terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Última Noite - cap 3



Capítulo Três
“Bem-vindo a Little Town”

(Trilha sonora do terceiro capítulo: Welcome to Hell – Venom)

O carro do grupo de amigos (Bud, Joey, Aaron, Amber e Ellen) passou pela placa que indicava que entravam nos limites da cidade de Little Town. Alguns quilômetros depois a estrada passava entre grandes plantações.
De repente alguém saiu do meio das plantações atravessando a estrada, correndo pela frente do carro. “Cuidado!” – berrou Amber. Bud institivamente tentou frear e virou o volante. O carro derrapou, de modo que Bud perdeu o controle do veículo que só parou após bater em uma pedra, afundando a frente do carro.
O grupo desceu para averiguar o estrago.
Maldito filho da puta! – xingou Bud – Olha o que o maldito caipira fez! Se eu pego aquele desgraçado!
Quem atravessara na frente do carro, provocando o acidente sumira dentro das plantações.
– Bud, a pancada ferrou o radiador! – disse Joey.
– Vai, vai, vai! Desce todo mundo! – Bud gritou para os demais.
– Vamos levar o carro para o acostamento. Talvez a cidade não esteja muito distante, faz algum tempo que passamos por uma placa de “Bem-vindo à Little Town” – disse Joey.
– Não vamos deixar o carro aqui nesse nada! Vamos empurrá-lo até a maldita cidadezinha! – disse Bud.
– A gente tem que empurrar também? – perguntou Ellen. Bud esfregou a mão pelo rosto.
– Vocês meninas vão andando e nós empurramos – respondeu Aaron.
– Eu ajudo – disse Amber.
– Mas antes deixa eu pegar o protetor solar que está nas nossas coisas de praia no porta-malas, esse sol vai me marcar toda! – disse Ellen.

Seguiram empurrando o carro, enquanto Ellen caminhava próximo.

Após pouco mais de um quilometro chegavam à cidade. (sem que Ellen tivesse ajudado a empurrar).

Passaram por alguns grupos de pessoas, que observavam em silêncio os forasteiros.

O grupo de amigos cochichava entre si.

– Todos aqui usam essas roupas? – disse Bud
– Parece que sim... Parecem roupas de mórmons! – comentou Joey.
– Será que são todos de alguma religião? – questionou Amber.
– Reparei uma coisa, não tem ninguém que seja negro nessa cidade! – disse Aaron.
Bud achou graça e comentou – Que foi, Aaron, está com medo que sejam da Ku Klux Klan?
– Isso não tem a menor graça, Bud! – disse Amber.
– Mas estamos no Sul, e, sabe o povo aqui costuma ser racista, talvez seja por isso que aquele velho do posto de gasolina tenha olhado tanto para você!
– Ali! Uma oficina de carro! – alarmou Joey, interrompendo a conversa.

Levaram o carro até a oficina. Um homem alto e gordo, com o topo da cabeça careca e cabelo comprido desleixado dos lados, e que vestia uma camiseta branca, suja, completamente suada e colada ao corpo, apareceu vindo em direção ao grupo, enquanto limpava as mãos sujas de graxa em um pano. Ellen se mantinha afastada, olhando enojada para o repulsivo mecânico.

– O senhor pode dar uma olhada no nosso carro... Tivemos um acidente... O radiador... – dizia Joey.
O homem gordo levantou o capô para olhar.
– De onde vocês são? – perguntou o gordo, interrompendo Joey.
– Do Norte... Viajávamos para as praias... – continuou Joey, sendo novamente interrompido pelo mecânico:
 – Vai levar três dias pra ficar pronto!
– Pera aí! Três dias? – questionou Bud se alterando. – Mas acho que foi só o radiador...
– Você acha, né? Você é mecânico? Pode consertá-lo sozinho? Pensa que eu fabrico peças aqui? Ou que se encontra peça nessa cidade sem que se tenha que mandar buscar? Pagamento adiantado e voltem em três dias ou arrastem essa lata velha para longe da entrada da minha oficina e não me façam perder meu tempo com vocês!

