sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Monstro debaixo da Cama cap 5



O Monstro debaixo da Cama


Último Capítulo.

Rachel, espiando a todo o momento pela janela da sala, esperava ansiosa a chegada da sensitiva, que contatara pela internet.
Wilma Cunninham chegou à calçada, olhou para a casa, depois conferiu o endereço em um pedaço de papel que trazia à mão. No caminho até a porta da frente, a árvore no quintal lhe chamou a atenção. A sensitiva se deteve observando a árvore.
Rachel, que observava Wilma, desde que esta chegara à calçada, saiu pela porta da frente.

“Senhora Robinson, presumo” – disse Wilma.
“Sim, sou eu” – respondeu Rachel.

A sensitiva se voltou em direção à árvore, e olhou para Rachel, que assentiu com a cabeça.
Wilma chegou próximo à árvore, esticou os braços com as palmas das mãos abertas voltadas para o tronco e em seguida fechou os olhos. Então sua fisionomia se alterou como em um súbito mal-estar.

“Está tudo bem?” – perguntou Rachel.
“Sim, é algo que senti ao examiná-la! Desculpe-me, sou Wilma Cunninham”.
“Presumi”
“Podemos ver a casa?”
“Sim, Claro”

Sean, Trish e Jeanette, irmã de Rachel chegaram à varanda.
Rachel fez as apresentações.

A aparência de Wilma não correspondia ao que o casal imaginara. Rachel imaginava que a Sr.ª Cunninham chegaria trajando algo como um vestido longo e preto e teria o rosto pálido. Sean a imaginava exótica, com roupas hippies e cabelos arrepiados como uma foto de Einstein. No entanto, ela fugia a ambas as expectativas, não tendo nada em sua aparência que a diferenciasse do comum.

“Pode ficar aqui na varanda com a Trish?” – Rachel perguntou à irmã, que consentiu.

“Em seu e-mail você me falou sobre a criança mencionar um monstro debaixo da cama” – disse Wilma
“Sim” – respondeu Rachel.
“Podemos ver o quarto da garota?”
“Claro”

Sean observava a Sr.ª Cunninham com certa desconfiança. O casal concordou em não dar mais informações à sensitiva na expectativa de testar sua autenticidade no caso de Wilma saber dizer sobre os eventos ocorridos sem que tomasse conhecimento prévio destes.

***

Da varanda Trish percebe que seu ursinho está na calçada, como se tivesse sido deixado ali sentado.

“Tia Jean, meu ursinho está ali na calçada posso apanhá-lo?”
“Sim, querida, cuidado!”

“Acho que ele se perdeu! Posso guarda-lo na caixa de brinquedos?” – perguntou Trish ao retornar com o urso.
“Depois, agora sua mãe e seu pai estão conversando com a moça lá no andar de cima” – respondeu Jeanette, que havia observado que haviam subido ao segundo andar.
“A caixa está aqui na sala, papai trouxe várias das minhas coisas para a sala”.
“Está bem! Só o coloca na caixa e fica aqui sentada com a tia até sua mãe voltar, tá?”



***

Rachel, Sean e Wilma entraram no quarto da pequena Trish. Wilma pareceu sentir algo imediatamente ao entrar no cômodo. A sensitiva fechou os olhos e ergueu as mãos, com as palmas voltadas para fora. Novamente sua expressão facial parecia a de alguém com mal-estar. 

“Com certeza há algo neste quarto e nesta casa” – disse a sensitiva e continuou: 
“Há uma presença espiritual aqui! Uma presença que não é boa. É algo maligno!” 

“A senhora vê alguma coisa?” – Rachel perguntou sussurrado.

Wilma gesticulou com a mão fazendo sinal para esperar. E depois de alguns minutos respondeu.

“Eu vejo um jovem, um rapaz... ele... ele habitou a casa... este era o quarto do jovem”. – disse a sensitiva.

Rachel se lembrou da história que soube, através da vizinha, do jovem que se enforcara na árvore.

“Você quer nos dizer que a casa é assombrada pela alma desse jovem, que teria morado aqui e veio a falecer?” – perguntou Sean.

“Há uma presença espiritual aqui, como eu disse... Mas não! Não é a deste jovem!” – a sensitiva hesitou em completar o que iria dizer. Mas depois prosseguiu:
“O espírito que habita esta casa não é humano! Não se trata de alguém que viveu e esteja preso a esse plano!”. 

“Eu soube de um rapaz que morou aqui” – disse Rachel não se contendo.
“Eu vejo o rapaz... Ele teve contato com a presença que sinto aqui... pobre rapaz!”.

E depois de mais alguns minutos a sensitiva disse: 
“Afaste a cama! Afaste a cama da menina!”

Sean seguiu a orientação da sensitiva.

“Arranque o carpete!”

Rachel olhou para Sean, que estava hesitante e disse:
“Busque as ferramentas, querido!”

Sean buscou algumas ferramentas e arrancou o carpete. O casal teve uma sensação gelada quando viram o que havia ocultado pelo carpete, exatamente sob o local onde estava a cama de Trish. 
Havia um desenho de um pentagrama de linhas pretas no chão de tábua debaixo do carpete e na área do desenho havia grandes arranhões, como se feito por um grande animal.
Rachel levou as mãos à boca. Sean ficou surpreso e perplexo.

