quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Natal Macabro 2




Michael Crandall sempre foi muito bom marido e bom pai. Levava uma vida feliz e estável ao lado de sua esposa Jessica e o casal de filhos. Michael era sempre muito amoroso com as crianças e de conduta exemplar com a esposa. De modo que ninguém esperava pelo o que aconteceu na noite de Natal. Michael desapareceu sem dar notícias.

Jessica procurou pelo marido nas listas de atendimento médico e ocorrências policiais – nada. Chegou à conclusão de que o marido, depois de todos aqueles anos, a abandonara.

“Como ele pode fazer isso com você e as crianças?” – comentava a amiga.

Mas se Michael era um exemplo de marido, Jessica era menos virtuosa. A senhora Crandall há tempos tinha lá uma queda por seu médico ginecologista, este, aliás, ajudou a procurar por Michael fazendo contato com todos os hospitais. O médico costumava investir em Jessica, mas esta, apesar de no fundo se sentir atraída pelo doutor, resistia às investidas... Mas depois do que Michael fizera, e justo na noite de Natal!

Antes do ano novo, o médico já ocupava o lugar deixado por Michael em sua bela casa, junto à sua esposa e filhos...

Antes do ano novo... Começou-se a sentir um cheiro muito desagradável na casa, mas não se descobria de onde vinha. Até que, numa noite mais fria Jessica e seu novo parceiro – o médico – resolveram acender a lareira. O cheiro se tornou muito forte, e a fumaça voltava pela lareira... O médico apanhou uma vassoura, e cutucando, investigou o duto da chaminé.

O corpo queimado de Michael caiu diante deles, morto, vestido de Papai Noel. Diante da cena do cadáver, Jessica levou a mão à boca e sentiu vontade de vomitar, a empregada tapou os olhos das crianças, e as levou para longe. O médico rapidamente buscou sacos de lixo e tratou de retirar o corpo.

Ao tentar entrar pela Chaminé vestido de Papai Noel, Michael caíra e batera com a cabeça quebrando o pescoço.

O funeral, com caixão fechado, foi triste. As crianças choravam abraçadas à empregada, que fez questão de participar do funeral de Michael, que sempre fora bom patrão. Não havia muitos amigos – Michael trabalhava demais, e vivia quase que exclusivamente para a família... Já Jessica, chorava no ombro do médico, que consolava a viúva.

“Jamais imaginaríamos! Enfim, Michael sempre foi um bom homem, bom marido e pai” – dizia, com falso pesar, o doutor.

Na noite seguinte ao dia do enterro. Jessica estava na cama com o doutor, quando ouviram barulhos na casa.

“Vou ver o que é” – disse o médico.
“Tenha cuidado, querido! Pode ser perigoso!” – respondeu Jessica
“Vou ter, não se preocupe” – respondeu o médico, apanhando um revolver, que passou a manter no criado mudo, desde que se mudara para a casa de dos Crandall.

Minutos depois, Jessica vê surgir na porta do quarto uma criatura macabra – de corpo em decomposição, coberto de terra e vermes, trapos de roupa e a face como de uma caveira humana. Jessica gritava desesperada, quando a criatura exibiu a cabeça decapitada do médico. Em seguida a criatura avançou contra ela. Com voz gutural a criatura dizia “Vagabunda! Piranha! Traidora!” – enquanto a estrangulava até a morte.

As crianças acordaram com os gritos, mas, com medo não saíram do quarto. A empregada correu para lá. A criatura, então, surge na porta do quarto das crianças. A doméstica ficou sem reação, enquanto as crianças apavoradas olhavam paralisadas de medo. A criatura passou pela empregada e se dirigiu às crianças, as abraçou e disse – “Amo vocês, meus filhos! Amo vocês, meus filhos!”.



Feliz Natal!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Histórias de Arrepiar!


Sabe o que eu adoro? Quando estamos em grupo, sejam amigos ou familiares, e alguém puxa assunto sobre “experiências com o sobrenatural”! Então cada um tem um caso para contar sobre algo “estranho” que vivenciou, ou uma história que ouviu... Melhor ainda se essa conversa – a la “Clube do Terror” – acontece à noite, que aí “dá mais medinho”...

Geralmente a pessoa tem um caso que ouviu de alguém, e ela inicia dizendo – “Minha avó/ Meu avô... conta/contava...”. Então se segue uma história incrível! Algumas são “de arrepiar”, algumas nos parecem “bobas”, algumas tem cara de que não passam de “imaginação”, ou que foram inventadas só “para botar medo” ou enfatizar algum valor...

Infelizmente essas histórias, seja pela modernidade, ceticismo..., parecem estar desaparecendo!

Em “Histórias de Arrepiar” vou contar, ou recontar histórias, relatos, casos... que chegam até mim – me permitindo, algumas vezes, o direito de “contar um conto e aumentar um ponto”.

Para começar, tenho um caso intitulado...



A Mão do Bebê


Apesar de todo amor e cuidados, o primeiro filho de uma jovem veio a falecer. Era ainda bebê de colo. A morte do bebê, claro, trouxe grande comoção àquela família simples de pequenos lavradores. A criança foi enterrada com grande pesar. O funeral e enterro aconteceram no pequeno cemitério da localidade. Como eram muito simples, não tiveram condição de pagar por um sepulcro, e a criança foi sepultada em uma cova de terra.

No dia seguinte ao sepultamento, a jovem mãe foi ao cemitério levar flores e rezar. Lá chegando algo a aterrorizou – A mão do bebê estava para fora da terra. Muito consternada, ela procurou os responsáveis pelo cemitério. O coveiro tornou a enterrar o bebê.

Tal fato fez sofrer ainda mais a pobre mãe – teria seu bebê sido enterrado vivo?

No dia seguinte ela voltou ao cemitério, desta vez acompanhada do marido. Chegando lá encontraram novamente a mão do bebê para fora da terra. O pai da criança cobrou dos responsáveis pelo cemitério, acreditando que nada tinha sido feito após a esposa ter relatado o fato no dia anterior. A jovem mãe esperou na saída do cemitério, enquanto o pai assistiu ao trabalho do coveiro.