Bud intimidado engoliu tudo o que o homem gordo falou. Os rapazes fizeram uma “vaca”, que implicou em quase todo o dinheiro que tinham e pagaram ao mecânico.

– Em que bela merda nos metemos! – bravejou Bud – Três dias presos nessa porcaria de cidadezinha caipira!
– Talvez tenhamos algo para fazer, olha ali, tem uma placa que indica praia, estamos de qualquer forma no litoral, talvez a praia daqui seja boa... Quem sabe até melhor que nosso destino original... Talvez tenha um hotel bom... – dizia Joey.
– Hotel bom? Com a miséria de dinheiro que nos sobrou?! Aquele mecânico filho de uma puta nos furou os olhos pelo conserto do carro!
Ellen que só observava a cidade sem dar palpites na conversa, reparou em especial em um rapazinho em um dos grupos pelos quais cruzaram, e comentou assanhadamente – Até que alguns desses caipiras são gatinhos!
O rapazinho em que ela reparou, olhou para ela de forma simpática, e ela sorriu para ele de volta, dando um “tchauzinho”.
– Fica frio, deve ter uma pousada, albergue, algum lugar barato! Vamos procurar enquanto é cedo. Depois de deixarmos nossas coisas lá, a gente confere a praia! – disse Joey.
– E vamos ver algo pra comer, estou morrendo de fome – disse Amber.
– Ou algo para beber – pra relaxar! – disse Bud.
– Vamos primeiro procurar um lugar para comer, as meninas estão com fome – disse Joey.
– Se quiserem vão atrás da comida de vocês eu preciso de um trago! E... Ei, olhe ali! Tem um bar! Talvez nem todos aqui sejam “mórmons” – respondeu Bud, atravessando a rua.
– Depois de comermos vamos ver a praia daqui! Ok? – Joey gritou para Bud, sem obter resposta.
– Deixa ele pra lá! – disse Aaron.



sábado, 10 de janeiro de 2015

A Última Noite - cap 2



Capítulo Dois
‘Ela tem o toque mágico’


(Trilha sonora do segundo capítulo: Magic Touch – Kiss)


Muitos anos antes...

O casal Jimmy e Amanda começou a lidar com fatos muito estranhos quando a filha deles, Becky, tinha quatro anos de idade. Pedras caiam frequentemente sobre a casa, sem que se fosse possível identificar de onde vinham. Por vezes tal fenômeno se constituía em uma verdadeira chuva de pedras.
Certa vez ao chegar à porta do quarto da menina, Amanda viu os brinquedos flutuando no ar e Becky sentada no chão. De fato, Becky os fazia flutuar, ligava tevê ou o aparelho de som com o pensamento.
Mas com o passar dos anos tais fenômenos cessaram. E Becky sequer tinha lembrança das antigas habilidades.
Quando se tornou adolescente, Becky passou a conviver com estranhos e terríveis pesadelos.

No sonho ela se via em um lugar alto, como uma pequena montanha, ou algo parecido. Onde era cercada por demônios horríveis e sentia muito medo vendo-os se aproximar. Então ela reparava um desenho no chão – um círculo contendo em seu interior uma estrela de cinco pontas, um pentagrama. Os demônios não podiam transpor a linha do círculo. Então surgia à sua frente um homem alto e encapuzado, de quem não lhe era possível ver a face. O encapuzado dizia: “Derrame o meu sangue”. Só então se dava conta de que estava segurando um estranho punhal. Então ela se aterrorizava com o pedido do homem e acordava gritando.