“Há um espírito nesta casa, e como disse, não é humano, é um espírito demoníaco!”

E completou: “Diferente do que popularmente se imagina são raros os casos reais de presença dessa categoria de espírito, de fato, pessoalmente, é a primeira vez que eu tenho contato com um”.

Rachel se sentia apavorada ao ver aquilo bem debaixo de onde a filha dormira.

“E o rapaz? A senhora falou do rapaz” – perguntou Rachel.

“Este símbolo é muito antigo, e há muito tempo usado por praticantes de magia... O rapaz que o fez... É por onde o demônio veio! Este círculo no chão funciona como um portal que liga o mundo do demônio ao nosso...
O rapaz o invocou... Vi claramente o passado deste quarto! Aqui o rapaz fez um pacto com esta entidade maligna.... O demônio lhe deu tudo o que ele queria... o carro desejado... dinheiro... popularidade... o amor de uma garota cobiçada... Porém o demônio não tardou em exigir o pagamento. O demônio o levou a um estado psicológico inimaginável! Ele o influenciou negativamente... o rapaz caiu em profunda amargura e depressão... mesmo tudo o que queria e obtivera através do demônio deixou de importar para ele... Foi atormentado até não conseguir suportar mais... Então cometeu suicídio... Enforcando-se... a árvore na entrada! Sim... ele se enforcou nela!”

O casal Robinson estava perplexo.
Rachel gaguejando perguntou:
“Há algo que podemos fazer? Digo... Para que vá embora... o demônio”.

A sensitiva respondeu, após breve hesitação, com pesar:
“Infelizmente... Não creio que haja muito que se possa fazer... Se esta entidade fosse invasora há ritos que creio que poderiam livrar a casa de sua presença, mas... Ele não é invasor... O rapaz o trouxe e deu ao demônio o direito de posse da casa...”. 

“Mas, a casa foi deste rapaz no passado, ou de seus pais... Hoje é nossa, nós a adquirimos! Não temos como... não sei... impor isso a esse espírito ou entidade... ?” – perguntou Sean.

“Entendo Sr. Robinson... Infelizmente no mundo astral a casa ter sido vendida não tem valor para esta questão, o demônio a recebeu de um proprietário e este morreu... Ele tem direito espiritual sobre o lugar... Eu lamento muito que eu não possa ajudar... Tudo o que posso fazer aqui é torna-los conhecedores destes fatos que pude captar”.

“Eu agradeço à senhora, Sr.ª Cunninham” – respondeu Rachel.

***

Os Robinsons deixaram a casa, colocando-a a venda.
Os dias que se seguiram passaram hospedados em uma hotelaria até que encontrassem uma casa que pudessem alugar.


A casa no bairro de Highlands continua sem comprador.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O Monstro debaixo da Cama - cap 4


Resumo dos capítulos anteriores: Um jovem casal adquiriu uma casa e se mudou com a filha, que começou a se queixar de que em seu novo quarto havia um “monstro debaixo da cama”. Uma noite Rachel pensou ter visto a filha chamar à porta do quarto e desceu até o porão, onde teve uma experiência assustadora. Pensando que poderia haver algum tipo de mal espiritual na casa, Rachel comprou um crucifixo para a parede, mas o objeto religioso caiu estranhamente várias vezes e ela terminou por guarda-lo no fundo de uma gaveta. Desde que chegou à casa nova Rachel não tinha uma boa impressão de uma árvore no jardim da frente. Ela soube, por uma vizinha, de que anos atrás um rapaz havia se enforcado nela, fato que, na época, chocou a vizinhança. Rachel acreditou que talvez as coisas melhorassem se mandasse rezar uma missa pela alma do rapaz suicida e pediu ao padre da paroquia local para benzer a casa. Mas no dia de benção da casa o padre depois de subir ao segundo andar desceu rápido e parecendo assustado e com medo se apressou em deixar a casa.
Numa tarde Rachel vê a filha brincando na árvore, em pânico grita com filha, mandando se afastar da árvore. A menina entra em casa chorando. À noite o marido questiona a esposa sobre o ocorrido. Rachel relata tudo ao marido e diz que quer se mudar da casa e que esta é assombrada. Sean não quer deixar a casa, e perder o investimento e julga que Rachel esteja fantasiando. Até que uma noite irritado com a filha ir dormir todas as noites com o casal Sean vai dormir no quarto de Trish.



O Monstro debaixo da Cama


Penúltimo Capítulo

Sean entrou no quarto da filha e fechou a porta. Dirigiu-se à cama. Pegou um ursinho de pelúcia, que estava perto da cabeceira e jogou para um canto, onde havia outros brinquedos. Deitou-se, puxou o lençol, arrumou o travesseiro e se ajeitou para dormir. Depois de alguns minutos, sonolento, sentiu vontade de abrir os olhos. O ursinho estava sobre a cama, bem de frente para seu rosto. Sean se sentiu confuso, mas acreditou não ser mais do que uma peça pregada pelo sono. Jogou novamente o ursinho para o lado e voltou a ajeitar. Sentiu o quarto mais frio do que estava quando chegou. Olhou para a janela, para conferir se estava fechada e puxou mais o lençol. “O tempo deve estar virando” – pensou. 
Sean pegou no sono.

