terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Noite Maldita 3 - cap 3



Noite Maldita 3

Capítulo Três

Na casa de Brett, na noite seguinte da chegada de Amanda, nas horas que antecediam a festa para a qual ele a convidara, já não havia timidez entre o casal. Riam, bebiam... Amanda não tinha costume de beber, nunca bebera antes, a não ser uma provadinha escondida da cerveja do pai, mas ela não diria isso a Brett – para não “pagar mico”.
Amanda saía do banho quando ao olhar para o espelho vê novamente a imagem de uma mulher negra. Sentiu o corpo gelar e fitou, com o coração disparado, a imagem fantasmagórica no espelho, como que esperasse que ela se dissipasse, tal como uma alucinação. A imagem se mantinha nítida, então a negra do espelho sussurrou “Fuja! Fuja!”.
Assustada e não querendo crer no que vira e ouvira, Amanda saiu pálida do banheiro e visivelmente nervosa. Ela não comentaria com Brett! Deveria estar muito bêbada, mas só álcool faria aquilo? Na verdade, Amanda desde criança via coisas assim, sempre se refugiando em qualquer explicação.
Brett notou o nervosismo de Amanda e a questionou do porquê estar tensa daquela forma, ao mesmo tempo a abraçando.
Ela disse que só estava nervosa com o fato de estarem os dois a sós. Brett a acalmou. Do beijo em seguida se iniciaram carícias cada vez mais ousadas. Amanda se entregou ao amado. Ela se sentia em um sonho! Um sonho perfeito! Não voltaria para casa dos pais! Apesar dos apenas quinze anos de idade se sentia suficientemente adulta para seguir a vida pelo mundo. Brett a amava, viveriam toda a vida juntos! Com pensamentos em sonhos de um futuro com seu amado, Amanda começou a sentir um sono muito forte e acabou adormecendo nos braços de Brett, sem saber que, quando acordasse, seu sonho perfeito se converteria em seu pior pesadelo – um pesadelo inimaginável para ela!


Após a conversa de Bryan com padre Glaxton, quando de sua visita à região da antiga fazenda dez anos atrás, Glaxton chamou Bryan para uma sala secreta na casa paroquial, ocultada por uma imensa estante de livros de teologia.

Enquanto a porta secreta se revelava Glaxton disse: “Providencialmente, mas não por coincidência, meu coadjutor está passando o dia fora, foi ter com familiares. Também não por coincidência, estamos na fase da lua minguante”.

Bryan surpreendia-se com o interior da sala repleto de símbolos pagãos e objetos estranhos e havia um altar com estatuetas egípcias.

 – “Padre, estas coisas me fazem pensar em bruxaria, em obras condenáveis pela fé!” – disse Bryan. Glaxton respondeu “Durante a idade média os padres adoravam condenar o que não conheciam”.

Glaxton, usando sal, desenhou um grande círculo no chão, então ficou de pé extremidade leste do círculo e segurando um punhal, que apanhara de sobre o altar, com a mão direita tocou a testa dizendo Ateh; o peito Malkuth, o ombro esquero Ve-Gedulah e o direito Ve-Geburah; cruzou as mãos sobre o peito Le-Olam e novamente segurando o punhal diante de si Amém. Desenhou no ar, com a ponta do punhal, uma estrela de cinco pontas e o fez novamente nas direções Leste, Oeste, Norte e Sul, dizendo, respectivamente em cada direção: Yod He Vau He! Adonai! Eheieh! e Agla! Estendeu os braços, como uma cruz, e com grande resolução recitou: "Diante de mim está Rafael, Atrás de mim Gabriel. À minha direita está Miguel. Á minha esquerda está Auriel. Diante de mim queima o Pentagrama, atrás de mim brilha a estrela de seis raios!".