Alguns anos depois, Becky passou a se interessar por Wicca – uma religião neopagã influenciada por crenças pré-cristãs e práticas da Europa ocidental que afirma a existência do poder sobrenatural. Entendia que o pesadelo que se repetia frequentemente tinha significados que precisava desvendar. Entendia que o sonho revelava que o pentagrama – um dos símbolos sagrados da Wicca – era o símbolo que a protegia.
Amanda desaprovava o interesse de Becky por tal religião, por razões que a filha desconhecia. Dizia à filha que não deveria se envolver com bruxaria. Becky definia a oposição da mãe como “ignorância, oriunda de uma visão demonizada criada pelo cristianismo das crenças pagãs”.
Certo dia, mexendo em coisas antigas no sótão, Becky encontrou um cordão com pingente de pentagrama. Pediu o cordão à mãe – Amanda se viu sem ter como negar o pedido, explicou tal pingente como “coisa antiga de quando eu comprava tudo que parecesse coisa de roqueira”, sem explicar a real origem de tal cordão.
O cordão de pentagrama completou o visual de ‘bruxa wiccana’ de Becky, que se vestia sempre com vestidos pretos longos, botas e maquiagens pretas; e usava cabelo longo pintado de preto, contrastando com sua pele muito clara.
Becky se abarrotou de livros sobre magia e bruxaria. Ao praticar exercícios mágicos propostos em seus livros, Becky começou a fazer objetos levitarem. Isso aumentou seu entusiasmo com a bruxaria – aquilo era real! Escondia da mãe opositora sua habilidade supostamente adquirida com a prática wiccana, pois desconhecia que tais dons lhe eram naturais quando da idade de quatro anos.

***

Chase acordou com uma pedra que acertou o vidro da janela de seu quarto, no segundo andar da casa de seus pais. Ele levantou e abriu a janela para ver o que havia. Ao abrir a janela viu sua namorada, Becky no jardim.

“Becky?” – disse em voz baixa para evitar acordar os pais.
“Chase, desça aqui!” – respondeu a namorada.
“O que há?”
“Desça logo!” – Becky disse impaciente.
“Está bem!”.

Chase vestiu-se apressadamente e foi ter com Becky no jardim.

“Becky, o que há? São três da manhã!”
“Pegue o seu carro, preciso que você me ajude. Eu explico no caminho”.
“Ah! Está bem! Eu vou avisar...”.
“Avise depois do caminho!”.

No carro:

“Preciso que me leve para uma cidade chamada Little Town” – disse Becky.
“Está bem, Becky, está bem! Vou programar o GPS!”.

No caminho:

“Por que essa urgência no meio da madrugada?” – Chase perguntou.
“Estou saindo escondida de casa. Você não vai acreditar no que vou te contar”.
“Por que vamos para essa cidade?”
“Uma coisa de cada vez, Chase!” – Becky respirou fundo – “Você sabe da situação do meu pai!” – Becky se referia à doença renal que Jimmy vinha sofrendo e estava internado, necessitando de transplante. – “Eu procurei o hospital para o exame de compatibilidade e...” – Becky se interrompeu e tornou a respirar fundo, seus olhos lacrimejaram.
“Ei, meu amor, o que houve” – Chase perguntou afagando a namorada com um cafuné.
“Eu não sou filha do meu pai” – Becky respondeu. Chase não soube o que dizer, a namorada prosseguiu “Confrontei minha mãe a respeito! Ela me disse que casou grávida de outro! Ela não tinha o direito de me ocultar isso por vinte e cinco anos!”.
“Ela falou algo sobre seu pai biológico?” – Chase estava surpreso e desconcertado.
“Ela não quis falar muito! Disse que era muito boba e inocente e havia se deixado seduzir por um rapaz de nome Brett, com quem perdeu a virgindade. E depois este se revelou ser muito perigoso e tentou mata-la”.
“Como?” – Chase disse muito admirado.
“Tem muito mais! Disse que foi salva desse Brett e os amigos deles por um homem mais velho de nome Bryan Lempke”.
“Você tinha razão, é difícil acreditar...”.
“Não me interrompe, Chase! E agora fica “melhor” ainda! Ela disse que transou com esse Bryan Lempke! Disse que depois de ter sido resgata por ele, se sentiu como tendo um herói e que tanto vez que acabaram tendo relação! Só que na manhã esse Bryan havia desaparecido! Disse que depois disso voltou para a cidade, pois tais eventos aconteceram nessa Little Town. Já grávida de mim, começou a namorar o meu pai, o Jimmy...”.
“Mas seu pai, o Sr. Jimmy, sabia da gravidez?”
“Sim, mas que decidiram me criar como filha legitima deles... E não quis me falar melhor sobre o que aconteceu entre ela, o tal Brett e tal Bryan... Me disse que o Brett morreu na noite em que ela foi salva pelo tal Bryan... E que eu não deveria jamais procurar pelo tal Bryan ou pela família do tal Brett! E um desses dois é o meu pai verdadeiro!”.
“Errr... E aí?”
“E aí? Aí ela chorou e chorou, me implorou que não procurasse meu pai biológico... E estamos aqui!”.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A Última Noite - cap 1