Esses fatos aumentavam ainda mais a dor daquela família.

No dia seguinte o pai foi sozinho ao cemitério – uma vez que a jovem se dizia sem condições emocionais, para o caso da mão estar novamente fora da cova.

Em lá chegando – espantosamente – a mão da criança estava mais uma vez estava para fora da terra. O pai discutiu com a administração do cemitério, estes estavam perplexos com a situação. O pai acreditou que poderia se tratar de alguma brincadeira de muito mau gosto. Enquanto discutiam, diante dos olhos deles a mão do bebê saiu da terra. Mesmo assistindo ao estranho fenômeno aquilo lhes era inacreditável.

Após o pai do bebê relatar em casa o que aconteceu no cemitério, a família decidiu que deveriam conversar sobre o caso com o padre da localidade.
O pároco atendeu ao chamado, indo até a casa da família. Em conversa com a jovem, o padre perguntou se alguma vez a criança, enquanto recebia de mamar, havia batido nos seios da mãe. Ela disse que o bebê por vezes deu tapas em seus seios, enquanto era amamentado. O padre, então, tratou de conseguir uma vara, e a benzeu, e orientou à mãe, que fosse ao cemitério e batesse sete vezes na mão do bebê, como um gesto de repreensão pelos tapas no seio.

A jovem foi ao cemitério, e a mão do bebê, como sempre, estava para fora da cova. Ela rezou pela alma do filho e fez como o padre a orientara, acertando sete varadas na mão da criança. O coveiro executou seu trabalho e nunca mais a mão do bebê saiu da cova.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A Menina da Lacuna



No meio da noite, a pequena Naoko, acordou em seu quarto e quis ir ao quarto dos pais.
Desceu da cama, pegou sua boneca pelo bracinho e levou consigo.

“Vem comigo, Ayako!” – a pequena disse à boneca.

Naoko seguiu pela casa, indo em direção ao quarto dos pais, mas ao passar pela sala pensou ter visto algo atrás dos móveis.

A pequena se esticava tentando ver o que havia atrás do móvel. Com um pouco de receio, mas a curiosidade era maior. Ficou muito surpresa ao perceber que era outra menina!

“Quem é você?” – perguntou Naoko.

“Quer brincar de esconder?” – disse a menina atrás do móvel.

“Eu ou você se esconde?”

“Você me procura”.

“Está bem!” – Naoko respondeu entusiasmada, se virou e cobriu os olhos. Cobriu também os olhos da boneca.

“Já posso virar?” – sem obter resposta a pequena se virou e não viu onde estava a menina. Começou então a procura.

Naoko corria olhando atrás de tudo, até que pensou ter visto a outra menina passar pela porta.

Os pais da pequena acordaram ao ouvirem seus risinhos vindos da sala e levantaram para ver o que ela fazia.

Naoko passou pela porta que pensou ter visto a menina passando, andou pelo corredor até uma lacuna (como as lacunas que costumam ter as casas japonesas).
Ela se aproximou da lacuna, e ao se inclinar para olhar, viu os olhos da menina escondida.

Quando os pais de Naoko chegaram ao corredor tudo o que encontraram foi a boneca caída. Naoko havia desaparecido para sempre – arrastada pela menina da lacuna para sempre!




A “Menina da Lacuna” é uma lenda urbana japonesa.

sábado, 22 de novembro de 2014

Estranho e Extraordinário



Cidade dos Mortos


João Silva, natural de Caruaru (PE), trabalhava há 15 anos como motorista de caminhão pelo interior do Ceará. Ele conhecia aquelas velas estradas poeirentas como a palma da mão. Com a segurança de sempre, iniciou mais uma longa viagem na tardinha de um dia quente. Anoiteceu, mas ele sabia que antes das 11 horas da noite chegaria a uma pequena cidade onde poderia dormir.
A viagem transcorria sem novidades, até que viu algumas luzes alinhadas ao longo da estrada, antes do tempo previsto. Era uma cidade, mas ele não a conhecia. Ficou desconfiado: teria errado o caminho? Estaria perdido? Curioso, tocou o caminhão em frente. Ao entrar na cidade, João Silva diminuiu a marcha e começou a observar. As luzes que tinha visto de longe quase não iluminavam: eram tochas de chama azul arroxeada. As casas eram todas brancas e – além delas – não existiam bares, hotéis ou armazéns. Nenhuma placa indicativa. Nem pessoas nas ruas. Das casas, não vinha luz alguma. De repente, ele percebeu que a cidade não era real.
Com um gesto brusco acelerou o caminhão, mudou a marcha, mãos firmes no volante. Mas por mais que tentasse imprimir velocidade ao caminhão, este não reagia. Sentiu que uma forte ventania em sentido contrário o segurava, fazendo o veículo avançar muito devagar. Viu montes de capim seco rolarem ao vento pelas ruas da cidade morta. Seu maior desejo era sair dali, mas seus músculos estavam paralisados. Foi quando surgiu uma luz real à sua frente. Percebeu que tinha abandonado a cidade-fantasma e se aproximava, agora, a  grande velocidade, de um posto de gasolina. Encostou na beira da estrada e desmaiou. Foi socorrido imediatamente pelos demais motoristas que estavam por ali. Permaneceu sem sentidos um bom tempo e, ao acordar, contou o que tinha acontecido. Os homens ouviram atentamente, com muito respeito. Depois, em conversa, ele ficou sabendo que não tinha sido o único a conhecer aquele lugar maldito. Muitos já passaram pela cidade dos mortos.

Extraído de Revista Planeta, fevereiro de 1974.

sábado, 15 de novembro de 2014

Histórias Bizarras, Sinistras, Macabras


A seguinte história foi publicada na coluna “Conexão” do jornal carioca “Expresso” em 29 de janeiro de 2014.