Cerca de uma hora depois ele acordou, repentinamente, com falta de ar. Sua reação seria levantar, erguendo o tronco, mas suas costas ficaram como que coladas à cama. Quis gritar, mas não conseguia. Tentou se mover, mas também não conseguia. 
Sean lutava desesperadamente para puxar o ar. Pensou que morreria. Conseguiu finalmente respirar. Tentou novamente gritar pela esposa, crendo que precisava de socorro médico urgente, mas a voz não lhe saía. Engasgou. Tentou se mover, sem conseguir de novo. Sentiu o lençol apertando, prendendo-o à cama. Tornou-se ofegante. Sentiu a cama, como se um grande cão estivesse subindo nela. Mas ele não via nada. Então sentiu como se um animal apoiasse as duas patas dianteiras em seu peito. 
Preso à cama e sem conseguir gritar, Sean sentiu um ar quente vindo ao rosto. Era como um bafo de uma fera tocando-lhe a face. Sean sem ver nada, sentia algo em cima de si. Ficou assim, imóvel e com o hálito horrível contra o rosto por mais dois minutos. 
Então tudo voltou ao normal. Sean fechou os olhos e levou as mãos ao rosto. Seu coração pulsava forte. Sentia a mente em confusão. Tremia. Pensava se teria sido um pesadelo – não, não foi, mas qual a explicação? Testou as pernas. Conseguiu se mover. Descansou as mãos na cama e abriu os olhos. Viu o urso de pelúcia no seu colo. Saiu desesperado da cama e do quarto de Trish.

***

“Sean?” – admirou-se Rachel ao encontrar o marido dormindo no sofá da sala.
Sean acorda e vê a esposa e a filha pronta para a escola. Trish segurava o ursinho de pelúcia. 
“Não!” – exclamou Sean, tomando o brinquedo da menina.
Trish ficou perplexa e disse em choramingo “Mas eu sempre o levo para a escola!”.
Rachel olhou de forma interrogativa para o marido, e se agachou de frente para a filha. 
“Hoje você não prefere levar a Henrietta sua boneca?”
Trish assentiu indo apanhar a boneca.
“Não a deixe entrar sozinha no quarto!” – Sean disse à esposa.
Rachel acompanhou a menina, e estranhou as atitudes do marido 
Ao retornarem com a boneca, Sean estava sentado no sofá da sala olhando fixamente para o urso de pelúcia, que segurava com ambas as mãos.
“Vamos, filha” – Rachel disse saindo com Trish, e voltando o olhar de estranheza para Sean.

***

Ao retornar da escola Rachel pediu explicações ao marido de seu comportamento pouco antes. 
Sean relatou à esposa o ocorrido durante a noite no quarto da filha.

“Acho que aquilo quis me matar” – disse Sean.
Rachel se admirava, Sean relatava uma experiência ainda mais extraordinária do que as vivenciadas por ela.
“Rachel, eu não sonhei isso” – Sean respondeu ao olhar da esposa, que lhe pareceu questionador.
“O que acha que devemos fazer?” – perguntou Rachel.
“Eu não sei! Há alguma coisa lá! De verdade há! Mas... Como lidamos com algo assim?” – disse Sean.
“Onde está o urso?” – perguntou a esposa.
“Eu o coloquei numa bolsa e joguei na lata de coleta de lixo” – “Rachel, a Trish não pode ficar mais naquele quarto! Vamos tirar tudo de lá!”. 

O casal subiu até o quarto de Trish. 

“Você trancou?” – perguntou Sean, depois de tentar abrir a porta do quarto.
“Não” – respondeu Rachel.
Sean tentou novamente, e forçou a porta.
Rachel buscou a chave, mas esta quebrou quando Sean tentou abrir.
Sean socou furioso a porta. 
Ouviram um soco interno em resposta.
“Meu Deus!” – exclamou Rachel levando as mãos à boca.
Permaneceram parados em frente à porta e novamente a porta foi socada do lado de dentro do quarto. A perplexidade os dominou e uma terceira vez a porta foi socada pelo lado de dentro do quarto.
“Meu Deus, Sean!” – exclamou Rachel.
“Quem está aí? Tem alguém aí? Quem está aí dentro?” – Sean gritava sem obter resposta.
Furioso, Sean agarrou a maçaneta e solavancou várias vezes a porta, tentando abri-la.
Assim que desistiu a porta começou a solavancar, como se algo imitasse o gesto de Sean do outro lado. 
Rachel começou a chorar de aflição.
O marido buscou tábuas e as pregou à porta.  

***

“A Trish pode ficar na casa de uma de suas irmãs depois da escola?” – Sean perguntou á esposa.
“Acredito que não haveria problema nenhum. A Jeanette deve poder ficar com ela, e ela ficará feliz em dormir na casa da tia”.

Sean, sentado à mesa da cozinha, passou as mãos pela cabeça, agoniado.