Capítulo Um
 'Autoestrada para o Inferno'


– Ei, Bud, faz tempo que não vejo um posto de gasolina – disse Joey, que estava no banco do carona.
– Pra dizer a verdade, faz tempo que não vejo nada nessa estrada, além do nosso carro – complementou Amber, lá do banco de trás.
– É mesmo, cara, desde a última saída, lá atrás, só tem a gente na estrada – disse Joey.
– Tá legal, só nós estamos indo para as praias! E no próximo posto eu completo o tanque – respondeu Bud, que estava ao volante.
– Será que a gente não tá no caminho errado? – questionou Amber.
– Não! Essa é a porra da interestadual! – Bud respondeu ríspido.
Ellen, que também estava no banco de trás, parou de se olhar no espelho e observou a estrada, em seguida perguntou – Falta muito ainda?
– Só mais alguns quilômetros e vamos estar no próximo estado! – respondeu Bud.
– Sei lá, eu não gosto muito desse trecho da estrada! Só essa estrada reta atravessando o deserto – disse Amber.
– É só um deserto, só isso! – Bud respondeu sem paciência.
– É, e logo estaremos nas praias, com o mar e areias cheias de gatas de biquíni! – disse Aaron, que estava no banco de trás, com as meninas.

– Ei, ali adiante tem um posto – disse Joey.
– Beleza, vamos parar nele para abastecer – disse Bud.

Entraram com o carro no velho posto, parando próximo às bombas de gasolina.

– Cadê o frentista? – perguntou Joey.
– O cara deve tá dormindo lá dentro – respondeu Bud, descendo do carro.
Joey, Amber e Aaron também desceram. Ellen aproveitou o carro parado para acertar as sobrancelhas com seu espelhinho.
Bud se aproximou dos vidros da cabine do posto procurando ver alguém lá dentro.
– Pede um refrigerante diet pra mim? – Ellen pediu de dentro do carro.
Joey olhou ao redor e comentou – Esse lugar parece abandonado!
Depois de algum tempo um velho surgiu repentinamente, vindo de trás da cabine, assustando o grupo. Amber chegou a dar um pequeno pulo para trás com o susto, levando a mão ao peito esquerdo.
O velho tinha uns poucos cabelos brancos, que saiam por debaixo de um boné vermelho torto em sua cabeça, era bastante idoso, sendo muito enrugado e tinha o olho esquerdo caído. Ele vestia camisa xadrez e calças jeans surradas.
– Opa! O senhor que atende aqui? – Joey perguntou.
Ellen espichou o pescoço de dentro do carro e torceu a boca ao ver o velho. A essa altura já havia se esquecido do refrigerante.
O velho fitou o grupo, parecia contar quantas pessoas havia. E se deteve por mais tempo olhando para Aaron, que se sentiu bastante incomodado com isso, estranhando a atitude do velho.
– O que vocês querem? – enfim perguntou o velho.
– Completar o tanque, pode ser? Tem gasolina nessas bombas, não é? – disse Bud.
Lentamente o velho apanhou a pistola de gasolina, enquanto Bud abria o capô do carro, apertando a boca em um gesto de impaciência, enquanto olhava para Joey, que deu de ombros.
– Para onde estão indo? – perguntou o velho.
– Para o próximo estado – respondeu Joey. E Bud balançou a cabeça por achar que não devia explicações a um velho em um posto de estrada.
– Vocês deveriam retornar e pegar outra estrada interestadual – disse o velho.
– Err... Nós estranhamos mesmo não ter outros carros na estrada. Achamos que teriam mais carros indo para lá... – Amber começou a dizer timidamente, quando foi interrompida pelo velho: – Esta estrada não é popular nessa época do ano! Como eu disse o melhor que vocês fazem é retornar e seguir por outra estrada! Este é o último posto antes da cidade de Little Town.
– Little Town? – perguntou Joey.
– É um lugar que vocês não vão gostar de visitar, especialmente, nesse mês – continuou o velho.
Bud balançou a cabeça perdendo a paciência – Aí, velho, faz o seu serviço e nos poupe de “conselhos”, valeu?
O velho terminou de abastecer, e Bud tirou da carteira o valor mostrado na bomba, entregando ao velho.
Todos entraram no carro.
– Seria melhor se vocês me dessem ouvidos! – o velho disse em tom de um último alerta.