Internado em um hospital militar com problemas estomacais graves, “M.”, um militar reformado, passou a ser tomado, no sono, por uma leve sensação de prazer: eram sonhos em que vivia uma relação sexual com uma antiga colega de trabalho por quem nutriu paixão no passado. 
Com o passar dos dias de sua longa internação, os sonhos foram crescendo e as relações virtuais também. A ponto de acordar ofegante, quase sem nenhuma energia no corpo.
Quanto mais se sentia cansado, mais intensos eram os sonhos e o desejo de sonhar. Mas com o tempo a fisionomia da mulher se modificava durante a tal relação sexual virtual.
Certa noite, no meio daquela que seria mais uma explosiva relação, “M.” acordou com a figura de uma mulher bela, mas de olhar sinistro, chifre e asas sobre si. Sem voz para gritar, “M.” acredita ter desmaiado.
Ao relatar o caso ao seu médico de confiança, o profissional o alertou de que não era o primeiro a falar de algo semelhante naquele hospital.
Hoje espiritualista, “M.” acredita que sua paixão reprimida e fragilidade física permitiram o ataque de um Succubu – um demoníaco feminino que explora a energia sexual. A ação de succubus, segundo a crença, pode inclusive levar à morte física.

sábado, 8 de novembro de 2014

Histórias de Terror Assustador - Milho do Diabo


A seguinte história é conhecida no interior de São Paulo...




O Milho do Diabo


Em um rincão do interior do estado de São Paulo há um milharal muito bonito do qual ninguém consegue se aproximar.
E mesmo que a plantação não receba cuidados, ela cresce próspera.

Se alguém se aproxima desse milharal durante o dia é atacado por marimbondos e vespas. Se a tentativa se dá à noite, a pessoa é golpeada com tapas na cabeça, sem que lhe seja possível identificar por quem os golpes são desferidos.

Conta-se que muitos anos atrás um lavrador, de nome Simeão, acumulara uma dívida muito grande. Para quitá-la decidiu vender seu pequeno campo, que media um carro* de milho.

* A unidade segundo a qual se mede a colheita e a venda de milho é o “carro”.

Mas como sua dívida excedia em muito o valor do carro de milho na época, o valor pedido por Simeão era acima do que qualquer um estaria disposto a pagar. Mas Simeão, que via na venda do milho a única saída para quitar a dívida, não cedia no valor.

“Pois eu ei de vender meu carro de milho por este preço, nem que seja para o Diabo, eu ei de vendê-lo a esse valor!” – exclamava Simeão.

Um dia um homem, vestido todo de branco, com um grande chapéu, e montado em um burrinho chamou à porta do casebre de Simeão e perguntou pelo milharal. Ao saber do valor pedido pelo lavrador o homem vestido de branco disse:

– “O preço está alto”.
– “É esse o preço, nem que eu tenha que vendê-lo ao Diabo” – disse Simeão.
– “Pois este sou eu, sou o Diabo e compro seu milho” – respondeu o homem montado no burrinho, e pagou ao lavrador a quantia pedida.

Muito feliz com a venda do milharal, Simeão foi à cidade, e lá quitou todas as dívidas. Ao retornar para casa a esposa lhe questionou sobre aonde teria ido, e Simeão contou-lhe que havia vendido o milharal e com o dinheiro pagara todas as dívidas.

– “Não acredito que você encontrou alguém disposto a pagar o preço que você estava pedindo!” – disse a esposa.
– “Pois eu não disse que venderia, mesmo que fosse para o Diabo? Pois bem, veio aqui um homem que disse ser o próprio e comprou-me o milharal”.

Quando a esposa foi apanhar as roupas de Simeão para lavar, sentiu que havia algo no bolso da calça. Meteu a mão e lá estava a mesma quantia em dinheiro que o marido recebera do homem vestido de branco. E toda vez que o lavrador gastava o dinheiro, a quantia voltava a aparecer no bolso da calça, de forma que este nunca mais voltou a ter problemas com dinheiro. No entanto, nunca se soube, ou se ouviu dizer o porquê, Simeão e a esposa vieram a enlouquecer, e se mataram enforcados.

O milharal do Diabo permanece lá, intocável no mesmo lugar.



sábado, 1 de novembro de 2014

Estranho e Extraordinário



O Telefonema


O bar do Luís era famoso na região por causa de um misterioso telefonema. Diariamente, às quatro horas da tarde, o telefone tocava e um homem perguntava se era do bar do Luís e pedia para falar com Sílvia.
Quando se perguntava quem queria falar com ela, o telefone ficava mudo. A princípio, todos pensaram que fosse uma brincadeira. Porém, devido à insistência, a brincadeira perdeu a graça. Quando o dono do bar foi à Companhia Telefônica investigar se a ligação era local ou de fora, o mistério aumentou. Descobriram que ninguém telefonava para o bar naquela hora. Com o tempo, Sr. Luís deixou de atender ao telefone e desistiu de descobrir quem dizia querer falar com a tal Sílvia. Certo dia, uma mulher que em tempos anteriores costumava ir ao bar do Luís em busca de algum item de mercearia, mas que ele não via há mais de cinco anos entrou no bar. Sr. Luís comentou sobre a ausência da antiga freguesa, e como ela era muito simpática e conversativa, começaram a papear. – Ela havia chegado do Sul e estava visitando todos os conhecidos. Enquanto ela explicava ao dono do bar que tinha saído da cidade por causa de uma briga com o pai – um fazendeiro riquíssimo –, que não queria que ela se casasse com um empregado chamado Edmundo, o telefone começou a tocar: eram quatro horas. Ela explicava que quando o pai percebeu que estava muito doente e ia morrer, mandou chamá-la de volta; mas ela tinha decidido voltar somente depois da morte do pai. Quanto ao namorado, apesar de amá-lo muito, nunca mais o vira. Ele faltou ao último encontro, quando se preparavam para fugir. Eles conversavam e o telefone insistia. Como Sr. Luís continuasse a conversar, ela pediu que ele atendesse ao telefone. Ele respondeu que não adiantava: era alguém que há cinco anos queria falar com “uma Sílvia”. A mulher ficou intrigada, disse que se chamava Sílvia, e pediu para atender. Do outro lado uma voz disse: “Sílvia, Sílvia querida, eu não faltei ao nosso encontro. Eu te amo, mas nada podemos fazer. Meu corpo está no precipício perto da Estrada Norte. Eu não te esqueci...” Antes de terminar a ligação, Sílvia estava desmaiada. No dia seguinte, a polícia localizou os restos de Edmundo, no local indicado. Ele tinha sido assassinado pelos capangas do pai de Sílvia. A partir desse dia o telefone voltou a funcionar normalmente. Edmundo tinha encontrado a paz.