Glaxton, então, colocou Bryan no centro do círculo, amarrando em torno da cintura de Bryan um grosso cordão preto. O padre então acendeu uma vela de cor preta e disse em tom forte: "Rápido como o vento, veloz como a noite, que o mal seja banido com a luz. A ti busco onde possas estar e invoco a lei de três!" O padre, então, pôs fogo em uma vasilha cheia de álcool e, se colocando a distância de um braço, passou a vasilha na frente de Bryan, para cima e para baixo. Ainda a segurando, caminhou três vezes em torno dele, entoando: "Termino suas maldições com o poder do pensamento, todas as suas obras resultaram em nada. Saia, saia todo o mal, para depois perecer e desaparecer no chão. Como o fogo e as chamas, a luz purificadora bane agora e para sempre o sofrimento de Bryan Lempke!". Colocou a vasilha sobre o altar. Desamarrou o cordão preto da cintura de Bryan, deixando-o cair no chão. Pediu a Bryan que saísse do círculo, colocou a vasilha ainda queimando no local onde Bryan estava. Então Glaxton e Bryan entoaram juntos: "Tú que causaste este tormento viverás cativo nas profundezas!". Glaxton disse a Bryan que deixasse a sala sem olhar para trás, enquanto tomaria as últimas providências.

Glaxton colocou um cordão com um pentagrama de prata no pescoço de Bryan, dizendo “Você deve manter este amuleto consagrado contigo!” – Bryan assentiu com a cabeça, e Glaxton prosseguiu:

 – “Há pessoas, entre as quais estou incluído, que por décadas busca livrar essa terra da Maldição. No combate à crença da necessidade do sacrifício maldito nos foi de grande valor o desenvolvimento da região nos últimos anos. Alguns de nós se utilizou de suas posições sociais para incentivar esse desenvolvimento, com ele e com a vinda de novas famílias fomos capazes de rebaixar o mito da Pedra dos Escravos à condição de suposta superstição dos antigos”
 – “Assim a população atual está livre, pois não é conivente com o sacrifício, sequer crê que ele exista ou tenha sido real” – comentou Bryan.
 – “Contudo, a fidelidade ao culto maldito prosseguiu, ainda que enfraquecido, manteve-se uma seita secreta em torno do sacrifício. Você desconhece os fatos ocorridos da ocasião de sua segunda possessão: uma garota de nome Michelle providenciou para que houvesse as vítimas, ela fazia parte da seita. Sabemos que a seita cresceu muito, especialmente entre jovens, nesses três anos, tememos o avanço desse grupo”.
 – “As vítimas para que eu assassinasse, o senhor diz”
 – “Você não tem culpa, Bryan, você não agiu mediante seu arbítrio. E coube a você ser o descendente vivo do feitor quando da décima terceira noite amaldiçoada, daqui a dez anos! Você terá a oportunidade de desfazer a maldição! Se você falhar, será necessário esperar mais do que um século e meio para uma segunda chance! E por isso eu lhe enviarei a um grande aliado, Cowley o preparará para seu destino.”.


Continua...

(Sexta-feira: o quarto capítulo)

6 comentários:

  1. Qm será Cowley? ¬¬
    Coitada a Amanda... caiu na lábia do safado (q até agora parece um perfeito cavaleiro)

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    1. Agora um tal de Cowley, né?
      Verdade, ela caindo na lábia do Brett! O que será que ele vai aprontar? ¬¬

      ...beijinhos***

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  2. Seu blog foi eleito como um dos melhores de 2013 pelos seguidores do Café entre amigos.
    Parabéns pelas indicações, abaixo segue o link com os dados e o selo de reconhecimento.
    Parabéns seu blog é excelente.
    http://www.cafeentreamigos.com/2013/12/seguidores-do-cafe-entre-amigos-elegem.html

    Volto depois para ler as 3 partes do conto.

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    1. Oi, Patricia!
      Obrigada! Que surpresa boa! Muito feliz por isso!
      Volte sim, e espero que goste do conto ^^
      ...beijinhos***

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  3. Estudaste pra caramba para escrever tudo isto, hein?
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    1. rs
      Pior que pesquisei mesmo literatura esotérica!

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