Bud deu a partida, arrancando rápido com o carro, fazendo a poeira levantar. O velho frentista permaneceu olhando o carro se afastar.

Bud comentou indignado com os demais: – Dá pra acreditar nesses caipiras daqui? Voltar? Ele acha que eu vou gastar um dia a mais de viagem ou o que? E por quê?
– Ele me deu medo! – comentou Amber.
– E aquele olho caído? – comentou Ellen, torcendo a boca manifestando nojo pela aparência do velho.
– E qual é a daquele papo de “último posto antes de Little Town”? – questionou Joey.
– Deve ser algum lugarejo que essa gente daqui tenha alguma superstição idiota! – disse Bud.
– Ele me olhou de um jeito muito esquisito – disse Aaron.
– Ele olhou esquisito pra todo mundo, ele era esquisito! – disse Amber.
– Deve ser um pervertido – disse Ellen.
– Chega de falar desse velho esquisito! – disse Bud, ligando o rádio do carro. E depois de tentar sintonizar alguma estação continuou – Coloca algum CD aí, Joey!
Joey abriu o porta-luvas, pegou o primeiro CD da pilha e colocou para tocar.
Era um CD do AC/DC. Começou a tocar a música “Highway to Hell”.



Hoje meu blog completa cinco anos! 
Começou como um diário virtual/ blog pessoal e coisa de dois anos pra cá comecei a postar as histórias de terror, que se tornaram o tema predominante por aqui... 
Em 2013 escrevi “Noite Maldita” – minha ideia era criar uma história de terror trash muito clichê! E um terror clichê não seria clichê sem as intermináveis continuações – sempre com as “desculpas mais esfarrapadas” para uma sequência! 
Acho que o aniversário do blog é uma boa ocasião para eu começar a postar a última Noite Maldita! Pretendo não escrever mais nenhuma continuação – até porque com uma maldição que acontece a cada treze anos, eu iria parar em um futuro longínquo, aí teria que adicionar suposições sobre o futuro, coisas como naves espaciais... (até que não é má ideia!).

Não é preciso ter lido Noite Maldita 1, 2, 3 e 4 para entender “A Última Noite”. Mas quem quiser dar uma conferida, aqui os links dos primeiros capítulos de cada uma delas (partindo do primeiro capítulo, é só seguir ‘postagem mais recente’) – Confesso que Noite Maldita 1 continua sendo minha favorita!
Espero que você goste de acompanhar “Noite Maldita 5 – A última noite”!

...beijinhos***



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Estranho e Extraordinário


A seguinte história chegou até mim na forma de um relato pessoal.