Revista Planeta, Julho de 1973.

domingo, 26 de outubro de 2014

Histórias de Terror Assustador que dão Medo!


Resumido e Adaptado do artigo “Na pista do Diabo de Jersey” de Mike Mallowe na edição de março de 1986 da Revista Seleções do Reader’s Digest.



O Diabo de Jersey


Lenda

A Linha de árvores marca o limite sul do pinheiral de Nova Jersey, com mais de 400 hectares de pinheiros e carvalhos em solo arenoso. Por mais de 200 anos, essa floresta assustadora tem sido a área de caça da criatura conhecida como o Diabo de Jersey.

Milhares de pessoas dizem tê-lo visto ou pegadas suas. Muitas dessas testemunhas oculares são merecedoras de crédito: policiais, guardas-florestais... Homens já o perseguiram e atiraram contra ele. Velhos relatos descrevem-no com corpo de canguru, cabeça de cavalo, focinho de collie, asas de morcego, um longo rabo e fogo saindo pelas narinas.
No entanto, a coisa continua frequentando furtivamente aqueles vastos bosques, assombrando como num pesadelo.

De acordo com a lenda, o Diabo de Jersey nasceu de uma mulher no ano de 1735, em Leeds Point, pequeno lugarejo a 15 km apenas de Atlantic City.
Segundo uma das versões mais antigas da lenda, uma mulher quacre (adepta de uma seita protestante fundada no século XVII), conhecida como Mãe Leeds, havia sido acusada de bruxaria e quase queimada como feiticeira. Ela estava esperando o 13º filho e as pessoas do lugar temiam que o Demônio fosse o pai da criança. De qualquer forma, pouco antes de dar à lua, Mãe Leeds amaldiçoou o filho, entregando-o a Satanás.

No começo o bebê parecia normal. De repente, enquanto as parteiras olhavam horrorizadas, apareceram-lhe garras, pés de cabra, asas e uma cauda. O monstro matou diversas pessoas no aposento, desapareceu pela chaminé e foi visto pela última vez correndo em direção aos pinheiros.



No encalço do Diabo

Algumas semanas depois de entrar com contato com James F. McCloy e Ray Miller Jr., autores do livro “O Diabo de Jersey”, o jornalista Mike foi até o local onde teria nascido a criatura.

Mesmo à luz da tarde, o cemitério parecia escuro. Um único carvalho possante erguia-se de súbito por entre as carreiras de pedras tumulares. A distância, além de um campo aberto e crestado, começavam as árvores. Os sons da floresta quebravam o silêncio do cemitério deserto, sussurrando, chamando.

“Não é difícil encontra-lo” – disse-lhe alguém “Ande em linha reta, do cemitério até o pântano. Está incendiada, mas ainda se pode ver o perfil da casa sob as trepadeiras”. Depois tocou no seu braço e o olhou com um olhar vago. “Faça tudo para sair daqueles bosques antes do escurecer”.

Seguindo um raio de luz brilhante que parecia surgir do céu sem nuvens, Mike penetrou no pinheiral sozinho.
Suas botas pesadas afundavam a cada passo. A vegetação rasteira (um lençol de folhas, agulhas de pinheiro e musgo) dava ao solo uma textura esquisita. Era como se ele estivesse sendo sugado terra adentro.

Mike chegou às ruínas de um forno colonial. 

– No passado, ali havia estado a capital do minério de ferro nos EUA. Era uma região próspera, porém a indústria (e a maioria das pessoas) logo se mudou mais para oeste. Outros, contudo, penetraram no interior das florestas, e foram trabalhar nos mangues: passaram a ser chamados de “Pineys”. São gente decidida, hostil a estranhos e muito misteriosa. Seja o que for, o Diabo de Jersey é um deles.

Já deveria estar se aproximando do lugar onde nasceu “aquilo”. Foi quando ouviu um zumbido diferente de tudo que conhecia. Achou que correndo, poderia deixa-lo para trás, mas 6 metros adiante ele estava mais forte. Então, bem por cima do ombro direito do jornalista, viu-o de relance: alguma coisa dentro das moitas movia-se paralelamente. Mike ficou pensando nas instruções “Saia antes do escurecer”.

O zumbido parou. O que quer que fosse – um piney, o Diabo ou sua própria imaginação – desapareceu. O crepúsculo já descia quanto Mike entrou na clareira. Adiante, mal conseguia ver o retângulo das fundações de uma casa. Porém, quanto mais perto ele chegava mais parecia um buraco negro no chão. O jornalista tratou de voltar depressa por onde tinha ido antes do escurecer.
A única coisa que ele tinha em mente agora, enquanto se apressava ao lusco-fusco da tarde, era a sobrevivência. Não tinha absolutamente ideia de que lado tinha vindo. O pinheiral fechava-se sobre ele. Suas botas afundavam cada vez mais no chão lodoso e ela já se via preso num pântano.
De repente começou a correr. Seus braços e mãos sangravam com os espinhos, enquanto abria caminho entre arbustos duas vezes mais altos do que ele. Passou correndo por um cedro, que parecia uma grotesca gárgula.
Logo em seguida foi parar num mato ralo e espesso, com a linha de árvores atrás de si. Tinha conseguido sair daquele bosque.
Mike queria se sentar e descansar, mas teve medo. Então, a distância, avistou o cemitério de Leeds Point e o seu carro logo atrás. Começou a se sentir ridículo. Apagando a lanterna, resolveu cortar caminho através do cemitério.
Então escutou o zumbido novamente. Uma sombra ergueu-se de uma das lousas com o nome Leeds – era um enxame de insetos, que começou a picar o jornalista no pescoço, no rosto e nas mãos, sugando seu sangue até entre os cabelos. Correu para o carro. A nuvem o seguia. Conseguiu matar um inseto. Era uma mosca do mangue. Seu pescoço começou a inchar com as picadas. O zumbido era agora tão alto como na floresta.
Acabou entrando no carro, virou a chave e apertou o acelerador – Não fosse aquilo enguiçar agora!
Ao virar o carro, a luz dos faróis altos bateu na linha de árvores por apenas um momento, banhando-a de uma claridade fantasmagórica. Pensou ver algo que se movia, mas prosseguiu, deixando Leeds Point o mais rápido possível.