“Eu... Eu estive pesquisando na internet sobre... fenômenos... assombrações ou fatos assim...” – dizia Rachel.
“Você o que?”
“Há relatos sobre coisas assim. Há vários casos nos EUA”. 
“Não sei até que ponto se possa dar crédito a algo na internet...”.
“Eu encontrei uma página, é de uma sensitiva, Wilma Cunninham, ela... lida com coisas assim... ela... atua próximo a Nova Orleans...”.
“Rachel! Não deve ser mais do que uma enganadora! Isso é engodo!”
“Bem... Na verdade, eu havia enviado um e-mail umas semanas atrás... e... Ela concordaria em ver nossa casa”.
“E o que essa sensitiva faria aqui? Encheria a casa de incenso, diria umas palavras esquisitas e tentaria tirar o máximo de dinheiro da gente?”
“Ela não pede dinheiro, Sean! Ela pesquisa esse tipo de fenômeno! Parece-me algo que podemos tentar! Encontrar uma explicação!”
“Não há explicação para isso!”
“Sean, talvez ela ajude! O que mais podemos fazer?”
“Tudo bem! Vamos chamar essa sensitiva! Mas não lhe daremos dinheiro!”


Continua...






sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Monstro debaixo da Cama - cap 3


Resumo dos capítulos anteriores: Um jovem casal adquiriu uma casa e se mudou com a filha, que começou a se queixar de que em seu novo quarto havia um “monstro debaixo da cama”. Uma noite Rachel pensou ter visto a filha chamar à porta do quarto e desceu até o porão, onde teve uma experiência assustadora. Pensando que poderia haver algum tipo de mal espiritual na casa, Rachel comprou um crucifixo para a parede, mas o objeto religioso caiu estranhamente várias vezes e ela terminou por guarda-lo no fundo de uma gaveta. Desde que chegou à casa nova Rachel não tinha uma boa impressão de uma árvore no jardim da frente. Ela soube, por uma vizinha, de que anos atrás um rapaz havia se enforcado nela, fato que, na época, chocou a vizinhança. Rachel acreditou que talvez as coisas melhorassem se mandasse rezar uma missa pela alma do rapaz suicida e pediu ao padre da paroquia local para benzer a casa. Mas no dia de benção da casa o padre depois de subir ao segundo andar da casa desceu rápido e parecendo assustado e com medo se apressou em deixar a casa.


O Monstro debaixo da Cama


Capítulo Três

Numa tarde Rachel chega ao jardim da frente e vê sua filha, Trish, brincando de se pendurar na árvore. Ao ver a cena Rachel congelou por uns segundos, aterrorizada.

 A pequena Trish viu a mãe parada à porta da frente da casa.

“Oi, mamãe” – disse e sorriu.

Rachel correu em direção à filha, gritando em pânico.

“Sai daí, Trish! Sai daí agora!”

“Eu só estou brincando na árvore...”.

“Vai pra dentro! Vai e fica lá! Não chega mais perto dessa árvore! Fica dentro de casa e não volta para cá!” – Rachel gritava com a menina.

Trish, chorando, saiu correndo assustada para dentro de casa.

Rachel, depois de a menina entrar, sentou-se na escadinha da varanda, onde ficou por um longo tempo tentando se acalmar. Ela começou a pensar que o espírito do suicida, de alguma forma, atraiu a menina. Imaginava que se não tivesse interrompido a brincadeira... Trish poderia ter caído e batido com o pescoço...
Com esses pensamentos Rachel, nervosa, chorava descontrolada.

***

“Rachel, o que houve à tarde? Trish se queixou que estava brincando sem fazer nada de errado no jardim até que você chegou e começou a gritar com ela” – perguntou Sean à esposa naquele dia à noite.

Rachel relatou ao marido que perdera o controle entrando em pânico ao ver Trish se pendurar na árvore, e só então relatou ao marido o que soube, pela vizinha, sobre o suicídio cometido naquela árvore.

“Mesmo que isso tenha acontecido é só uma árvore! Deveria, se não queria Trish perto dela, tê-la advertido previamente! O que não tem cabimento é que você, sem nenhuma explicação para a garota, tenha sido tão energética com ela, como me pareceu ao ouvir a queixa dela! Nós cortamos a árvore. Pronto!” – respondeu Sean

“Sean, quero que nos mudemos daqui” – disse Rachel.

“Você está maluca, Rachel? Nós investimos todo nosso dinheiro na aquisição dessa casa! Além do mais, ela é perfeita, como sempre quisemos!” – respondeu o marido.

“Ela é assombrada!” – retrucou a esposa.

“Percebe o absurdo que está dizendo? Casa assombrada?”

“Não é absurdo! Um rapaz se matou naquela árvore! Eu não sonhei aquilo do porão! E eu vi! Eu vi algo lá embaixo! Tentei por um crucifixo na parede da sala e ele foi atirado da parede contra a porta da frente! E Trish diz ver um “monstro” no quarto dela! E tem os desenhos que ela fez na escola...”.

“Que crucifixo? Que desenhos?”

“Não cheguei a te contar. Eu o guardei o crucifixo no fundo da gaveta do móvel da sala. E a professora dela me perguntou o que ela tem assistido na TV, por causa do monstro nos desenhos...”.

“Pelo amor de Deus, Rachel! Você está tendo fantasias! Você pendurou mal o crucifixo no máximo! E é normal uma criança desenhar monstros! Ela inventou esse monstro para chamar a atenção, deve ser isto!”

“Não estou fantasiando, Sean! E o padre? No dia em ele veio benzer a casa ele saiu assustado e com medo daqui!”

“Tudo isso é fantasia sua! Não vamos nos mudar! Não tem cabimento!”

“Eu e minha filha não vamos mais morar aqui!”.