O Lírio Branco


Sr. Antônio, um senhor idoso, e viúvo havia já cinco anos, vivia sozinho. 
Numa noite, já bem tarde, assistia tevê na sala de casa. Estava sonolento e ‘pescando de sono’, mas insistiu em continuar na poltrona de frente à tevê. 
Então Sr. Antônio teve a impressão de ver a falecida esposa passando pelo corredor em direção à cozinha. Depois tornou a pensar tê-la vista, por sua visão periférica, voltando da cozinha pelo corredor.
Antônio esfregou os olhos e disse a si mesmo – “Devo estar ficando louco” e resolveu ir para a cama.
Depois de algum tempo deitado, já quase dormindo, em estado de alfa, sentiu um peso na cama – era como alguém subindo e se deitando ao seu lado. O viúvo olhou e viu a falecida esposa ao seu lado. Como estava ‘meio dormindo’, não se assustou.

Na manhã do dia seguinte ao acordar pensou ter sonhado com a falecida esposa. Viu, então, um passarinho na janela, que assim que Sr. Antônio colocou os olhos nele, voou. Ao chegar à janela, o viúvo viu que bem debaixo da janela, admiravelmente, havia um lírio, que antes não estava ali.
Como em todos os aniversários de casamento ao longo de anos presenteava a esposa com uma flor branca, Sr. Antônio teve certeza de que fora visitado pela alma de sua companheira de toda uma vida.
Sabia que poucos acreditariam em sua história, mas conhecia um senhor famoso por “saber dessas coisas” e que lhe daria crédito. Sr. Antônio o procurou e relatou o evento. Este senhor perguntou ao viúvo se, por qualquer razão que fosse, alguma vez o casal havia dormido separado. Mediante a confirmação por parte de Antônio, o homem disse “É isso – marido e esposa unidos em matrimonio não devem dormir separados, se acontecer de dormir separado, depois da morte o marido ou a esposa, o que tiver falecido primeiro, volta para dormir com o outro! O senhor deve rezar pela alma dela”.
Como sua esposa fora muito católica, Antônio mandou rezar uma missa em intenção da falecida. Nunca mais Sr. Antônio tornou a ver a alma da falecida esposa, e preserva, com muito carinho, o lírio em seu jardim.





quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Natal Macabro 2




Michael Crandall sempre foi muito bom marido e bom pai. Levava uma vida feliz e estável ao lado de sua esposa Jessica e o casal de filhos. Michael era sempre muito amoroso com as crianças e de conduta exemplar com a esposa. De modo que ninguém esperava pelo o que aconteceu na noite de Natal. Michael desapareceu sem dar notícias.

Jessica procurou pelo marido nas listas de atendimento médico e ocorrências policiais – nada. Chegou à conclusão de que o marido, depois de todos aqueles anos, a abandonara.

“Como ele pode fazer isso com você e as crianças?” – comentava a amiga.

Mas se Michael era um exemplo de marido, Jessica era menos virtuosa. A senhora Crandall há tempos tinha lá uma queda por seu médico ginecologista, este, aliás, ajudou a procurar por Michael fazendo contato com todos os hospitais. O médico costumava investir em Jessica, mas esta, apesar de no fundo se sentir atraída pelo doutor, resistia às investidas... Mas depois do que Michael fizera, e justo na noite de Natal!

Antes do ano novo, o médico já ocupava o lugar deixado por Michael em sua bela casa, junto à sua esposa e filhos...

Antes do ano novo... Começou-se a sentir um cheiro muito desagradável na casa, mas não se descobria de onde vinha. Até que, numa noite mais fria Jessica e seu novo parceiro – o médico – resolveram acender a lareira. O cheiro se tornou muito forte, e a fumaça voltava pela lareira... O médico apanhou uma vassoura, e cutucando, investigou o duto da chaminé.

O corpo queimado de Michael caiu diante deles, morto, vestido de Papai Noel. Diante da cena do cadáver, Jessica levou a mão à boca e sentiu vontade de vomitar, a empregada tapou os olhos das crianças, e as levou para longe. O médico rapidamente buscou sacos de lixo e tratou de retirar o corpo.

Ao tentar entrar pela Chaminé vestido de Papai Noel, Michael caíra e batera com a cabeça quebrando o pescoço.

O funeral, com caixão fechado, foi triste. As crianças choravam abraçadas à empregada, que fez questão de participar do funeral de Michael, que sempre fora bom patrão. Não havia muitos amigos – Michael trabalhava demais, e vivia quase que exclusivamente para a família... Já Jessica, chorava no ombro do médico, que consolava a viúva.

“Jamais imaginaríamos! Enfim, Michael sempre foi um bom homem, bom marido e pai” – dizia, com falso pesar, o doutor.

Na noite seguinte ao dia do enterro. Jessica estava na cama com o doutor, quando ouviram barulhos na casa.

“Vou ver o que é” – disse o médico.
“Tenha cuidado, querido! Pode ser perigoso!” – respondeu Jessica
“Vou ter, não se preocupe” – respondeu o médico, apanhando um revolver, que passou a manter no criado mudo, desde que se mudara para a casa de dos Crandall.

Minutos depois, Jessica vê surgir na porta do quarto uma criatura macabra – de corpo em decomposição, coberto de terra e vermes, trapos de roupa e a face como de uma caveira humana. Jessica gritava desesperada, quando a criatura exibiu a cabeça decapitada do médico. Em seguida a criatura avançou contra ela. Com voz gutural a criatura dizia “Vagabunda! Piranha! Traidora!” – enquanto a estrangulava até a morte.

As crianças acordaram com os gritos, mas, com medo não saíram do quarto. A empregada correu para lá. A criatura, então, surge na porta do quarto das crianças. A doméstica ficou sem reação, enquanto as crianças apavoradas olhavam paralisadas de medo. A criatura passou pela empregada e se dirigiu às crianças, as abraçou e disse – “Amo vocês, meus filhos! Amo vocês, meus filhos!”.



Feliz Natal!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Histórias de Arrepiar!


Sabe o que eu adoro? Quando estamos em grupo, sejam amigos ou familiares, e alguém puxa assunto sobre “experiências com o sobrenatural”! Então cada um tem um caso para contar sobre algo “estranho” que vivenciou, ou uma história que ouviu... Melhor ainda se essa conversa – a la “Clube do Terror” – acontece à noite, que aí “dá mais medinho”...

Geralmente a pessoa tem um caso que ouviu de alguém, e ela inicia dizendo – “Minha avó/ Meu avô... conta/contava...”. Então se segue uma história incrível! Algumas são “de arrepiar”, algumas nos parecem “bobas”, algumas tem cara de que não passam de “imaginação”, ou que foram inventadas só “para botar medo” ou enfatizar algum valor...

Infelizmente essas histórias, seja pela modernidade, ceticismo..., parecem estar desaparecendo!

Em “Histórias de Arrepiar” vou contar, ou recontar histórias, relatos, casos... que chegam até mim – me permitindo, algumas vezes, o direito de “contar um conto e aumentar um ponto”.

Para começar, tenho um caso intitulado...



A Mão do Bebê


Apesar de todo amor e cuidados, o primeiro filho de uma jovem veio a falecer. Era ainda bebê de colo. A morte do bebê, claro, trouxe grande comoção àquela família simples de pequenos lavradores. A criança foi enterrada com grande pesar. O funeral e enterro aconteceram no pequeno cemitério da localidade. Como eram muito simples, não tiveram condição de pagar por um sepulcro, e a criança foi sepultada em uma cova de terra.

No dia seguinte ao sepultamento, a jovem mãe foi ao cemitério levar flores e rezar. Lá chegando algo a aterrorizou – A mão do bebê estava para fora da terra. Muito consternada, ela procurou os responsáveis pelo cemitério. O coveiro tornou a enterrar o bebê.

Tal fato fez sofrer ainda mais a pobre mãe – teria seu bebê sido enterrado vivo?

No dia seguinte ela voltou ao cemitério, desta vez acompanhada do marido. Chegando lá encontraram novamente a mão do bebê para fora da terra. O pai da criança cobrou dos responsáveis pelo cemitério, acreditando que nada tinha sido feito após a esposa ter relatado o fato no dia anterior. A jovem mãe esperou na saída do cemitério, enquanto o pai assistiu ao trabalho do coveiro.

Esses fatos aumentavam ainda mais a dor daquela família.

No dia seguinte o pai foi sozinho ao cemitério – uma vez que a jovem se dizia sem condições emocionais, para o caso da mão estar novamente fora da cova.

Em lá chegando – espantosamente – a mão da criança estava mais uma vez estava para fora da terra. O pai discutiu com a administração do cemitério, estes estavam perplexos com a situação. O pai acreditou que poderia se tratar de alguma brincadeira de muito mau gosto. Enquanto discutiam, diante dos olhos deles a mão do bebê saiu da terra. Mesmo assistindo ao estranho fenômeno aquilo lhes era inacreditável.

Após o pai do bebê relatar em casa o que aconteceu no cemitério, a família decidiu que deveriam conversar sobre o caso com o padre da localidade.
O pároco atendeu ao chamado, indo até a casa da família. Em conversa com a jovem, o padre perguntou se alguma vez a criança, enquanto recebia de mamar, havia batido nos seios da mãe. Ela disse que o bebê por vezes deu tapas em seus seios, enquanto era amamentado. O padre, então, tratou de conseguir uma vara, e a benzeu, e orientou à mãe, que fosse ao cemitério e batesse sete vezes na mão do bebê, como um gesto de repreensão pelos tapas no seio.

A jovem foi ao cemitério, e a mão do bebê, como sempre, estava para fora da cova. Ela rezou pela alma do filho e fez como o padre a orientara, acertando sete varadas na mão da criança. O coveiro executou seu trabalho e nunca mais a mão do bebê saiu da cova.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A Menina da Lacuna



No meio da noite, a pequena Naoko, acordou em seu quarto e quis ir ao quarto dos pais.
Desceu da cama, pegou sua boneca pelo bracinho e levou consigo.

“Vem comigo, Ayako!” – a pequena disse à boneca.

Naoko seguiu pela casa, indo em direção ao quarto dos pais, mas ao passar pela sala pensou ter visto algo atrás dos móveis.

A pequena se esticava tentando ver o que havia atrás do móvel. Com um pouco de receio, mas a curiosidade era maior. Ficou muito surpresa ao perceber que era outra menina!

“Quem é você?” – perguntou Naoko.

“Quer brincar de esconder?” – disse a menina atrás do móvel.

“Eu ou você se esconde?”

“Você me procura”.

“Está bem!” – Naoko respondeu entusiasmada, se virou e cobriu os olhos. Cobriu também os olhos da boneca.

“Já posso virar?” – sem obter resposta a pequena se virou e não viu onde estava a menina. Começou então a procura.

Naoko corria olhando atrás de tudo, até que pensou ter visto a outra menina passar pela porta.

Os pais da pequena acordaram ao ouvirem seus risinhos vindos da sala e levantaram para ver o que ela fazia.

Naoko passou pela porta que pensou ter visto a menina passando, andou pelo corredor até uma lacuna (como as lacunas que costumam ter as casas japonesas).
Ela se aproximou da lacuna, e ao se inclinar para olhar, viu os olhos da menina escondida.

Quando os pais de Naoko chegaram ao corredor tudo o que encontraram foi a boneca caída. Naoko havia desaparecido para sempre – arrastada pela menina da lacuna para sempre!




A “Menina da Lacuna” é uma lenda urbana japonesa.