleta como alternativa de locomoção após o horário.
Ele pedalou, como sempre, cerca de um quilometro e meio até o trecho deserto do caminho, onde não se via viva alma. Até que no meio daquela estrada ele vê uma moça loira fazendo-lhe sinal para que parasse. Ela diz que está indo para o bairro, comenta sobre a precariedade de locomoção do horário e seu temor em andar por ali sozinha àquelas horas. Ele a diz para subir na garupa da bicicleta, o porta-volume trasseiro. Ele seguiu pedalando levando a moça como sua passageira até que depois de certo tempo ele estranha, pois deixou de sentir o peso duplo, sentindo ficar muito mais leve. Estranhando a falta do peso extra de sua passageira ele olha para trás. Só que ao invés da moça há um esqueleto sentado na garupa. Tomado de pavor ele sai da bicicleta jogando-a com o esqueleto para o lado da estrada e partindo em disparada sem olhar para trás.
No dia seguinte acompanhado dos amigos ele volta ao ponto da estrada e encontram apenas a bicicleta jogada no mato.

O mais estranho é que não era um caso isolado. Muitos rapazes que faziam aquele trajeto de bicicleta relatavam história idêntica, garantindo veracidade. A moça que pedia carona para depois desaparecer dando lugar ao esqueleto era conhecida apenas como “a loira”

...beijinhos***

segunda-feira, 4 de março de 2013

Gracilda (Borboleta - final)


Depois de nos prepararmos para um novo passeio, vovó tomou-me pela mão e saiu comigo pela chácara. Disse-me que poderíamos encontrar lagartas nas folhas, ver casulos e quem sabe, até encontrar a Gracilda! Não demorou e encontramos as lagartas. Era engraçado como o bicho mexia o corpinho!
“Essas lagartas são diferentes da Gracilda, não usam roupa de tigrinho, como na gravura que papai me mostrou” comentei e vovó achou graça da roupa de tigrinho. “Sabe, vovó, a Gracilda é a rainha das borboletas! Ou monarca, como diz o papai” comentei. “Ah, então deve ser por isso que você não conseguiu encontrar a Gracilda! As rainhas são muito importantes e teem muitas coisas para resolverem, ela deve estar muito ocupada!” disse a vovó. “É verdade!” respondi, parecia lógico que uma rainha fosse muito ocupada!
“E os casulos só ficam aí parados?” perguntei. “Lá dentro tem uma lagarta se transformando em borboleta, em uns dias ou um mês ela sai de lá!” respondeu.
Mas o que uma borboleta teria para fazer além de voar que ocupava tanto o tempo da Gracilda? “Mas, vovó, o que além de voar uma borboleta tem pra fazer?” perguntei. “Muita coisa, Aline! As borboletas são importantes agentes polinizadores!” respondeu a vovó. “Agente? De espionagem? Poliniza... como disse?” perguntei. “Não!” respondeu a vovó que tornou a se divertir, e continuou a explicar “As borboletas ajudam as flores a se reproduzirem! Isso que faz um agente polinizador! Sem as borboletas muitas flores e plantam não nasceriam e as consequências disso atingiriam até os bichinhos!”. Admirei-me com isso. “Vovó, por que as borboletas não vivem pra sempre, como as fadas?” perguntei. “E quem disse que as fadas vivem pra sempre? Lembra da história que te contei que cada flor tem uma fada? Quando a flor morre a fada também morre!” respondeu a vovó.
“Nuss! Primeiro as borboletas e agora as fadas? Isso tudo é muito triste, vó! E depois de um mês no casulo viver só duas semanas? Seria melhor continuar sendo lagarta!” comentei. “Não, Aline! A lagarta só vive ali, na planta, só conhece aquele pedacinho, enquanto a borboleta voa, e borboletas monarcas como a Gracilda voam até mais que dois mil quilômetros! Não seria incrível voar?” “Nuss, Acho que nunca viajei mais que dois mil quilômetros!” comentei. “E se a Gracilda voou dois mil quilômetros? Não teria mesmo como eu a encontrar com a bicicleta!” disse e fiquei triste. Mas vovó me tornou a animar dizendo “Não fique triste, Aline! Acho que ela gosta dessa chácara tanto quanto a gente e tenho quase certeza de que está por aqui!” Voltei a acreditar que a Gracilda estava na chácara e a vovó continuou: “E as lagartas não teem filhinhas, só depois que viram borboletas! As borboletas procuram com muito cuidado um lugar para seus ovos, levando de alguns dias até um mês, se não encontram logo uma boa folha! Quando você viu a Gracilda ela não posou numa folha? Vai ver estava colocando os ovos dela! E se colocou os ovos com você ali é sinal de que ela gostou muito de você e confiou em você!”. Vovó sabia mesmo tudo sobre as borboletas! Fiquei feliz porque a Gracilda também gostou de mim. “Filhinhas da Gracilda? E quantos ovos as borboletas colocam?” perguntei. “Uma monarca? Ih! Provavelmente entre trezentos e quatrocentos” respondeu.
“Ai, vovó! Como vou conseguir pensar nome pra tanta lagarta quando nascerem?!”


...beijinhos***

sábado, 2 de março de 2013

Gracilda (Borboleta - parte III)


Nos dias seguintes aquilo não me saía da cabeça! Pelo que mamãe falou das lagartas, elas viviam um longo tempo antes de serem borboletas. Mas depois de tanto tempo sendo lagarta e tanto tempo dentro de um casulo só duas semanas vivendo? Logo agora que eram lindas e voavam suas vidas estavam perto de acabar? Menos a Gracilda, afinal ela era uma borboleta rainha, digo, monarca, e vivia nove meses. Ainda assim muito pouco!
De todo modo, eu ficava pensando aquilo comigo mesma e deixei de falar sobre a Gracilda com meus pais no restante da semana.
Até que chegou o outro domingo, e, como de costume, fomos visitar a vovó.
Acho que papai e mamãe pensavam que eu já tinha me esquecido da Gracilda e não imaginaram que eu iria pra longe do pedaço ao redor da casa da chácara onde eu costumava andar com minha bicicletinha.
Eu não sabia há quanto tempo Gracilda já havia se transformado em borboleta e por consequência, quanto tempo mais ela viveria! A chácara era grande demais e o dia curto! Com a bicicleta eu conseguiria procurar mais rápido por Gracilda. E se eu perdesse a oportunidade desse domingo, uma semana a mais poderia ser mais do que a Gracilda viveria! Então saí pedalando pela chácara.
Os caminhos eram acidentados demais para mim tão pequenina com meus cerca de sete anos de idade. Foi uma longa busca, tive dificuldades com a bicicletinha em muitas partes. E nada da Gracilda! Ah, se pelo menos fosse como nas histórias onde outros bichinhos e até árvores falam, algum deles haveria de ter visto a Gracilda! Depois de muito procurar sem conseguir encontrar a borboleta eu voltei frustrada, cheia de poeira e com os calçados bem sujos.
Chegando à casa os adultos estavam com cara de zangados e certamente me dariam uma grande bronca por ter me afastado do redor da casa com a bicicleta e “sumido” pela chácara e isso seguido de um discurso sobre o quanto ficaram preocupados, o quanto me procuraram e o perigo de eu ter me machucado. Mas não o fizeram porque vovó tomando a frente, como fazem as avós, que sempre aliviam os netos, e certamente percebendo minha tristeza e frustração, quis saber por que eu fui para longe com a bicicleta.
“É a Gracilda, vó! Eu preciso encontrá-la enquanto está viva!” respondi.
“Quem é essa Gracilda, de quem não estou sabendo nada ainda?” quis saber a vovó. E contei-lhe tudo sobre a borboleta monarca.


Continua...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Gracilda (Borboleta - parte II)



Assim eu teria uma das minhas primeiras lições sobre perda.
Saber que as borboletas só viviam por uma semana chocava-me profundamente. Uma semana era tão pouquinho! Só o tempo entre um fim de semana na casa da vovó e outro! Eu já tinha vivido tantas semanas e ainda viveria tantas outras! Tornar-me adulta era algo tão distante!
Triste no carro, enquanto a chácara da vovó e Gracilda ficavam para trás, eu pensava sobre a curta vida das borboletas. “Mamãe, não é justo!” desabafei no carro.
“O que não é justo, Aline?” perguntou mamãe.
“Que as borboletas vivam só por uma semana! É muito pouco! Quer dizer que se a Gracilda nasceu hoje, no domingo que vem ela morre?”
Acho que então mamãe se deu conta da minha tristeza por Gracilda. E procurou me consolar. “Não, Aline! Elas não nascem sendo já borboletas! Antes de se tornarem borboletas elas já viveram bastante tempo sendo lagartas.”
“Lagarta?” admirei-me. Eu achava que já tinha visto lagartas. Eram tão diferentes das borboletas! Lagartas eram feias e bizarras e as borboletas eram lindas e elegantes! Como uma lagarta poderia se transformar em borboleta?
“Como a lagarta vira borboleta, mamãe?” minha curiosidade cientifica de criança agora estava aguçada.
“A lagarta depois de viver muito tempo nas folhas faz um casulo, uma coisinha assim, onde ela fica um tempão e depois sai de lá como borboleta”
   
Papai, que havia escutado quieto a toda a conversa sobre a borboleta Gracilda, apareceu no meu quarto com uma enciclopédia nas mãos, em um dia no meio daquela semana que seguiu. Papai certamente se sensibilizou percebendo que eu andava triste pela borboleta. E eu estava. Gracilda se ainda estivesse viva não tinha muito mais tempo de vida e até que eu pudesse voltar à chácara ela já teria morrido!
Papai me mostrou a gravura de uma borboleta perguntando “A Gracilda era igual a essa aqui?”. Parecia a Gracilda!
“Aline, a Gracilda pode ser uma borboleta monarca! E elas vivem nove meses! Já as outras borboletas, sua mãe se enganou, vivem a maioria por duas semanas. Olha! Essa aqui é a lagarta da borboleta monarca!” disse e mostrou-me outra gravura, essa da lagarta da borboleta monarca.
Eram grandes novidades! A vida da Gracilda era, em comparação, bem maior, eu poderia reencontrá-la! A lagarta nem era tão feia, parecia usar uma roupa de tigrinho, parecida com as roupas da minha mãe. “Nossa! A Gracilda já foi desse jeito!” pensei. E era uma monarca, e monarcas eu sabia que eram rainhas, pois vovó já havia me contado histórias de reis e rainhas!
“Monarca? Não é aquilo de rainha?” perguntei
“Sim”.
Gracilda era uma borboleta rainha! Como ela era importante!


Continua...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Gracilda (Borboleta - parte I)


Você se lembra de ver uma borboleta quando criança e ter se encantado com ela?
Eu me lembro bem de uma borboleta em especial que vi quando eu era criança. Talvez não tenha sido a primeira borboleta que vi, mas é a primeira que me lembro de ter visto bem de pertinho. Eu estava na chácara de minha avó. Gostava de andar sozinha pela chácara e estar naquele espaço cheio de verde, árvores e flores. Certa vez, com coisa de sete anos, eu tinha saído para passear pela chácara e parado em algum ponto do meu passeio, ficando por ali deitada na grama. Até que avistei uma linda borboleta de asas grandes e coloridas voando graciosamente como voam as borboletas. Voou pertinho de mim, posou numa folha próxima e ficou parada ali, mexendo só de vez em quando suas asas. Com medo de espantá-la fiquei sem me mexer observando-a, vendo as lindas cores das asas e aquelas anteninhas compridas! Espichei-me um pouquinho com todo cuidado para não assustá-la e poder vê-la um pouquinho mais de perto. Até que de súbito ela saiu rápido da folha, deu algumas voltas voando ao meu redor, escapando-me da vista nessas voltas agitadas, até que voou rápido e partiu para longe, desaparecendo completamente. Como eu gostei de ter visto aquela borboleta! Fiquei apaixonada pelo pequeno ser.
De volta à casa da chácara contei sobre a borboleta que vi! No caminho retornando à casa fui pensando um nome para a borboleta. Ana? Gracilda? Deise? Talvez o nome de alguma fada das histórias que minha avó me contava, Branwen? Áurea? Laura?
“Gracilda!” Esse nome combinava definitivamente com ela!
Mas quando contei sobre Gracilda à mamãe ela primeiro perguntou, em tom de correção “Gracinda?”. “Não! É Gracilda!” respondi. Então falei à mamãe sobre tornar a ver a Gracilda no final de semana seguinte, quando retornaríamos à casa da vovó. Eu imaginava poder reencontrá-la para sempre voando pela chácara.
“Aline, final de semana que vem ela não vai estar mais viva, as borboletas vivem só uma semana” assim, sem cerimônia, talvez sem consciência da importância que aquilo tinha naquele momento, que mamãe me deu a tão triste notícia sobre a Gracilda.
Não faltava muito para a hora de voltarmos para nossa casa. Não havia tempo de reencontrar a Gracilda. Mamãe já me aprontava, arrumando meu cabelo e minhas roupas, para retornarmos ao Rio de Janeiro. Eu não veria a Gracilda novamente. Teria para sempre apenas a lembrança daquele único encontro.


Continua...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Cachinhos Dourados (moderna)


Em um dos finais de semana desse mês que está acabando, minha amiga Ditte foi lá em casa, levando com ela uma priminha dela, de seus cinco anos! E eu sou muito babona de criança! *---*
Enfim resolvi contar uma historinha para a garotinha!
E vou confessar que eu adoraria ter criatividade para histórias infantis!
De qualquer modo resolvi narrar um clássico.
Clássicos não falham né? Ou falham?

“Vou te contar a história da Cachinhos Dourados!”

“E por que esse nome? Quero dizer apelido, né? porque ninguém chama assim, o nome dela deve ser Ana, Mariana, Juliana... Qual o nome dela, tia?”

“Tá, não sei o nome! Só o apelido!”

“Não sabe o nome? Acho que você tá inventando essa história!”

“Não estou! O nome não é importante certo? Só o apelido ‘Cachinhos Dourados’. É Cachinhos Dourados porque ela é loirinha e tem o cabelo cheio de cachinhos!!!”

“Mas o cabelo dela é cacheado mesmo? Não é permanente ou aplique? E é loira natural?”

"É loira natural sim e os cachinhos também naturais!
”

“Ah! Não será pintado? Eu bem queria pintar o meu!”


Como assim? Pintar o cabelo com cinco anos?

“Bem, pois o dela era loiro, eu também tinha cabelo loirinho quando era pequena... não tinha cachinhos! Sempre tive cabelo muito liso! Tem vez que a tia passa o um dia inteiro tentando fazer cachos no cabelo! Aí acho lindo! Fico toda boba com os cachos! Mas a tia mal sai de casa e cadê que os cachos ficam? Mal passou uma hora voltei a ter cabelo liso xD... ih! Tá! (divaguei legal) Deixa-me contar a história!
É assim:
Tinha uma família de Ursos! O Papai Urso, a Mamãe Ursa e o Filhinho Urso!”

“Ah! Essa história não tá com cara de real!”

“Por que?”


“O Filhinho Urso morava com os dois pais? Ah! Ninguém mora com os dois pais! O Papai Urso deveria ir ver só nos finais de semana! Sabe, lá na escola na minha sala só uma menina mora com os dois pais! A Má! Ela é muito estranha!”

“Má? Ela é má?”

“Não, tia! Derr! O nome dela é Manuela, mas é muito grande aí o apelido!!!”

“Pois bem, mas os Pais Ursos não eram separados! Tem muitos pais separados, mas tem casais que ficam juntos até bem velhinhos! A tia, por exemplo! Meus pais ainda são casados!”


Percebi que ela começou a me achar tão estranha quanto a Má, a Manuela.

“Bem, A Cachinhos Dourados fugiu de casa, saindo sem avisar, para passear na Floresta! Ela andou e andou pela Floresta até que encontrou a casa dos Ursos, que haviam feito mingau. Mas como o mingau estava muito quente eles saíram para dar uma volta enquanto esfriava. E quando a Cachinhos chegou eles não estavam em casa.
Então a Cachinhos Dourados percebeu que a porta estava apenas encostada! E entrou na casa encontrando os pratos de mingau dos três ursos.
O mingau que estava na parte da mesa mais próxima ao fogão estava ainda bem quente, o que estava próximo à janela, que estava aberta, estava frio e o outro que estava do outro lado da mesa estava morninho!”

“Tia Aline! Você tá inventando! Isso não pode ser verdade! Quem vai sair de casa deixando porta e janela aberta? Com segurança, câmera, e todo tipo coisa já roubam tantas casas! Com tanto ladrão por aí NINGUÉM iria deixar a casa aberta assim!”


“Eles moravam no meio da floresta e só tinha a casa deles!”

“Nusss! Então não tinha luz! Quer dizer, não tinha TV, nem Xbox nem computador!!! Nem Smart phone deve funcionar lá!!! =O”

“É! Não tinha nada disso! E os ursos a mantiveram lá presa e ela teve que crescer sem TV, vídeo-game, Smart phones ou Internet!”


Tá! Acho que exagerei, por que nessa hora ela se apavorou completamente! Minha história havia se tornado mais assustadora do que filme de terror! (Até por que ela não tinha medo de filme de terror, me disse que assistiu ao ‘O Chamado’ com a mãe dela)

“Nussss, Tia Aline! D= Nunca vou fugir de casa, sair sem avisar ou entrar na casa de gente estranha!!!!”

Er... Acho que no fim a moral da história se manteve! Os Clássicos não falham!



...beijinhos***