***

Uma noite Sean chegou cansado do trabalho, tomou banho e foi se deitar.
Rachel já estava deitada. Sean se deitou ao lado da esposa – eles não estavam se falando muito devido às constantes discussões.

Trish chegou ao quarto dos pais e Rachel disse: “Vem, filha, pode deitar aqui”.
Sean se virou para o lado contrariado, pois Rachel insistia em deixar Trish dormir com eles.
Como a menina se mexia muito, vez ou outra acertando uma ‘joelhada’ em Sean, ele se irritou. Levantou-se, apanhou o travesseiro e disse: “Quer saber? Vou dormir no quarto da Trish!”.

Rachel não deu atenção ao marido, que se dirigiu ao quarto da filha, esbravejando reclamações pelo caminho.


Continua...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O Monstro debaixo da Cama - cap 2


Um jovem casal adquiriu uma casa e se mudou com a filha, que começou a se queixar de que em seu novo quarto havia um “monstro debaixo da cama”. Uma noite a mãe pensou ter visto a filha chamar à porta do quarto e desceu até o porão, onde teve uma experiência assustadora...



O Monstro debaixo da Cama


Capítulo Dois

No dia seguinte Rachel conversava com o marido sobre a estranheza do que acontecera na noite anterior.

“Você deve ter sonhado aquilo, querida” – disse Sean.
“Mas, Sean, eu fui até o porão...”.
“Querida, você disse que a Trish te chamou e você a seguiu, mas a menina só foi ao nosso quarto depois! E não me parece plausível que houvesse algo como uma fera de olhos brilhantes no porão! Acho que você teve uma crise de sonambulismo! Eu me lembro de que seus pais, uma vez, comentaram comigo que você quando era criança, em duas ocasiões, se levantou e saiu andando dormindo!”.
“Mas...”.
“Essas coisas acontecem! Você deve ter se levantado dormindo! E que explicação melhor teria para você ter visto a Trish te chamar e essa coisa no porão?”

Mas Rachel não concordava com Sean. Havia a sensação com a árvore, o medo de Trish à noite e aquele episódio estranho no porão! Rachel começou a acreditar que havia algum tipo de mal espiritual na casa. Pensando nisso, um dia, depois de haver deixado Trish na escola, Rachel passou em uma loja que vendia artigos religiosos e chegou com um crucifixo de madeira. Ela colocou um prego na parede da sala e ali pendurou o crucifixo. Em seguida foi cuidar dos afazeres da casa.

Enquanto estava na cozinha, Rachel viu, pela janela, uma bola cair em seu quintal. Alguns instantes depois um grupo de quatro ou cinco crianças chegaram à cerca da casa, procurando a bola. As crianças ficaram olhando por um tempo a bola no quintal e foram embora. Rachel estranhou. As crianças pareceram ter medo de pegar a bola. Ela, então, resolveu ir até lá, gritar as crianças e entregar a bola.

Quando passava pela sala, para ir ao quintal, ela viu o crucifixo caído no chão. Ela o apanhou e foi verificar se o prego havia caído, se ela o pregou mal. Ela achou estranho. O prego estava no lugar e não havia nada errado com o crucifixo também. Ela recolocou o crucifixo no lugar e foi até o quintal. Lá chegando já não avistou as crianças. Jogou a bola para a rua e voltou para dentro de casa.

Ao entrar na sala o crucifixo estava novamente caído no meio do chão. Ela ficou parada alguns minutos olhando o objeto caído. As estranhas quedas do crucifixo a deixaram apreensiva. Dessa vez ela o pegou e deixou sobre um móvel da sala, e voltou para a cozinha terminar seus afazeres.

Depois de algum tempo ela se assustou com um barulho na sala. Ela foi até lá e viu o crucifixo caído perto da porta, como se tivesse sido arremessado contra ela! Não o apanhou imediatamente, não retornando à sala nas horas seguintes. Mais tarde, antes de Sean chegar, ela apanhou o crucifixo e o guardou no fundo de uma gaveta de um móvel da sala.

Rachel e o marido sempre foram um casal muito amoroso, mas nos últimos dias estavam se irritando um com o outro muito facilmente. Passaram a discutir por coisas de pequena ou nenhuma importância. Um dos motivos de desacordo era sobre Trish dormir ou não no quarto dela. Sean queria que a menina se acostumasse ao quarto, já Rachel, movida pela sensação de haver algum tipo de mal espiritual na casa impunha que Trish continuasse dormindo com eles.


Desde a mudança Sean e Rachel não tiveram muito contato com os novos vizinhos, criam que fossem apenas uma vizinhança reservada. Mas depois de algum tempo Rachel passou a ter contato com a vizinha da casa ao lado quando ambas cuidavam de seus quintais.
Rachel relatou a essa vizinha, já uma senhora, o caso das crianças que ela ter estranhou não terem apanhado a bola que estava tão acessível, próxima à calçada.

A vizinha hesitou um pouco, mas respondeu – “Sabe como são as pessoas aqui de Nova Orleans! Há muito tempo aconteceu algo muito lastimável na casa que hoje é de vocês. Isso foi há anos e ela ficou desocupada desde então. E criaram-se algumas superstições em torno dela. As crianças teem medo dela...”.