Mike não tornou a desafiar aquele bosque de pinheiros. O Diabo ou lá o que for que vive ali.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Estranho e Extraordinário



A seguinte história foi publicada na edição de 28 de novembro de 2012, na coluna “Conexão” do Jornal carioca “Expresso”:

Suely achou a casa dos sonhos. O clima inspirava realização. Mas algo a incomodou: na entrada, um vitrô colorido mostrava uma figura de um pássaro, contornado por uma cadeia de montanhas. Ela disse ao viúvo que apresentava a casa: “Olha, a casa é um brinco, Mas aquele vitrô... vou tirar!”. O Homem ficou desapontado, e comentou que o vitrô fora desenhado e inspirado em uma pintura de sua mulher.
Suely se mudou, Duas semanas depois, decidiu que colocaria só vidros lisos e naturais. Então veio o inesperado: estava com a filha, diante da TV, quando a menina caminhou para a escada. A mãe viu a filha balançando a cabeça afirmativamente e a filha disse: “Ouviu o que a moça falou? Ela quer que você deixe o vitrô que ela pintou, do jeito que é”. Suely ficou arrepiada. Voltou ao sopé da escada e viu uma silhueta, sutil, em forma de fumaça. Prometeu: “Vou preservar a casa do jeito que está. Do jeito que planejou!” E assim está até hoje.

sábado, 18 de outubro de 2014

A Menina que Curava




Hope olhou para Job, que estava ao volante, e segurou-lhe carinhosamente a mão direita. Sentia-se mais feliz do que em qualquer época da vida de que se lembrasse. 
O casal deixava o extremo nordeste dos Estados Unidos, onde Hope nascera e vivera até então, e viajavam com destino a Denver.
Tudo o que Hope mais desejava era deixar tudo para trás, tudo ficaria no Maine e começaria uma vida nova e feliz com Job em Denver.
Amy, filha de Hope, fruto do seu primeiro casamento, estava sentada no banco de trás do carro.
Job era completamente diferente de Vince – seu primeiro marido – Ele a amava e queria de verdade ser feliz com ela e a pequena Amy, diferente de Vince, interesseiro.
Era linda a vista a partir daquele ponto da estrada, que contornava as montanhas, era a vista de um verdadeiro milagre!

Uma curva longa, sem visão devido à encosta, Job virou o volante bruscamente por causa de um caminhão em sentido oposto, que fazia uma ultrapassagem imprudente – talvez houvesse óleo na pista – era um trecho com muito trafego de caminhões madeireiros, e era comum haver óleo no asfalto – Job tentou manter o carro na pista. Poderiam acabar caindo pelo desfiladeiro. O carro derrapou e capotou várias vezes.

***

30 anos antes...

Algo faltava à vida do Reverendo Issac Donaldson e de sua esposa Olivia. Responsável há mais de dez anos por sua igreja, o reverendo já beirava os cinquenta anos e ainda não tinha filhos. Há muitos anos esperava que sua esposa engravidasse. Olivia era apenas dois anos mais jovem que seu marido. Estavam casados há mais de vinte anos.
Olivia sofria pela ausência de gravidez, pensava que talvez fosse estéril, ou o marido o fosse... pensava em adotar uma criança. O reverendo discordava. – Tentavam há tantos anos! “A razão para ainda não termos tidos filhos, pode ser que o Senhor tenha algum proposito, um plano para nossas vidas” – dizia Issac Donaldson à esposa. E em respostas às preocupações da esposa sobre ‘gravidez de risco’, respondia “Abraão e Sarah eram já avançados em idade quando Sarah concebeu Isaque... O Deus daqueles tempos é o mesmo Deus hoje!”. – dizia citando o livro de Genesis.
Olivia colocava a intenção de engravidar em todas as campanhas de oração com as irmãs de fé.

Até que, finalmente, um dia, chegou a grande notícia: Olivia, esposa do reverendo, estava grávida – houve grande regozijo da comunidade...

Os exames revelaram que seria uma menina – como foram tantos anos de expectativa e anseio por essa gravidez, decidiram dar à menina o nome “Hope”.*

* (hope = esperança)

Houve o caso de uma mulher que frequentava a igreja que ao passar a mão na barriga de Olivia - quando esta estava de oito meses – desmaiou instantaneamente e ao acordar vomitou uma estranha gosma negra, e, a partir desse momento nunca mais voltou a fumar – lutava contra esse vício desde que passara a frequentar a igreja do reverendo Donaldson.

Após o nascimento, muitas irmãs foram visitar a recém-nascida. Uma mulher que lutava contra uma doença e os médicos já haviam marcado a data para amputar-lhe uma das pernas, sentiu-se “eletrificada” ao segurar a bebê.
Após isso os médicos constataram que estava sã – o fato foi considerado milagre, e atribuído ao bebê. 

Quando Hope tinha sete anos, sua mãe a observava da varanda da casa paroquial, quando viu a menina se aproximar de um gato ferido – ela o segurou por um tempo e o animal ficou curado. Olivia contou o ocorrido ao marido.

Hope possuía um dom! A menina era uma dádiva de Deus.

Hope ministrava orações de cura durante os cultos, e muitas pessoas eram curadas pela imposição de suas mãos. 
Os cultos de cura, realizados às quintas-feiras passou a lotar de pessoas em busca de milagres. Muitos casos de curas milagrosas eram atribuídos à menina. Os fiéis caíam às pencas, quando a pequena Hope erguiam as mãos em direção à assembleia ali reunida; e quando levantavam estavam curadas.

Hope ganhou notoriedade nacional e pessoas de várias partes dos Estados Unidos viajavam ao estado de Maine para serem curadas pela menina milagreira.

“Não executo os milagres, se acontecem é pela Graça de Deus, que me usa como um canal para as Suas bênçãos” – a menina respondia ao jornalista com a frase que refletia o que aprendera de seu pai, o reverendo.
“O que eu faço é orar a Deus e peço que as cure”.

Entretanto, a vida da pequena Hope, de rosto angelical, cabelos loiros e olhos de anjos, não era tão boa na escola.
As demais crianças a julgavam “estranha” e a menina vivia isolada pelas demais.
Hope observava de longe as outras garotas sem ter coragem de se aproximar.
Certa vez viu Megan Stark cair de um brinquedo. Megan chorava no chão – havia quebrado o braço na queda. Hope se aproximou e a tocou – o braço de Megan se curou na hora. Megan ficou olhando para Hope, que apenas sorriu, e voltou ao seu canto isolado.

Anos mais tarde, quando Hope tinha já onze anos. As outras meninas da escola a cercaram e caçoavam dela, chamavam-na de “bruxa” e a ameaçavam... Megan Stark – a quem Hope curara anos atrás – sentiu vontade de se colocar contras as demais meninas, mas não teve coragem. Hope correu e entrou no prédio da escola. Ao entrar na sala de aula vazia a porta atrás dela bateu sozinha, se trancando. Hope se sentou com os pés em cima da carteira e colocou a cabeça entre os joelhos. Inexplicavelmente um incêndio começou na sala. Tentavam sem êxito arrombar a porta e o incêndio rapidamente se alastrou por toda a escola. Um bombeiro, finalmente, entrou no prédio em chamas, e com um machado arrebentou a porta da sala onde se encontrava Hope – o bombeiro saiu do prédio com a menina nos braços. A menina em estado muito grave foi levada ao hospital. 
Os médicos deixaram a sala onde tentaram salvar a criança – apesar de todos os seus esforços não puderam evitar seu falecimento. Quando estavam se preparando para notificar o óbito da filha ao reverendo Donaldson, Hope surgiu no corredor – sem uma marca sequer das queimaduras.

Hope passou a ter aulas particulares em casa. Seu mundo se resumia basicamente à igreja, e a casa paroquial... Certa vez, fora reconhecida na rua, enquanto acompanhava a mãe, e uma multidão as cercou – foi preciso ajuda policial para conter a histeria de uma multidão, que pediam cura para si e para parentes. Depois do assédio histérico em massa Hope sentia-se esgotada – como se uma grande parcela de energia se tivesse desprendido dela. – Desde então, a menina viveu confinada.

Aos catorze anos aconteceu o evento mais traumático da vida de Hope. Ao entrar em casa o reverendo Donaldson percebeu uma música tocando dentro do quarto fechado de Hope. Ele subiu as escadas e encontrou a filha dançando uma música secular – “Baby one more time” de Britney Spears. Issac Donaldson arrancou o cinto e surrava a menina enquanto gritava para esta sobre “a música do mundo” e sobre “como aquela música serviria de entrada para Satanás naquela casa e na vida dela”, sobre “a luxúria daquela dança sensual”...
Naquele instante Hope sentiu muito raiva! Gritava para que o pai parasse... o reverendo foi arremessado para trás e sentiu o peito apertando... ficou sem ar... uma dor horrível no tórax... Hope agora se desesperava ao ver o pai se contorcer...
O reverendo Donaldson morreu de enfarte do coração.

Olivia Donaldson ocultou a todos o que exatamente aconteceu no exato momento da morte do marido.

Céticos – os mesmo que duvidavam que Hope fora socorrida já em estado gravíssimo do incêndio que provocara (certamente com fósforos e algo inflamável) na escola – se perguntavam por que “a menina que ressuscitou em um hospital de Maine” não ressuscitou o pai.

A morte do pai fez Hope acreditar que – dom de Deus, ou o que fosse – aquele “poder” que trazia consigo, não era algo que servia apenas como “benção”, mas que também poderia ser “maldição”. O modo como vivia e a perda do pai, certamente não eram uma benção. 

Aos vinte anos Hope deixou sua casa, sua congregação e sua mãe, mudou-se para uma cidade vizinha, onde esperava viver livre e não ser mais “a menina dos milagres”.

Foi quando conheceu Vince Lachance. 
Vince era bonito, e parecia corresponder a todos os anseios de vida de Hope. Ele era muito galanteador e em pouco tempo envolveu a inocente Hope, fazendo-a se apaixonar perdidamente por ele.

Algum tempo depois que já estavam juntos, Vince revelou que desde o início sabia tratar-se da garota que fora conhecida como a criança milagrosa. Vince também deu a Hope um novo entendimento sobre “seu dom”. Hope se converteu ao Espiritismo e agora se definia como “paranormal”. Nesses tempos recebeu a notícia da morte da mãe, com quem não conversava há dois anos.
Vince se aproveitava de Hope, e, com muita habilidade em manipula-la a transformou novamente em “grande atração”, conseguindo, inclusive, espaço na tevê para “shows de milagres da paranormal Hope”...

No entanto... À medida que o tempo passava Hope era cada vez menos capaz de executar os tais milagres... Antes era capaz de grandes curas... e agora apenas casos mais simples eram confirmados... 

Muitas pessoas que acreditavam terem sido curadas pela Hope, a paranormal, eram depois internadas e suas momentâneas melhoras dadas como psicossomáticas.
Vince procurou forjar milagres – primeiro sem o conhecimento de Hope, e posteriormente a envolvendo nas farsas... Hope aceitou isso por um tempo... Mas com o passar de alguns anos, de mau convívio com Vince, de desconfiar que o marido a traía... Hope deixou de amar Vince e de ser manipulada por ele... Hope foi, inclusive, a público falar sobre sua vida, sobre as farsas de Vince e sobre seus “dons”.

Hope acreditava que seu “Dom” diminuíra ao longo dos anos – era como se o poder de curar fosse uma energia que trouxe consigo ao nascer, mas que ao ser usado ia se gastando... por esta razão era capaz de curas maiores quando criança...

O divorcio com Vince Lachance foi um processo longo na justiça, assim como a disputa pela guarda de Amy – filha do casal. Talvez tivesse sido ainda mais difícil se Amy tivesse “herdado algum dom da mãe”...

Nesse momento da vida, que Hope conheceu Job Newsome. 
Job – recebera esse nome dos pais mórmons – era um bom rapaz, trabalhador, honesto... e sinceramente apaixonado por Hope. Também se deu muito bem com a pequena Amy.
Job tinha uma boa oportunidade em sua área profissional oferecida por uma companhia de Denver... Lá casaria com Hope e iniciariam vida nova.

***


– Após as capotagens do carro, que parou virado de cabeça para baixo à beira da estrada, e perigosamente próximo ao guard-rail. Job estava desmaiado e Hope muito ferida se esforçava para retirar a pequena Amy do carro...

Hope viu a filha morrer em seus braços... abraçou forte contra o peito o corpo da filha morta...

Momentos depois quando outro carro parou ao ver o veículo capotado e o motorista encontrou e despertou Job, estes encontraram Amy sentada ao lado do corpo caído de Hope, que jazia à beira da estrada.

Hope fizera sua escolha e precisara usar tudo o que lhe restara.


domingo, 12 de outubro de 2014


Quando eu era criança ficava louca para assistir aos filmes de Terror! Só que morria de medo! E, claro, havia alguns problemas, tipo, meus pais diziam para não assistir...
O plano geralmente era: fingir que estava dormindo... meus pais dormiriam...
(Até porque as emissoras, por alguma “estranha razão”, costumam passar esses filmes bem tarde! – Tenho a suspeita que um dos motivos seja para as crianças não assistirem) levantava escondida... ligava a TV bem baixinho... e “zás” – filme de Terror!


Muitas vezes o plano falhava logo na primeira parte! Até porque quando, já tarde da noite, e a gente – criança – fica deitada de olhos fechados, fingindo que está dormindo, acaba dormindo de verdade!
Mas, às vezes, eu conseguia... ¬¬ “Acho que já estão dormindo!”.
Ligava a TV com o volume bem baixinho...
Poderia faltar muito ainda para o filme começar... e novamente o risco de dormir... mas vencida também essa etapa... Finalmente – o filme de Terror!
Geralmente não acontece nada demais logo no início de um filme de terror... mostra a rotina da vizinhança... ou alguns amigos conversando... enfim, nada que assuste... Só que eu já estava com medo, porque sabia que logo algum monstro terrível e assustador iria aparecer... e lá estava eu morrendo de medo... o medo ia tomando conta, tomando conta... Começava a olhar em volta de onde eu estava... e logo estava imaginando todos os seres monstruosos... tais como vampiros e lobisomens (naquela época os vampiros eram assustadores, não eram bonzinhos, nem brilhavam na luz, feito a fada sininho – o mesmo com os lobisomens) ou todos os serial killers escondidos atrás da cortina...
(E eu descobria que outra razão para o horário é que à noite dá mais medo!).
Então eu acabava com tanto medo que fugia para o lugar mais seguro – Longe da Televisão! O “medão” nem demorava muito... a maioria das vezes bastava aparecer o título do filme em letras ensanguentadas para eu sair correndo!

Depois da fuga resolvia que não iria assistir – era muito aterrorizante... Só que... a TV ainda estava ligada...
Agora eu estava no corredor, encostada à parede, criando coragem para ir até a TV (ou onde tinha deixado o controle remoto)... “Tenho que desligar! Vai aparecer! =|”.
Depois de ensaiar mentalmente... lá ia eu... passos cuidadosos (seriam medrosos?)... estava chegando perto da TV... evitando ver o que passava na tela... quase lá... Mas se aproximar da TV sem olhar para a tela só evita as imagens... e não os sons – um barulho estranho no filme – Nova fuga em disparada... D=
Não dava pra desligar a TV... Eu iria levar bronca, mas não tinha outro jeito! E logo estava eu cutucando meu pai para ele acordar “Pai, pai, pai...”.
Você pode imaginar a “cara amassada” e a expressão de “que diabos você está fazendo aqui?”.
- “Pode desligar a TV pra mim?”.

Mas havia um programa que eu amava, era “Terror para crianças” e tenho muita saudade dele! Às vezes vejo alguns episódios na Internet: “O Clube do Terror” – ou, no original “Are you Afraid of the Dark?”.

A série gira em torno de um grupo de adolescentes, que se juntam para contar várias histórias de terror. A cada semana, num local secreto na floresta, um membro conta uma história de terror ao grupo, a qual é mostrada ao telespectador, Cada narrador começa a sua história dizendo "Submeto à aprovação do clube do terror" – momento no qual atira pedaços de cortiça para a fogueira, aumentando a intensidade das chamas e produzindo um estranho e assustador fumo branco. O contador anuncia então o título da história: "O Conto do…". (Wikipédia).

Outro “Terror para crianças – e adolescentes” que eu adorava eram os livros “Goosebumps” de autoria de R.L. Stine. Os livros da série tem a característica de envolver crianças ou adolescentes em situações assustadoras.

Filmes de Terror (adulto) com crianças na trama...

Hoje provavelmente vários blogs que trazem histórias de terror estão falando de filmes de Terror (adulto), envolvendo crianças na trama... Em minha opinião não pode faltar os seguintes filmes do mestre do Terror – Stephen King: “Cemitério Maldito”, com o fofíssimo Gage; “Colheita Maldita”, com o malvado Issac; “O Iluminado”, com Danny (agora já adulto em “Doutor Sono”, novo livro de King) – o filme de 1980 do diretor Kubrick, com Nicholson como Jack Torrance, é clássico. Mas eu indicaria a regravação de 1997 (Não atire pedras em mim!), dirigido pelo próprio Stephen King, a versão de 1997 é mais fiel ao livro, mais detalhada em suas mais de 4 horas de duração e apresenta uma Wendy (a mãe de Danny) menos apática... Outra obra-prima de King, que indico é “It”! Li que será gravado um remake do filme, mas acho que dificilmente outro ator será tão legal quanto Tim Curry no papel do palhaço Pennywise.

“It”Sinopse (Wikipédia): Derry, no Maine, é uma pacata cidade que foi aterrorizada 30 anos atrás por um ser conhecido como "A Coisa". Suas vítimas eram crianças, sendo que se apresentava na maioria das vezes como o palhaço Pennywise. Com esta forma ele reaparece, 30 anos depois. Quem sente sua presença é Michael Hanlon, um bibliotecário e único de um grupo de sete amigos que continuou morando em Derry. Assim ele liga para os demais amigos, pois todos os sete quando jovens viram "A Coisa" e juraram combatê-la, caso surgisse outra vez. Porém este juramento pode custar suas vidas.

Deixando o Terror e partindo para o Drama... Gosto muito de “Conta Comigo” (Stand by me) – filme de 1986, baseado no conto “O Corpo” de Stephen King. 

Sinopse (Wikipédia): Gordie Lachance é um escritor que recorda de um acontecimento pessoal no verão de 1959, quando tinha doze anos. Vivia numa pequena cidade do estado americano do Oregon e possuía três amigos que em certo dia saem juntos em busca do corpo de um adolescente que estava desaparecido na mata há mais de três dias.

Feliz Dia das Crianças!
...beijinhos***


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Estranho e Extraordinário




Exércitos que Desaparecem

O que dizer das desaparições de grupos de homens, que ocorrem sistematicamente em algumas regiões, sem deixar o menor vestígio?
Em 1707, no momento em que o arquiduque Charles se preparava para invadir a Espanha, quatro mil guerreiros acamparam à beira de um rio do Pirineus. No dia seguinte, bem cedo, eles levantaram acampamento e partiram em direção da montanha. Não apenas ninguém mais voltou a vê-los como também não se encontrou nenhum vestígio de suas armas ou bagagens.

Logo no início da invasão da Cochinchina pela França, em 1858, um batalhão de 650 zuavos (soldados argelinos a serviço da França), que avançavam com suas armas nos ombros, por uma grande planície, perto de Saigon, desapareceram sem nenhuma batalha, sem disparar um único tiro. Em um dado momento eles estavam lá, marchando, depois não havia mais ninguém! Um grupo de soldados que os seguia a menos de dois quilômetros não ouviu nada, não encontrou o menor traço deles.

Revista Planeta, janeiro de 1973.

sábado, 4 de outubro de 2014

Estranho e Extraordinário





No dia 1º de fevereiro de 1974, uma manhã chuvosa de sexta-feira, um incêndio parou a cidade de São Paulo. Um curto-circuito em um ar condicionado deu início a um dos maiores incêndios da história da cidade – “O Incêndio do Edifício Joelma”. Em poucos minutos, as chamas se espalharam pelas salas e escritórios. 191 pessoas morreram queimadas ou asfixiadas e outras 300 ficaram feridas.

Mas – como nos enredos de filmes de terror – O local traz histórias sobre ser amaldiçoado de tempos muito anteriores à construção do edifício incendiado há quarenta anos!

Uma das lendas diz que o terreno do Joelma serviu como um “local de castigo” para escravos indisciplinados que trabalhavam na região entre os séculos XVIII e XIX.  Negros teriam sido torturados até a morte, gerando a primeira série de mortes no local, considerado por muitos como amaldiçoado.

Antes de ser comprado por uma grande incorporadora, o terreno do Joelma era ocupado pela casa de um professor de química orgânica da USP. Em 1948, ele matou a tiros a mãe e duas irmãs, jogando os corpos em um poço que mandara construir dias antes no quintal da casa. Segundo a versão do professor, seus familiares morreram em um acidente de automóvel durante uma viagem ao Paraná. O relato, porém, não convenceu a polícia, que, ao investigar o caso acabou descobrindo os corpos jogados no poço. Ao perceber que havia sido descoberto, o professor foi até o banheiro e cometeu suicídio, dando um tiro contra o peito. Além das mortes do professor, da mãe dele e das duas irmãs, o crime do poço ainda deixou uma vítima indireta, já que um dos bombeiros que participaram do resgate dos corpos morreu dias depois por infecção cadavérica, o que aumentou o número de mortes no terreno.


Muitos acreditam que os espíritos das pessoas mortas no Incêndio do Edifício Joelma até hoje vagueiam pelo prédio (atualmente nomeado Edifício Praça da Bandeira).

Funcionários revelam já terem presenciado aparições de espíritos, ouvido gritos e vozes, além de terem visto fenômenos estranhos como faróis de carros vazios acenderem e apagarem.

Uma das histórias, recontada diversas vezes entre os frequentadores do prédio, é a do caso de uma funcionária de um escritório de advocacia que teria ouvido, já tarde da noite, um barulho de porta sendo aberta.  Porém, quando ela foi verificar, a porta continuava fechada. Instantes depois, ela ouviu o mesmo barulho e avistou o vulto de uma mulher passando pela sala de entrada. Quando chegou perto, porém, a funcionária não viu ninguém. Com medo, ela saiu do escritório rapidamente e, ao trancar a porta, viu novamente o vulto de uma mulher ao fundo no corredor. Segundo relatos, a assistente se demitiu, já que seria obrigada a ficar até tarde da noite outras vezes.

Outro relato é o de um suposto entregador que teria avistado um fantasma no estacionamento do edifício.  Enquanto esperava seu ajudante retornar ao carro, ele viu uma mulher vestida toda de branco, flutuando em direção ao seu carro. Assustado, o homem disse que saiu do local em direção ao colega de trabalho. