quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Te Wairoa - cap 1


A história de “Te Wairoa” trata de um grande evento da história neozelandesa.
Em “Te Wairoa” relato uma incrível tragédia histórica, mas me permitindo misturar realidade e ficção.
Escrevi a minha “novela”, entre aspas, onde há com certeza erros cronológicos, fruto de algumas informações que não pude obter – como, por exemplo, a data da chegada de Edwin Bainbridge à vila de Te Wairoa. Há um personagem fictício – “Tama”, convivendo com personagens históricos. Há traços de personalidade que eu atribuo a personagens históricos: a ambição de McRae, a arrogância de Dr. Ralph etc. Há diálogos e histórias, retiradas de artigos sobre cultura maori, inseridas nas falas dos personagens...

Espero que você aprecie a história que ofereço para leitura!
Foram muitas pesquisas em sites – especialmente sites da Nova Zelândia, que usei para criar o cenário da “novela”.

“Te Wairoa” é um relato trágico e mágico! 
Um antigo demônio é libertado de sua prisão por um feiticeiro para punir os pecados de sua tribo!


Capítulo Um


Ano de 1886

“Como foi a visita aos Terraços, Srtª Smith?” – perguntou à jovem turista inglesa, o Senhor Joseph McRae, dono do Hotel Rotomahana em Te Wairoa.

“Di-vi-naaaa! São, de fato, como dizem, a oitava maravilha do mundo! Foi muitíssimo agradável me banhar em suas piscinas de águas mornas! Os Terraços branco e rosa são uma obra-prima esculpida por Deus!” – disse entusiasmada. E, após uma pausa, continuou com ar esnobe: “Só não entendo por que Deus foi criar obra tão maravilhosa aqui nesse fim de mundo neozelandês” – disse isso sem se preocupar, pois, sabia que McRae, era, assim como ela, europeu.

Tama, um maori nativo de Te Wairoa e funcionário de McRae, observava a conversa. Compreendia com dificuldade o idioma inglês, mas compreendeu muito bem a atitude da turista.

Após comentar sobre sua partida no dia seguinte “daquele fim de mundo”, que era como ela se referia à Ilha Norte da Nova Zelândia, a turista inglesa subiu para seu quarto.

Tama aproximou-se então do patrão e comentou:

“Não gosto da arrogância desses turistas, Mr. McRae”. – o único funcionário do hotel tinha intimidade e total liberdade de conversar com o patrão.

McRae, no entanto, não dava tanta importância à arrogância dos turistas. E comentou com seu empregado – “Essas pessoas veem para cá, dispostos a pagar um valor elevado para visitar os Terraços” – “Sabe, Tama, Te Wairoa tem um grande futuro! E vem do turismo! Guarde o que estou te falando! A visita que aqui fez o Duque de Edimburgo evidenciou muito nossa região! Essa minha espelunca daqui alguns anos será um grande e luxuoso hotel! E a renda anual de cada morador da nossa aldeia? Não aumentou muito? Chegará logo a 4 mil libras!”

“O tohunga Tuhoto Ariki não gosta da forma como nossa terra tem recebido esses turistas. Ele diz que não se respeita aos ancestrais” – respondeu Tama.

“Ariki é um velho bruxo rabugento! Não é de se admirar também com a idade que tem! Quantos anos mesmo dizem que ele tem?” – disse McRae.

“Ele tem cento e quatro anos. Nossa gente respeita muito aos anciões”. – respondeu o funcionário.

“Não quero ofender aos costumes, você sabe o quanto admiro o seu povo e sou respeitado pelos maoris! Eu mesmo não escolhi deixar a Escócia para viver aqui em Te Wairoa? Aqui vivo feliz aqui com minha esposa e seis filhas e não deixaria Te Wairoa por nenhum outro lugar do mundo! Mas Ariki pensa que o mundo ideal é o mundo em que ele vivia no século passado! Os velhos são assim mesmo! Tama, devemos pensar pra frente! Nesses próximos dias está pra chegar um rapaz, um jovem jornalista” – McRae apanhou uma caderneta e ajeitou os óculos para ler o nome – “Edwin Bainbridge! Escreverá para um jornal de Londres! Acredite em mim, Tama, no próximo século, ou até depois, alguém há de contar a história do Hotel Rotomahana! Até do outro lado do mundo!” – disse o patrão.

McRae não era o único em Te Wairoa que esperava visitantes, Charlez Haszard, diretor da escola local esperava nos próximos dias dois inspetores de visita, J.C. Blythe e Harry Lundius.


Continua...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Histórias de Arrepiar


A seguinte história me foi relatada por um senhor que afirma tê-la testemunhado.



Espírito Queria Levar a Bisneta


Uma jovem vivia com o marido e os pais em uma casinha simples na zona rural
Mas desde que a jovem deu à luz sua primeira filhinha, coisas estranhas começaram a acontecer na local.

A princípio fatos que acabavam sendo creditados às desatenções ou lapsos, como quando a jovem estava preparando comida e uma panela com água que ela tinha certeza de que havia deixando esquentando no fogão não estava lá. Ou coisas até engraçadas, como quando um pedreiro conhecido da família foi consertar algumas telhas, e toda vez que ele estava sobre a casa a escada caía e ele tinha que chamar para conseguir descer.

Mas as coisas começaram a se tornar bem mais tensas. Objetos se moviam sem ninguém mexer neles e pedras caíam no telhado sem que se encontrasse quem as tivesse atirado. Começaram a ouvir com frequência socos nas paredes, e portas e janelas fechadas eram chacoalhadas com força, sem haver ninguém visível fazendo isso.

A situação piorou e panelas pesadas e facas começaram a “voar” perigosamente na direção dos habitantes da casa.

A família, então, passou a ouvir um assobio vindo do quarto, que antes pertencera ao falecido avó da jovem mãe. Assobiava como alguém chamando. Passaram a manter este quarto vazio, uma vez que ninguém conseguia mais ficar nele.

Certo dia, quando os assobios eram ouvidos, a mãe da jovem, à porta do quarto, sendo assistida por todos da casa, perguntou quem estava ali.

Ouviram a voz do falecido responder de dentro do quarto.

“Eu que estou aqui, ora!” – reconheceram assombrados a voz do velho.
“Pai? O senhor é quem tem feito essas coisas na casa?”
“Sim”.
“Por que tem feito essas coisas?”
“Eu quero a bebê! Quero minha bisneta comigo! Vou leva-la comigo!”.

Ao ouvir isso a jovem ficou estarrecida, e abraçando firme a filha contra o peito, começou a chorar.

“Pai, o senhor não pode fazer o que tem feito!”.
“Pois eu quero é ver quem é que vai me fazer parar!”

A situação piorou muito na casa desde então! Panelas, facas, garrafas e toda sorte de objetos acertavam os habitantes da residência ferindo-os, muitas vezes gravemente. Quando isso acontecia ouviam o riso do velho falecido.

A família passou a amarrar objetos perigosos e a encaixotá-los, mesmo assim as coisas continuavam se desprendendo e voando.

Na região havia uma mulher baixinha espírita, conhecida por “mexer com essas coisas”.  A família chamou essa mulher para tentar resolver o caso. Mas assim que ela tentou entrar na casa uma panela pesada voou em sua direção, acertando forte sua testa. Com a cabeça sangrando, ela disse que não poderia ajudar.

A família chamou o padre da localidade. Quando este chegou à frente da casa, o espírito do velho foi ouvido. Ele riu e disse:

“Primeiro aquela mulherzinha pequena e agora um padre? Vocês acham que eu tenho medo de homem que usa saia?”

O padre benzeu a entrada da casa e entrou. Assim que colocou os pés dentro da casa uma garrafa voou certeira em direção à cabeça do sacerdote. Mas ele habilmente a agarrou no ar. Outros objetos voaram em sua direção, e o padre tentou se defender usando uma panela como escudo. Porém eram tantos objetos que ele acabou correndo para fora. O padre se voltou para a família e disse – “Não tem jeito”, deixando apressadamente o local.

O espírito do velho riu e caçoou da família.

Foi procurado, então, um senhor de nome Cesário, de uma cidade vizinha, conhecido por lidar a muitos anos com espiritismo.

Quando ele chegou, encontrou a família e vários vizinhos do lado de fora da casa à sua espera. Todos os fatos anteriores foram-lhe relatados. O homem orientou os presentes a darem as mãos, formando um círculo em torno da casa e que rezassem ‘pai-nossos’ e ‘ave-marias’, enquanto ele entraria para lidar com o espírito.

Cesário entrou na casa, sendo atacado por objetos voadores – uma faca quase o acertou, passando muito próximo ao seu pescoço.

“O que quer você?” – perguntou o espírito.
“Ouça, você não pode continuar o que vem fazendo”. – disse Cesário
“Pois eu vou continuar até que me entreguem a menina!”
“Não, você não vai. Você está aqui, preso a este local por ter sido mau em sua vida, sem ter alcançado salvação. E não vai levar consigo”.
“Pois eu quero ver quem é o homem que vai me impedir!”

Cesário invocou Santo Agostinho, e solicitou ao santo que acorrentasse o espírito do velho.

Todos os que estavam do lado de fora da casa ouviram sons de correntes.

Preso, o espírito do velho disse:

“Eu pensava que não havia um homem que fosse mais do que outro homem, mas vejo que estava enganado”.

Cesário saiu da casa e disse à família:

“Eu consegui prendê-lo, mas não sei dizer por quanto tempo! Ouçam, o melhor é vocês tomarem seus pertences e deixarem para sempre este local”.

E assim a família fez, indo viver longe da antiga casa, e seguirem suas vidas em paz.

A casa nunca foi vendida, e posteriormente veio a ser demolida. Mas até hoje quem quer que se aproxime do terreno é atacado por pedras que são arremessadas, sem que se veja de onde veem.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Trash Tales



Conto inspirado em uma lenda que me foi relatada por Samuel Balbinot.


O Criador de Porcos



Frank McCurdy atirou longe o prato de comida.

– “Que porcaria de comida você me serve!” – esbravejou contra a esposa.

Norma olhava para a comida esparramada pelo chão do casebre.

– “Nem tem uma mistura decente!” – continuava Frank.
– “Frank, você sabe que estamos sem dinheiro para mistura” – a esposa respondeu em tom manso.

Frank ficou ainda mais nervoso, pensou em esbofeteá-la, mas – dessa vez – se conteve.

– “Como podemos ter algum dinheiro, se os malditos porcos não engordam! Sabe há quanto tempo não consigo vender um?” – Frank disse, levantou-se e passou pela comida no chão.
– “Tá esperando o que para limpar essa porcaria?” – esbravejou novamente contra a esposa.

Norma submissamente começou a limpar o chão, enquanto Frank olhava, pela janela, para o chiqueiro.

– “Você pode dar o resto dessa lavagem que você preparou para os porcos! Quem sabe eles engordem com ela!”.

Em um dos raros momentos em que a esposa teve coragem de falar como se sentia, Norma disse, com voz quase sussurrante:

– “Sinto falta que você seja mais carinhoso comigo!”.
– “O que você quer agora, Norma? Que te compre presentes? Você mesma acabou de lembrar que não temos dinheiro sequer para a mistura!”.
– “Poderia apanhar uma flor no campo para mim”.
– “Você quer uma flor do campo, você vai até lá e apanha, oras!” – respondeu ríspido o marido e saiu para ver os porcos.

***

Na noite do dia seguinte Frank reclamava com a esposa sobre os porcos não engordarem. Toda a renda do casal provinha da pequena criação.

– “Frank, acho que devemos rezar a Nosso Senhor, pedindo engorda para a criação. Podemos rezar uma novena” – disse a esposa, muito devota da fé católica.
– “É! Talvez isso ajude! Pode ser mau-olhado dessa gente!” – o marido respondeu, pensando nos lavradores vizinhos, os quais considerava invejosos.

***

Passaram-se alguns dias e os porcos continuavam magros.

***

Encostado à cerca do chiqueiro, Frank olhava para os porcos.

– “Esses malditos porcos estão melhor alimentados do que eu, comendo a miséria de dinheiro que me resta em ração, e não engordam!”.

Lembrou-se da novena, e, metendo a mão no bolso, puxou o crucifixo que a esposa lhe dera. Frank segurou o objeto sagrado diante dos olhos e esbravejou contra a imagem do Cristo:

– “Bela porcaria de deus surdo é você! Meus porcos continuam magros! Você vê os porcos magros? É cego também? Mas o que se pode esperar de um deus morto pregado nessa porcaria de cruz!”.

Blasfemando dessa forma, Frank McCurdy atirou a cruz com a imagem de Cristo na lama do chiqueiro – o crucifixo foi pisoteado, esmagado e enterrado na lama pelos porcos.

***

No dia seguinte pela manhã a esposa comentou:

– “Parece que você está um pouco mais gordinho, seu rosto está mais cheio”.
– “Até parece que eu iria engordar comendo mal como estamos comendo! Talvez se eu comesse a ração dos porcos!” – o marido respondeu com raiva.

***

Mas Frank estava realmente engordando, e muito rapidamente. O que se tornou muito evidente em pouco tempo.
Bem mais gordo, e suando muito, sentado à mesa, Frank ofegante pelo calor, disse à esposa:

– “Estou mesmo ganhando peso! Mas como? Tenho me alimentado mal!”.
– “Talvez devesse ir ao médico, você deve ter algo!”.
– “Médico a léguas daqui! Médicos cobram muito dinheiro! Não temos condição de ver médicos!”.

***
Frank, que não parava de engordar começou a fazer dieta. Mas a dieta em nada ajudava.

***
A cada dia que passava Frank McCurdy estava mais gordo, mais nervoso e mais rude e violento, física e psicologicamente, contra a esposa. Norma evitava dizer qualquer coisa, pois o que fosse que falasse ao marido, resultava em ignorância.

***
A pele de Frank começou a ficar estranha. Esta se tornara mais grossa.
Seu rosto também parecia se desfigurar com o passar dos dias.

***
Desesperado por estar cada dia mais gordo, Frank McCurdy parou de se alimentar. Mas nada alterava sua situação.

***

Certo dia, Frank foi jogar lavagem para os porcos.
Faminto, sem se alimentar por vários dias, Frank olhou para a lavagem no comedouro. Sentiu uma vontade incontrolável de provar aquilo. Entrou na pocilga, se abaixou e, com a mão, apanhou um pouco da lavagem.
Olhava as mãos cheias de lavagem, com muita vontade de levar à boca. Olhou para os lados – não havia ninguém: Provou.
Cedendo completamente à vontade de comer aquilo, meteu a cara no comedouro.

Norma foi procurar pelo marido, encontrando-o com a cara enfiada no comedouro, junto aos porcos. Enojada, levou a mão à boca, sentindo vontade de vomitar, correu de volta para a cozinha.
Frank a viu e a seguiu.
Com a cara toda imunda disse à esposa sobre a vontade incontrolável de provar aquilo.

– “Frank, você precisa do médico!” – disse Norma muito assustada com o aspecto do marido – “Limpa esse rosto, limpa a boca!”– disse em tom quase de súplica.

Frank foi ao banheiro e, depois de lavar o rosto, olhou-se no espelho. Seu nariz estava enorme – redondo demais, empinado.

Quando Frank voltou do banheiro, Norma disse:

– “O seu nariz! O que está acontecendo com você?”.

***

Certa noite, o enorme de gordo Frank, procurou a esposa desejando relação íntima.
Pela primeira vez, Norma negou.
Frank, mais uma vez, a esbofeteou, esbravejou contra ela os seus “direitos de marido”. Subiu sobre ela, com todo seu enorme peso, e obrigou-a a satisfazer seus anseios.
Frank gordo suava demais durante o ato sexual, e fazia ruídos muitos estranhos. Norma chorava debaixo daquele homem repulsivo.
Após o ato o marido teve dificuldades com a respiração, tendo um principio de asfixia.
Depois que se recuperou, deitou-se virado para o outro lado.

***

Norma mal conseguiu dormir aquela noite.
Pela manhã bem cedo se levantou, olhou aquele homem enorme de gordo e suado dormindo.
A esposa, então, fez o que deveria ter feito há muito tempo. Juntou as poucas coisas que tinha e deixou a casa, abandonando Frank.

Frank acordou. Não vendo a esposa deduziu que ela partira. Quis esbravejar algo contra ela, mas a voz não lhe saía da boca, tudo o que fazia era grunhir.
Foi ao banheiro e se olhou no espelho.
Seu nariz estava pior.
Passou a mão pela cabeça e os cabelos caíram – restando apenas poucos fios.
Percebeu que suas orelhas cresceram – estavam grandes e caídas.
Começou a andar em direção à porta da cozinha, quando suas costas doeram tanto, que só conseguia andar muito envergado para frente.
Ao caminhar pelo quintal passou a só conseguir andar de quatro. Assim, seguiu até o chiqueiro, onde se meteu na lama.

***

No dia seguinte Frank McCurdy acordou metamorfoseado em um enorme porco*
(* meu “momento Kafka”)

***

Após alguns dias, Norma resolveu voltar à casa deles. Em lá chegando não encontrou o marido. Andava pela casa pensando sobre todos os fatos das últimas semanas quando ouviu alguém chamando da porteira e foi atender. Era um homem conhecido, que costumava comprar porcos do casal.
Norma levou o homem até o chiqueiro.
O Frank-porco, ainda mantinha a consciência e lembranças de quando fora humano, reconhecendo Norma ao vê-la.
Norma passou alguns instantes fitando os olhos do Frank-porco.
“Ela me reconheceu” – pensou Frank.

– “O seu marido não está?” – perguntou o comprador de porcos.
– “Não, mas podemos tratar sem problemas” – Norma respondeu olhando para Frank-porco.
“Maldita, ela quer se vingar de mim!” – pensou Frank.
– “Como o senhor pode ver, temos um porco muito bom! Como meu marido não está, o senhor o abateria? Sabe abatê-los, não é?”
“Maldita! Maldita!” – pensava Frank.
– “Gostaria de ver abatendo... posso aprender para outra eventualidade quando Frank também não estiver” – disse satisfeita Norma.

Frank McCurdy morreu como um porco.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A Última Noite - cap 7


Noite Maldita 5

Capítulo Último

(Trilha sonora do último capítulo: Into the Nightmare – Demon)

Os sete forasteiros encontravam-se como prisioneiros. Tinham as mãos amarradas às costas e as bocas amordaçadas. Foram horas de muita agonia presos no meio do nada, e sabendo que seriam levados para serem mortos como sacrifício humano em um rito macabro – o qual, até chegarem onde estavam, não teriam acreditado existir.
Se pudessem conversar uns com os outros naquele momento: Aaron confessaria o quanto era apaixonado por Ellen e o quanto sofria ao vê-la com outros rapazes, e Ellen desejaria ter dado uma chance a ele. Joey e Amber também confessariam a atração e interesse mútuo nunca confessado. Bud provavelmente confessaria pela primeira vez que estava com muito medo. Chase falaria à Becky sobre o quanto ele os imaginava com filhos e um casamento feliz. Diante da morte eminente, Becky falaria quanto remorso sentia por estar brigada com sua mãe, o quanto amava seu pai de criação e que sentia tanto ter envolvido o namorado nessa situação!

Depois de algumas horas um grupo de encapuzados foi até o local, e conduziu os forasteiros por uma longa trilha. Os encapuzados iluminavam o caminho com tochas, naquela noite escura. Ao final da trilha chegaram ao alto da Pedra dos Escravos – A Pedra da Maldição, onde séculos atrás os escravos, após uma revolta, assassinaram o feitor Richard Lempke.


No alto da pedra haviam mais encapuzados. Os prisioneiros foram colocados sentados em círculo em torno de uma grande bacia. 


Um dos encapuzados tocou um sino e todos os demais começaram a cantar algo que se assemelhava a cânticos gregorianos, porém em uma língua desconhecida.


O encapuzado que presidia o ritual macabro anunciou a presença da encarnação do “Espírito Maldito” – a reencarnação do feitor Richard Lempke.  
Damon surgiu para assistir aos sacrifícios. Este fez um sinal com a cabeça, então o encapuzado que presidia o rito mandou que a primeira vítima fosse executada.
Um dos encapuzados, o irmão de Mary, levou Ellen até à bacia, e, com uma adaga cortou-lhe a garganta, derramando seu sangue no interior da bacia.

Aaron, sem nada poder fazer, assistiu à morte de sua amada Ellen.

Todos os prisioneiros estavam tomados pelo horror. Mas nenhum estava tão horrorizado quanto Becky. Esta tinha a visão espiritual aberta e via o que acontecia no plano espiritual – quando Ellen foi levada, muitos demônios se aproximaram, e assim que o sangue foi derramado eles o bebiam.

A próxima seria Becky. 
Outro encapuzado – o padre da igreja satânica, onde mais cedo Becky e o namorado estiveram – conduziu-a até a bacia. Chase impulsivamente se levantou, mas logo foi golpeado na cabeça pelo membro da seita que estava ao seu lado.

Um vento forte começou a soprar no alto da Pedra nesse momento. 
Becky viu que os demônios não se aproximavam, como fizeram quando Ellen foi levada. 
O encapuzado inclinou Becky para a bacia, mas quando ergueu o braço segurando a adaga, sentiu o braço ficar duro e, em seguida seu braço foi torcido para trás. Uma forte chuva começou e o vento soprava ainda mais forte. O pingente de pentagrama do cordão de Becky saltou para fora de sua roupa. 

Damon olhou surpreso para o cordão e gritou com o mestre de cerimônias:
– “O pentagrama do meu pai, é o maldito cordão de Bryan Lempke!”.

Becky, então, compreendeu o sonho que tantas vezes a atormentou durante a adolescência! Era ali que ela se via, o alto da Pedra da Maldição, ali estavam os demônios, mas não podiam fazer-lhe mal, pois tinha uma joia consagrada. O encapuzado do sonho! Era Bryan Lempke! Bryan era seu pai! No sonho ele dizia “Derrame o meu sangue”. Becky olhou para o lado e viu a adaga que o membro da seita deixara cair quando teve o braço torcido para trás. Ela apanhou a adaga, ergueu um braço sobre a bacia dos sacrifícios, encostando a lâmina afiada em seu pulso. Olhando para Damon, disse:

– “Eu sou filha de Bryan, eu tenho o sangue dos Lempkes!”.

Uma chuva de pedras começou a cair.
Cortando o pulso Becky derramou seu sangue, sangue dos Lempkes, na bacia.
Nesse momento as cordas que prendiam os prisioneiros se arrebentaram.
Nos campos de Little Town, também se arrebentaram os grilhões que mantinham cativos os escravos fantasmas. Estes atacaram seus capatazes e, usando suas ferramentas de trabalho, os mataram. Os capatazes tentaram atirar nos escravos, mas as balas não lhes podiam ferir, também tentaram fugir, mas a multidão de escravos matou a todos, e em seguida os fantasmas escravos iniciaram sua marcha para a Pedra da Maldição.
Damon gritava para que seus seguidores matassem todos os forasteiros. No alto da Pedra teve inicio um caos! Muitos dos encapuzados eram atingidos pelas grandes pedras que caiam do céu...

No meio da confusão, Mary correu em direção à Amber.

– “Você vai morrer, sua vaca!” – gritou Mary, que atacou Amber com uma adaga.

Mas Amber segurou firme o braço de Mary, fazendo-a deixar cair a adaga, em seguida a derrubou e sentou-se em cima dela. Deu-lhe um soco na cara.

– “Você que é uma vaca, virgem de araque!” – esbravejou Amber.

Nesse momento, o irmão de Mary atacou Amber pelas costas, enforcando-a com uma gravata de braço. Mary limpou o sangue do nariz, que Amber quebrou com o soco, apanhou a adaga do chão e correu para esfaquear Amber, que estava sendo segurada pelo irmão de Mary. Nessa hora Joey surgiu e, usando a corda que amarrava suas mãos até o momento em que as cordas se arrebentaram, laçou o pescoço do irmão de Mary.
Quando Mary avançou, Amber segurou nos braços que a enforcavam e ergueu os pés chutando Mary para trás. Como estavam perto do final da Pedra, Mary tropeçou... esbugalhou os olhos e caiu do alto da Pedra – de mais de quarenta metros de altura.
Joey matou o irmão de Mary enforcado. Mas logo em seguida levou um tiro certeiro na testa, disparado por outro dos encapuzados. Amber gritou vendo o amigo, que acabara de salvá-la, cair morto para trás. 

Aaron chorava abraçado ao corpo inerte de Ellen, quando um dos membros da seita o matou, cortando-lhe o pescoço.

Amber fugia, quando viu Bud ainda sentado, correu até o amigo e o sacudiu gritando que acordasse e fugisse... Mas Bud não podia mais ouvir – estava morto – durante o inicio do ritual Bud borrou as calças e teve um infarto – morrendo, literalmente, de medo!
Chase lutava contra os encapuzados que o atacavam...

Teve inicio um terremoto! A Pedra dos Escravos tremia sob os pés dos que estavam sobre ela!

Os escravos fantasmas subiam a Pedra da Maldição nesse momento...

Damon correu para fugir do alto da Pedra... Mas em seu caminho estava Becky!

– “Aonde você pensa que vai, Feitor?” – disse Becky.

– “Saia do meu caminho, filha bastarda de Bryan!” – disse Damon.

Nesse momento a multidão de fantasmas escravos que chegou ao alto da Pedra, matando os demais membros da seita, encontrou Damon e Becky.

Os escravos capturaram Damon, a reencarnação do Feitor, e o carregavam...

“Não! Malditos! Não quero morrer da mesma maneira outra vez!”

Os fantasmas escravos lançaram Damon, do alto da Pedra da Maldição para a morte.

Chase encontrou Becky:

– “Vamos, Becky! Temos que sair daqui! Isso parece que vai explodir!”.
– “Vá você, Chase! Eu tenho que ficar aqui”.
– “Você tá louca, Becky? Se ficar aqui você vai morrer!”.
– “Você não entende, Chase! É por minha presença aqui que isto está acontecendo! Eu sou filha de Bryan Lempke! No Universo não existe nenhum poder sem que também exista um poder igual que se oponha a ele! Damon nasceu com toda a negatividade dos Lempkes, o universo depositou em mim, a outra filha de Bryan o poder oposto ao do Feitor! Foi o sangue dos Lempkes derramado na bacia ritual que libertou os cativos! E essa chuva de pedras e terremoto estão sendo provocados por eu estar aqui, não sei como, mas eu tenho que ficar aqui! Esta Pedra tem que ser destruída! Eu entendo a magia, e sei que toda maldição precisa ter um firmamento no mundo físico! A Pedra, ela é o firmamento da Maldição de Little Town, quando ela for destruída a maldição terá terminado para sempre!”

– “Não, não posso ir sem você! Você é tudo para mim!”.
– “Eu nasci para destruir essa maldição! Eu encontrei meu destino, Chase! Vá, não quero que morra. Eu também te amo! Diga aos meus pais que os amo!”. 


Chase, sem conseguir convencer Becky, fugiu do alto da Pedra.
Já longe da Pedra, Chase viu a grande explosão! A Pedra da Maldição voou pelos ares e em seu lugar surgiu um clarão de luz muito intenso! A luz eram as almas dos escravos, finalmente livres para sempre, e de todas as vítimas da Maldição de Little Town!


O clarão da explosão varreu Little Town, e todos os que compactuavam com a maldição foram mortos, desintegrados naquela luz!
Mas diante de tal espetáculo Chase chorava amargamente por ter perdido Becky!

Assim que voltou a enxergar – pois o clarão o cegava por alguns minutos – Chase viu um homem encapuzado vindo em sua direção, trazendo o corpo de Becky.
Chase estremeceu e sentiu medo do encapuzado.
Mas o encapuzado se aproximou e colocou suavemente Becky no chão, diante de Chase.

O encapuzado disse: “Cuide bem de minha filha”!

Becky não estava morta, apenas desmaiara.

Chase olhava incrédulo para o encapuzado, cujo corpo resplandecia.

“Você... você é... é...” – dizia Chase.

“Sou Bryan Lempke. Cuide bem de Becky”.

“Mas... você não... quero dizer... pensamos que você estava...” – Chase procurava a palavra.

“Morto? A morte não existe” – dizendo isto, Bryan Lempke desapareceu.

Becky acordou, viu Chase, viu onde estava, viu as luzes onde existira a Pedra dos Escravos... Então a luz se apagou – e com ela a maldição.

“Está tudo bem, Becky!” – Chase disse, e a abraçou.
“Tive a impressão de que você falava com alguém, enquanto eu acordava!”
“Bem... Estava... Acho que posso dizer que com meu sogro – Bryan”.

***

Chase e Becky encontraram seu carro e se preparavam para deixar Little Town, quando viram Amber e ofereceram-lhe uma carona.

***

Na estrada que deixava a cidade...

“Vamos ligar uma música?” – disse Becky.
“Pega um CD aí no porta-luvas!” – respondeu Chase.
“AC/DC?”
“Não, nesse momento estou com mais vontade de escutar Led Zeppelin, vamos ouvir Stairway to Heaven!”
“Não to achando o CD do Led”

Chase se inclinou para procurar o CD – enquanto ele e Becky olhavam para o porta-luvas, Mary surgiu na estrada (não sei como sobreviveu à queda da pedra e à explosão) e entrou na frente do carro erguendo uma adaga – Sem estar com os olhos na estrada, Chase atropelou Mary com o carro, passando com uma das rodas sobre sua cabeça (dessa vez ela morreu).

“O que foi isso?” – disse Chase, se assustando com o solavanco que o carro deu.
Do banco de trás, Amber, que viu a perversa entrar na frente, disse “Nada... Acho que você atropelou uma vaca!”.

FIM


Epílogo

Becky fez as pazes com Amanda, sua mãe. E Jimmy, seu pai de criação recebera um transplante e se recuperava bem...

Alguns dias depois de voltarem de Little Town:

“Mediante os resultados dos seus exames, Becky, posso dizer que está tudo bem com a sua saúde! Diria que não poderia estar melhor!” – o médico dizia a Becky.
“Mas e o mal-estar e tudo que venho sentindo?” – Becky contestou.
“Você está grávida! Parabéns!” – respondeu sorridente, o médico.

Becky e Chase, que a acompanhara ao médico, se olharam admirados, pois vinham tomando todos os cuidados para evitar uma gravidez.

Percebendo a reação deles o médico perguntou – “Algum problema?”.

– “Não, nenhum! Absolutamente! Só não espera!” – respondeu Becky.

Becky e Chase se abraçaram. Becky disse a Chase “Estou surpresa, usamos todos os métodos para evitar!”.

“Diferente da Magia... a Ciência falha! Lembra?” – respondeu Chase.

Becky sorriu e alisou carinhosamente a barriga... “Vamos amá-lo! Prefere menino ou menina?”.


Alguns anos depois...

Um ônibus – cujo itinerário passaria por “Little Town” – estava prestes a partir da rodoviária da cidade de “Big City”. Quando um garoto, muito bem vestido, subiu os primeiros degraus, embarcando.
O motorista olhou para ele e disse:
– Oi, garotinho! Você está com alguém?
A expressão vazia do menino chamou a atenção do motorista.
– Quero que me leve até Little Town – disse a criança com uma voz tão perfeitamente sem entonação, que o motorista ficou perplexo.
– Preciso que você esteja acompanhado por um responsável – disse o motorista
Os olhos do menino se tornaram vermelhos e luminosos, como os de um demônio.
– Eu disse que quero ir até Little Town – a voz do garoto soou grave, gutural e distorcida, enquanto seus olhos se tornaram mais brilhantes.
O motorista engoliu seco e sentiu o corpo gelar.
– Err... tu- tudo bem! – respondeu o condutor.


sábado, 24 de janeiro de 2015

A Última Noite - cap 6


Capítulo Penúltimo

(Trilha sonora do penúltimo capítulo: Night of the Demon – Demon)


Algum tempo depois...

– Nada do Bud, desde que ele foi para aquele bar, ele deveria ter vindo à praia... E nada da Ellen também! Vamos procura-los e vamos dar o fora daqui! – Amber disse a Aaron e Joey.
– Na boa? O Bud é cheio de marra, deve ter arrumado confusão e pra dizer a verdade já estou de saco cheio dele, se arrumou encrenca ele que se vire... não é quadrado! Quanto à Ellen... bem... deve tá trepando com o caipira dela... E eu não vou perder o restinho de dia que tenho para procura-los. Se vocês quiserem, vão vocês! – disse Aaron.

– Isso não é hora de nos separarmos – disse Amber.
– Não saio daqui! – respondeu Aaron ríspido.
– Ele quer ficar aí, deixa ele aí! Você vem comigo ou fica, Amber? – disse Joey à amiga.
– Você tem certeza que não quer procura-los? – Amber perguntou a Aaron.
– Tenho.
Ao se afastarem de Aaron:

– Que deu no Aaron?
– Deve ter querido ficar lá por causa da Ellen, coitado!
– Acha que ele gosta dela até hoje?
– Ele faz que não, mas tá na cara que gosta... E deve sofrer bastante com as galinhagens dela!
– Complicado!

****

Joey e Amber andaram por toda a cidade, sem encontrar Bud, Ellen ou um lugar para se hospedarem.

–Não há nenhum maldito lugar para se hospedar aqui! – disse Joey
– Também não parece o tipo de lugar que atraia muitos turistas – respondeu Amber
– E não tem sinal de celular desde que passamos daquele maldito posto do velho! – disse Joey – Acho melhor continuarmos procurando um lugar para passarmos a noite e amanhã pela manhã procuramos saber sobre ônibus.
– Lembra que perto da praia tinha uma cabana com cara de abandonada?
– Quer saber? Vamos lá ver se Aaron e Ellen estão na praia... Depois vemos a cabana, se estiver vazia ficamos nela.

A dupla voltou à praia, não encontraram os amigos. Então foram verificar a cabana (a mesma cabana de “Noite Maldita 1”). A noite já caía.

Reparou uma coisa estranha? A gente viu um monte de plantação, mas não vi ninguém trabalhando nelas! – disse Amber.

Joey testou a porta da cabana, que se abriu. Para a surpresa dos dois, ao abrirem a porta se depararam com uma moça encolhida, sentada no chão, abraçando as próprias pernas – parecia muito assustada.
– Errrr... Calma, moça, nós não... digo... Não somos... Não sabíamos que tinha alguém na cabana... Não queremos lhe fazer mal... – dizia Joey.
– Espera! Você não mora aí... Não é? Essa cabana tá abandonada, certo? Você... está se escondendo aí? – perguntou Amber – Mary! – exclamou – Você é a moça da lanchonete! A que me deu o bilhete!
– Por favor, me ajudem! – suplicou a moça.
– Como sabe que o nome dela é Mary? – perguntou Joey
– Ouvi quando a mãe falou com ela – respondeu Amber.
– Ei, qual era a sua com aquele bilhete? – perguntou Joey
– Eu tentei avisá-los do perigo! Vocês estão em perigo! Eu também estou!
– Espera, espera aí! Qual o perigo? – perguntou Joey.
– Eu fugi, pois sou virgem! – respondeu Mary
– Você está em perigo por ser virgem? – admirou-se Joey, que sussurrou para Amber –Mas isso pode ser resolvido...
– Joey, por favor! – disse Amber, e se voltando para Mary – Explique tudo para a gente, e vamos te ajudar!
– Vocês não fazem ideia do que acontece aqui em Little Town nessa noite! O povo daqui pratica sacrifícios humanos pelas colheitas! Eles buscam por virgens, e também creem que forasteiros que venham aqui são mandados pelo destino para o sacrifício, por isso eu escrevi o bilhete. Vocês estão em grande perigo!
–Ela é louca! – disse Joey.
– Pode ser, mas ela está com medo de verdade – disse Amber.
– Na boa, cara, isso tudo tá muito estranho já, vamos dar o fora desse lugar – disse Joey.
– E a garota?
– Acha mesmo que fazem sacrifícios humanos aqui?
Mary tentava ouvir o que cochichavam – Se forem deixar a cidade, me levem com vocês, por favor – disse.
– Tá bom, que se foda, vamos dar o fora daqui! Mas como? – disse Joey
– E ela? – perguntou Amber, se referindo à Mary.
– A gente deixa ela aí na cabana – respondeu .......
– Não, vamos leva-la com a gente! – contestou Amber.
Mary se levantou e disse – Vocês precisam acreditar em mim, são fanáticos, toda a cidade cultua um rapaz chamado Damon, que acreditam ser a reencarnação de um espírito amaldiçoado, a quem atribuem a prosperidade das colheitas.

Amber se lembrou do pesadelo que teve na praia, e teve certeza de que algo muito mal realmente acontecia naquela cidade.

– Tá bom! – disse Joey, e se voltando para a garota – Então, Mary, a virgem, sabe um modo de sairmos desse lugar?
– Sei de uma trilha, através do Rubião, mas não tinha coragem de tentar sozinha, teria que atravessar pela mata e os morros...

****


Aaron, que havia deixado a praia – justo no momento em que Joey e Amber passaram por lá – para procurar por um banheiro. Continuou na praia até escurecer – sem que Ellen retornasse. Ele disse a si mesmo – Quer saber? Que se fodam eles! Deve ter algum tipo de festa nessa cidade, não é possível que sejam todos mórmons, ou oque seja lá o que forem! – E saiu pelas ruas, procurando algum lugar movimentado.
Aaron andava pelas ruas desertas... Até que viu algo estranho se aproximando. Com medo se escondeu.
Aaron não conseguia acreditar no que via! Fileiras enormes de negros acorrentados eram conduzidas por homens encapuzados – mas não eram negros vivos, eram escravos fantasmagóricos, sendo possível enxergar através de seus corpos.
Aaron olhava incrédulo para o que via. Seu coração disparou. Ficou completamente apavorado.

– Olhe ali! – gritou um dos encapuzados que viu Aaron escondido.

Aaron correu, sendo perseguido pelos encapuzados – Vamos pegá-lo como se pega um ‘negro fujão’ – disse outro dos encapuzados.

Perseguiram-no até que laçaram suas pernas com cordas. Depois de captura-lo amarram-lhe e disseram – Vamos levar o negro forasteiro para o Rubião.

****

Mary conduzia Joey e Amber por uma trilha, e quando chegaram ao Rubião, lá foram cercados por homens encapuzados e capturados.
No entanto os encapuzados só prenderam a dupla de forasteiros. Um deles se aproximou e tirou o capuz. – Era o rapaz com quem Ellen paquerou – ele disse à Mary – Muito bem, mana! Trouxe os dois forasteiros que faltavam! Eu trouxe a vagabunda que engabelei, o negro foi apanhado na rua, e o xerife trouxe o outro!

– Filhas da puta! – gritou Amber, que levou um tapa na cara, dado por Mary.
– Cala a boca, forasteira! Aliás, não sacrificamos virgens, coisa que não sou faz tempo também... Sacrificamos forasteiros.



terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A Última Noite - cap 5




Capítulo Cinco   

(Trilha sonora do quinto capítulo: Stranger in a Strange Land – Ace Frehley)


Ao chegarem à Little Town, Chase e Becky procuraram pelo cartório da cidade. Lá, Becky tentou obter informações sobre “Bryan Lempke” e todos os “Bretts” com idade condizente com a que aquele que poderia ser seu pai biológico teria.

“Becky, aquela mulher do cartório nos olhou de um jeito bem estranho!”
“Deve ser porque perguntei pelo nome de alguém conhecido por ter sido preso por assassinato e ser descendente do tal feitor! Que se dane isso! Mas é muito estranho não ter registro dele! Acho que talvez encontremos algo nas igrejas, se ele foi batizado, pode haver algum registro...”.


“Não podemos descansar um pouco antes... viajamos desde três da manhã...”.
“Não viemos aqui descansar, viemos procurar informações sobre quem é meu pai de verdade!”
“Ou ‘pai biológico’, afinal o Sr. Jimmy foi quem te criou, amor...”
“Que seja! Agora entra no carro e vamos procurar as igrejas daqui!”

Em frente a uma igreja...

“Essa parece ser a única igreja na cidade!” – disse Chase, pois já haviam rodado por toda Little Town.
“Vamos lá procurar o padre...” – respondeu Becky.

Quando estavam prestes a entrar na igreja, o padre surgiu.

“Bom dia! Posso ajudar ao casal?” – perguntou o pároco.
“Gostaríamos de consultar registros antigos de batismo... Procuramos por parentes...” – dizia Becky, quando, fazendo uma expressão de que lastimava, o padre disse – “Sinto muito, infelizmente não será possível ajudar! Há muitos anos essa igreja sofreu um terrível incêndio e todos os registros se perderam! Lamento muito!”.
“Essa é a única igreja da cidade?” – perguntou Becky.
“É sim”
“Está certo, então, muito obrigada!”
“Lamento não ter podido ajudar!”.

Voltaram para o carro e Chase disse – “Você não achou estranho?”.
“Não sei... essa igreja me passou algo estranho desde que paramos em frente a ela... Mas do que você fala?”
“O modo como o padre apareceu de repente, e como se colocou entre nós e a frente da igreja... parecia que não queria que entrássemos nela... E o modo como ele falou do tal incêndio... parece que inventou aquilo!”.

Becky olhou para frente da igreja e viu que o padre havia ido – “Vamos voltar lá!” – disse abrindo a porta do carro e descendo novamente. Chase fez expressão com o rosto de ter se arrependido do comentário.
Entraram de vagar no templo, enquanto Becky olhava para os lados, Chase olhou em direção ao altar.

“Ai, meu Deus do céu!” – Chase, incrédulo, exclamou.
“O que?”
“Olhe!” – Chase respondeu apontando para o altar – onde havia uma enorme imagem do Demônio.
“Melhor sairmos daqui!” – respondeu Becky.

“Tarde demais!” – disse a voz do padre que surgiu novamente, acompanhado de mais quatro homens armados, que tinham o casal sob suas miras.

“Vocês são muito fuxiqueiros!” – continuou o padre – “Por que andam pela cidade perguntando sobre Bryan Lempke?” – o padre sabia sobre a visita do casal de forasteiros ao cartório.

“Somos repórteres e investigávamos sobre a história da cidade” – Becky rapidamente respondeu. Chase percebeu que a namorada quis evitar que soubessem de seu possível parentesco com os Lempkes.

“O que exatamente da nossa história, forasteira? Quer saber sobre a maldição? Vocês vão saber tudo sobre ela! Querem saber sobre Bryan Lempke, vão poder perguntar tudo o que quiserem quando o encontrarem no Inferno” – disse irônico, o padre – “Levem esses dois para a cabana no Rubião!” – o pároco ordenou aos homens armados.

***

Na praia...

Amber estava deitada sobre a canga tomando sol, quando de repente viu um homem negro, todo ferido, em trajes de escravo correndo em sua direção. Ela ficou muito assustada, mas não teve reação. O negro escravo parecia apavorado, correu até a frente de Amber e se lançou à areia. Olhando para ela disse: “Fujam! Fujam!”.
Então ela percebeu um homem, com roupas como as dos antigos feitores, que chegou atrás do negro e atirou em sua cabeça, fazendo o sangue do escravo espirar em abundância sobre Amber! Ainda mais horrorizada viu o homem, que matou o escravo se transformar em um jovem de aproximadamente 20 anos, e seu rifle se transformar em uma adaga. Então o garoto sorriu macabramente e, com a adaga, cortou-lhe a garganta.

Amber acordou gritando!

– Calma, Amber! Está tudo bem! – disse Joey

Recuperando-se do pesadelo Amber disse, depois de uns instantes – “Acho que deveríamos dar um jeito de sair dessa cidade! Está tudo estranho demais! Eu tive um pesadelo muito estranho!”.

– Você deve ter ficado impressionado por causa daquele bilhete no restaurante – disse Joey.

– Nada do Bud? Ei, cadê a Ellen?

– Nada dele, a Ellen... – Joey olhou em volta procurando pela amiga, avistou-a ao longe conversando com um rapaz da cidade – Ah, olha ela lá! E de papo com aquele carinha que ela paquerou mais cedo, está bem até demais! Tá vendo?

Aaron chegou correndo, voltando do mar.
– O que foi esse grito?
– Só a Amber que cochilou e teve um pesadelo – disse Joey
– Certo, ‘ufa’, você me assustou, Amber! E a Ellen?
– Ah, ela está... Joey olhou novamente para onde Ellen conversava com o rapaz...
– Bem... estava ali conversando com o carinha daqui que ela flertou mais cedo...
– É... já deve estar se agarrando com ele em algum lugar...



sábado, 17 de janeiro de 2015

A Última Noite - cap 4



Capítulo Quatro


Enquanto Chase dirigia, Becky mexia no notebook que levara consigo.

“O que está vendo aí, Becky?”
“O que acha que estou vendo? O Facebook? Estou pesquisando os nomes dos meus possíveis pais... ‘Brett’, mesmo associando à ‘Little Town’ tem resultados muito amplos... ‘Bryan Lempke’ tem pelo menos um nome com sobrenome... e não tem muitos ‘Bryan Lempkes’... Mas quando pesquiso por ‘Bryan Lempke – Little Town’, encontro algo realmente impressionante!”
“O que é esse algo?”
“Aqui fala de um Bryan Lempke que foi preso acusado pela morte de sete pessoas em Little Town, cinquenta e dois anos atrás!”.
“Não pode ser esse... Poderia?”.
“Escuta! O pai desse Bryan, Anthony Lempke, fora preso anos antes, pela mesma razão! E tem mais com esse sobrenome! Encontrei coisas realmente estranhas em blogs sobre lendas urbanas, maldições e etc. Diz que há cada treze anos fatos estranhos, envolvendo sempre a morte de forasteiros acontece em Little Town. Que o lugar se tornou amaldiçoado desde que houve uma revolta de escravos, na época em que o local era uma fazenda, e os escravos assassinaram um feitor de nome ‘Richard Lempke’”.
“Você não está acreditando em uma maldição, está? Isso é cientificamente um absurdo!”
“Entendo seu pensamento ‘cientificista’, mas, diferente da Magia a Ciência falha! Se pesquiso sobre a cidade, as informações são intrigantes! Foi uma fazenda nos tempos da escravidão... o tal feitor existiu e seu assassinato pela revolta dos escravos é fato histórico... também são fatos as prisões de Anthony e Bryan Lempke... Agora – a antiga fazenda se tornou uma cidade... Mas nas duas últimas décadas seus moradores abandonaram o estilo de vida moderno, optando por uma vida mais rústica... o que é creditado a conversão em massa dos habitantes...”.
“Isso tudo é louco demais!”
“Pela idade desse Bryan quando foi preso ele teria uns setenta e tantos hoje...”.

***

Na manhã do mesmo dia em que o grupo de amigos formados por Bud, Joey, Aaron, Amber e Ellen chegou a Little Town, um pouco mais tarde do que o grupo, Chase e Becky passam, sem parar, pelo posto de gasolina onde o velho advertira aos primeiros.

O velho observa o carro com o casal se aproximando pela estrada, e, depois de ver o veículo seguir em direção a Little Town, diz para si mesmo: “Com mais esses dois se completam as sete vítimas dessa noite!”.

Algum tempo depois

“Merda, a droga da Internet caiu!” – disse Becky.
“Bem-vinda a Little Town!” – replicou Chase, mostrando a placa na estrada.

***

Bud entrou no bar e se dirigiu até o balcão.

– Uma cerveja – pediu.
O barman, um homem mal encarado, colocou ambas as mãos sobre o balcão e fitou Bud, enquanto os demais frequentadores o observavam.
– Documento – disse ríspido, o barman.
– Ah, qual é! Só pedi uma cerveja! – respondeu Bud.
– Documento – repetiu o homem.
– Em que lugar do mundo se pede documento para se vender uma cerveja? – respondeu, irritado o jovem.
– Algum problema, Ben? – um homem grande se levantou e perguntou ao barman.
– Parece que o rapazinho forasteiro aqui quer criar algum problema! – respondeu o barman.
Dois outros homens se levantaram e todos se aproximavam de Bud, um deles disse – O que você quer dizer com isso de ‘que lugar do mundo’?  – “Acho que ele quer nos chamar de caipiras!” – disse um dos outros, seguido pelo terceiro – É isso que você quis dizer “menino da cidade”?
Os homens estavam a ponto de espancar o jovem quando um policial entrou no bar e aplacou a situação.
– Um policial! Que bom! – disse Bud, e seguiu – Policial, esses homens estavam me cercando de modo ameaçador...
O policial sem dar a menor atenção ao jovem forasteiro, perguntou ao barman o que estava se passando.
– É um criador de encrenca – afirmou.
– Muito bem! – disse o policial, que segurou Bud, colando seu rosto de lado no balcão e levando suas mãos às costas e o algemou.
– Ei, isso é um absurdo, eles que estavam sendo hostis... – dizia Bud.
– Cala a boca, moleque, e agradeça por eu te levar antes que eles te dessem boas bofetadas.

Joey, Amber, Aaron e Ellen encontraram um restaurante.

– Pelo menos a comida é boa! – comentou Amber.
– Comida no Interior é sempre boa, diferente da cidade grande – comentou Joey.
Aqui parece que o povo tá no século passado – disse Amber.
– Eu gostaria de encontrar o gatinho que vi agora a pouco– disse Ellen se referindo ao rapazinho com quem flertara.

A mocinha da lanchonete se aproximou para perguntar se queriam algo mais. O grupo respondeu que não e pediu a conta. A mocinha então trouxe a conta. Parecia estar nervosa. E, se abaixou um pouco e sussurrou para Amber, enquanto disfarçadamente lhe entregava um bilhete – “Não leia aqui”.
– O que está acontecendo aí, Mary? – gritou uma mulher gorda, que estava atrás do balcão, para a mocinha.
– Nada, mãe! Só estou limpando a mesa deles. – respondeu, e olhou para Amber, com olhar de quem pedia sua cumplicidade. Amber estranhou e guardou disfarçadamente o bilhete em sua bolsa.

O grupo deixou o restaurante. Amber procurou o bilhete e o leu. Este dizia –
“Fujam enquanto podem”.
– Fujam enquanto podem? – se perguntou, mostrando o bilhete à Ellen.
– Ela deve ter escrito escondido, viu que parecia nervosa? Deve querer nos avisar de algo! – comentou Amber.
– Bem que eu queria estar a quilômetros daqui! E isso deve ser algum tipo de brincadeira, como aquele velho do posto com a conversa dele. Sei lá! Deve ser a diversão do povo daqui! Assustar aos forasteiros! – disse Joey.
– Vamos para a praia! O mar vai fazer a gente se sentir melhor! Nós viajamos para irmos à praia, não é? – disse Aaron.
O grupo seguiu as indicações das placas, chegando à praia de Little Town.