O olhar de Rachel se tornou interrogativo, e a senhora prosseguiu – “Houve um rapaz, era jovem, jovem e bonito, de muito boa aparência. Ele, pode-se dizer, tinha tudo, tudo o que um jovem da idade dele poderia sonhar em ter! Por isso chocou ainda mais quando... Bem, ele cometeu suicídio. Ele se enforcou nessa árvore grande à direita da casa”.

Tratava- se da árvore da qual Rachel sempre teve uma impressão estranha.

A vizinha prosseguiu – “Os pais se mudaram poucos dias depois da morte do rapaz. Eu acredito que era insuportável para eles estarem na casa em que conviveram com o filho”.

“Entendo” – respondeu Rachel e não mencionou nenhum dos fatos estranhos que vinham acontecendo.

Rachel passou a entender que sua “cisma” com a árvore não era sem razão. Aquele rapaz, de quem a senhora da casa ao lado contou, fora morador da casa e cometera suicídio naquela árvore. Começou a acreditar na possibilidade de que a alma do suicida estivesse presa à casa e que teria relação com os medos de Trish e o episódio do porão, assim como do crucifixo. Afinal, ela sabia pelo catecismo, que almas de suicidas não encontram descanso. Talvez se mandasse rezar uma missa pela alma do rapaz e um padre viesse benzer a casa as coisas melhorariam.

Padre Reno, padre da paroquia mais próxima, a qual Rachel passara a frequentar desde a mudança, chegou a casa do casal Robinson para benzê-la a pedido de Rachel.
Padre Reno era um páraco muito simpático, fora muito solicito quando Rachel lhe pediu que abençoasse a nova casa e naquela tarde exibia sua simpatia habitual ao chegar.

Sean e Trish não estavam. Sean havia levado a filha para passear. Rachel achava que o melhor era que o padre tivesse sossego para fazer a benção.

Padre Reno colocou sua estola sacerdotal e começou o rito de benção da casa, aspergindo água benta e rezando em todos os cômodos.

Rachel não disse nada ao padre sobre o medo que a filha tinha de ficar sozinha no quarto, ela queria ver se o padre mencionaria algo especial sobre o quarto de Trish.

Tudo se procedia dentro da normalidade até que o padre pediu licença para subir e benzer o segundo andar. Rachel permaneceu na sala, no primeiro andar, esperando.

Mas o padre não demorou muito no andar de cima. Ele voltou logo. Estava pálido e suando.

“Eu já terminei” – disse o padre e começou a guardar apressadamente as coisas em sua maleta.

“O senhor aceitaria tomar o café da tarde? Um chá ou café?” – perguntou Rachel. Mas Reno se esquivava, dizendo que precisava ir, pois, estaria atrasado para vários compromissos que ainda tinha naquela tarde.

“Nos vemos na paroquia na missa de domingo!” – respondeu Padre Reno e deixou apressadamente o local.

Rachel percebeu que os supostos compromissos do Padre Reno não passavam de escusas. Ele estava nitidamente assustado.
O que quer que tenha acontecido no segundo andar ou o que quer que o padre tenha encontrado lá o afugentara.


Continua...



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O Monstro debaixo da Cama - cap 1



Quando criança você já teve certeza de que havia um monstro embaixo da cama? Já sentiu medo de ficar sozinha/o no seu quarto e quis dormir com os pais na cama deles?

Não se deixe enganar pelo título do conto! Às vezes, essas coisas são mais do que simples medos infantis...

É o caso de Trish!

E a história que começo a contar aqui hoje em:



O Monstro debaixo da Cama



Capítulo Um

Aquela casa era a casa dos sonhos de Rachel! De fato, era uma linda construção em estilo vitoriano, cercada por um bonito quintal e fora muito bem reformada. Sean, marido de Rachel, funcionário público, há tempos fazia economias e o casal Robinson investiu todos os seus recursos financeiros adquirindo a propriedade no bairro Highlands ao norte do distrito histórico de Lower Highland em Fall River.

O jovem casal, com a filha de oito anos, Trish, se mudou para a nova casa. 

“Não gosto daquela árvore, querido” – disse Rachel ao marido sobre uma das árvores do quintal.
“O que há de errado com ela? É como as outras!” – ele respondeu.
“Não sei, Sean, ela não me dá uma boa sensação”.
“Isso é impressão sua, querida, deve ser a mudança”.

A pequena Trish agora teria seu próprio quarto, que, assim como o dos pais, ficava no segundo andar da casa. Trish estava contente pelo quarto, que foi decorado com muito capricho ao gosto da menina.

Mas na primeira noite em que Trish dormiria em seu próprio quarto ela apareceu no quarto dos pais no meio da noite.

“Posso dormir com vocês?” – perguntou a filha.
“Filha, agora você já tem oito anos e seu próprio quarto!” – respondeu Rachel, a mãe.
“Mas estou com medo, mamãe”. 
“Não tem do que ter medo, filha” – respondeu Sean, o pai.
“Tem sim! Tem um monstro debaixo da minha cama!”
“Não há nada debaixo da cama, Trish!” – respondeu o pai.
“Sean, vamos deixa-la dormir conosco só hoje, ainda é novidade para ela!” – Rachel disse ao marido.
“Está certo, mas amanhã você passa a dormir no seu quarto!” – Sean disse à filha.

Na noite seguinte Trish, novamente foi ao quarto dos pais.

“O que houve, filha?” – perguntou mãe.
“O monstro está debaixo da minha cama de novo!”
“Trish, não existem monstros que fiquem debaixo de camas! Isso não é uma desculpa sua para dormir com a gente?” – disse o pai.
“Ele está lá sim!”.

Rachel se levantou e foi com Trish até o quarto.

“Está vendo, filha? Não tem nada aqui debaixo da cama! Você pode, como uma mocinha de oito anos, dormir em seu quarto!” – disse Rachel.
“Você fica aqui comigo?”
“Vamos fazer assim, eu fico aqui até você dormir, tá bom?”

Trish concordou e depois da menina adormecer, Rachel voltou ao quarto do casal.

“Ela dormiu” – relatou ao marido.
“Ela tem que se acostumar” – respondeu Sean.

Algum tempo depois da mãe deixar o quarto Trish acordou. Sentiu medo por estar sozinha no quarto, tinha certeza de que o monstro estava debaixo de sua cama. Mas ficou sem jeito de tornar ao quarto dos pais. A menina puxou bem a coberta e abraçou firme a boneca.

“Henrietta, você que tem que ser minha companhia” – disse à boneca.

Mas algo parecia mover-se debaixo da cama. O medo foi aumentando até que Trish começou a gritar de medo, só cessando quando a mãe chegou ao quarto e acendeu a luz.

“O que houve, Trish?” – perguntou Rachel.
“É o monstro, mamãe!”
“Mas nós já... Tá bom! Vem, vamos dormir lá com a gente”.

E Trish, mais uma vez dormiu com os pais.

* * *

Rachel, que cuidava do jardim, no quintal da casa nova, observava a árvore da qual não tivera desde o primeiro instante uma boa sensação. Para Rachel parecia haver um sentimento melancólico em torno da árvore, mas Sean deveria ter razão, era coisa da cabeça dela.

Todas as noites Trish acabava indo ao quarto dos pais, queixando-se do tal monstro debaixo da cama.

Numa noite Rachel acordou e viu, contra a luz, uma sombra de menina à porta do quarto.

“Trish?”
“Vem comigo, mamãe! Quero te mostrar uma coisa!”.
“O monstro de novo?”.
“Vem! Quero te mostrar!”.

Sean ameaçou acordar.

“A Trish?” – perguntou à esposa.
“Vou ver o que ela quer”

Ao chegar à porta Rachel ouviu som de descendo as escadas e risos da garota. Rachel desceu seguindo os risos traquinos.

“Filha! Não é hora pra isso! Todos temos que dormir”.

E seguiu os risos até a cozinha, e à porta do porão.

“Filha, não é hora dessas brincadeiras, nem de ir ao porão! Nós nem arrumamos o porão ainda, deve estar muito sujo...”.
“Vem, quero te mostrar!”

Rachel desceu a escada do porão, tateava a parede procurando onde se acendia a luz, ao mesmo tempo em que firmava a vista tentando enxergar a filha. Quando a porta do porão se fechou sozinha. Rachel sentiu calafrios, subiu os degraus e tentou, sem sucesso, abrir a porta. Deixou de ouvir a voz da filha e passou a ouvir uma respiração forte e pesada. Rachel tentava abrir a porta, mas estava emperrada.

“Trish?” – chamava pela filha sem resposta.

Nesse momento Sean acorda com a filha chamando.

“Papai!”
“Trish?” – Sean sonolento perguntou e estranhou a filha ali sem a presença de Rachel.
“O que faz aqui? Cadê a sua mãe? Ela não desceu com você?”
“Não, papai! Eu estava no meu quarto, sozinha com a Henrietta” – Trish se referia à boneca Henrietta – “Estava com medo, agora que o monstro saiu eu aproveitei para vir aqui”.

No porão Rachel, sem resposta, chamava pela filha, enquanto tentava, sem conseguir, abrir a porta. O som da respiração pesada dava lugar a uma espécie de rosnar. Rachel sentia muito medo de olhar para trás e do que pudesse estar ali. Mas ela olhou e viu dois horríveis olhos vermelhos brilhando na escuridão. Entrou em desespero e começou a socar a porta e a gritar.

Nesse momento Sean e Trish chegavam à cozinha. Quando Sean ouviu as batidas correu até a porta, que se abriu facilmente quando ele experimentou a maçaneta.

Rachel se atirou nos braços do marido e o abraçou forte. Ofegante viu a minha e se sentiu como quem despertava de um pesadelo.

“Que diabos foi isso, Rachel?” – Sean perguntou à esposa
“Não sei, eu pensei ter... Como você a abriu? Estava trancada! Ela bateu e trancou...” – respondia Rachel ao mesmo tempo em que ver a filha ali com o marido lhe fazia sentir confusa.

“A porta deve ter batido com alguma corrente de ar e emperrou. Essa casa é antiga, se lembra? Não devem ter trocado a porta do porão, apenas pintado” – disse Sean.

Continua...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A Outra no Espelho


Alguma vez você já teve um pesadelo e depois voltou a sonhá-lo de forma idêntica?
Você alguma vez já olhou bem para a sua imagem no espelho?
Todos olham diariamente para espelhos, mas alguma vez você já olhou bem nos olhos da imagem refletida no espelho?
Já a observou a ponto de notar como, estranhamente, parece ser outra pessoa?
Já sentiu como se seu reflexo no espelho fosse outra pessoa?
Annie já.



A Outra no Espelho



Annie se levantou da cama, e, ao passar pela porta do quarto e chegar ao corredor, se deparou com alguém tão estranha quanto inesperada! Outra garota – idêntica a ela, “outra Annie”! 
Annie, perplexa ficou parada olhando para a outra igual a ela por segundos que lhe pareceram imensos. A outra mantinha seu olhar inamistoso fixo em Annie, que sentiu um medo frio subir-lhe pela coluna. Repentinamente a outra agarra, segurando firme, o antebraço de Annie. Uma sensação de pavor e desespero toma conta de Annie que dá um grito horroroso... e acorda.

Annie vê que está em seu quarto e que o estranho encontro não passou de um pesadelo. O coração ainda pulsa forte. Annie procura se acalmar, afinal, foi só um sonho ruim. Ela volta a se deitar e a dormir.

O dia seguinte e os demais seguem sem nada fora do normal. 

O estranho pesadelo retorna à memória de Annie várias vezes.

Na semana seguinte Annie tem o mesmo pesadelo! Tudo se repete de forma idêntica. 
Ela acorda gritando e, depois de se acalmar, volta a dormir.

Novamente os dias voltam a passar sem que nada muito fora do normal aconteça. Porém nas semanas que se seguiram Annie volta a ter o mesmo pesadelo, que se torna cada vez mais constante. 

Até que...

Em uma noite em que o pesadelo, mais uma vez se repete, Annie acorda, como sempre, com o coração pulsando forte pelo pavor que sentiu no pesadelo.

Mas dessa vez ela não volta a se deitar. Não consegue se acalmar, seu coração continua disparado. A repetição do sonho tem sido um fardo inconfesso.

Ela se levanta da cama, passa pela porta do quarto, chegando ao corredor, local onde, no sonho, se encontra com a outra, que é igual a ela. Ela corre o olhar pelo corredor, se detém um pouco e segue até o banheiro para lavar o rosto. Ela enche as mãos de água, levando até o rosto. Então se olha no espelho e começa a se acalmar. Pensando sobre o que aquele sonho poderia significar, ela observa a própria imagem refletida no espelho. Fica por algum tempo olhando, sente-se estranha quanto ao seu reflexo, sente-se como se observasse outra pessoa. Ao mesmo tempo não consegue deixar de olhar para o espelho. Fitando os olhos da sua própria imagem refletida, Annie começa a sentir medo, como no pesadelo. A imagem lhe parece ser outra pessoa, outra dela mesmo, mas uma Annie que não é boa. Ela fica observando por um longo tempo até que começa a acreditar que a imagem poderia fazer algum movimento, sem que ela o fizesse, como algo que possuísse vida própria. Annie se sente incomodada. Pondera que o modo como se sente em relação à imagem é besteira e que se sente assim por ter acabado de acordar daquele estranho sonho.

Quando Annie iria deixar o banheiro, subitamente e muito rápido a outra estica o braço para fora do espelho, agarrando com muita força o antebraço de Annie, e começa a puxá-la para dentro do Espelho. Annie tenta resistir enquanto grita. Gritos horrendos, gritos que gelariam a alma de quem os ouvisse. Mas ninguém os ouviu assim como ninguém tornou a ver Annie.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Íncubo


Essa é uma data muito especial para este blog, pois, hoje ele completa quatro anos!

Eu me sinto muito feliz com a data, mas hoje não farei um post sobre o aniversário do blog (talvez o faça nos próximos posts).

Hoje quero te oferecer uma história curta que escrevi, intitulada “Íncubo” (talvez eu escreva Íncubo 2), espero que você goste!

...beijinhos***






Carl? – admirou-se Deanna ao acordar e ver o marido, que trabalha como vigilante noturno, ao lado da cama.
- Oi, querida! Não assusta! Eu me confundi com a escala de serviço e quando cheguei lá o Paul que estava de serviço hoje e não eu. Então voltei.
- Ah! – Deanna ainda sonolenta.
- Eu ia para o trabalho já com saudade de você, uma vontade de ter ficado em casa! Sabia?
Deanna se agradou e sorriu. Fazia tempo que Carl não dizia tais coisas.

Ele começou a beijá-la
- Voltou animado! – Deanna comentou.
O casal começou a trocar carícias... Carl estava mais fogoso do que de costume...
- Sentiu saudades mesmo! – ela, gostando, comentou.
Deanna se sentia muito estimulada e Carl tinha a “pegada” como nos tempos de namoro. Naquela noite se amaram ardentemente.

Deanna voltou a dormir, agora nos braços de Carl...

Ao acordar, Deanna se sentiu muito cansada, sem forças... como se a relação na madrugada lhe tivesse sugado as energias...
Tateou a cama procurando pelo parceiro, sem encontrá-lo.

- Ele deve ter se levantado já! – ela pensou.
Ela quis ir até a cozinha, imaginando que Carl estaria lá, talvez preparando o café, mas sentia-se tão esgotada que permaneceu sentada.
- Carl! – chamou, sem resultado. Então se deitou e voltou a dormir.

Meia hora depois, Deanna acorda com Carl chegando do trabalho, e ele se põe a comentar como fora o serviço.
Confusa, Deanna não perguntou pela visita noturna. Manteve-se calada pensando sobre com quem, ou com o que, tivera relações naquela noite.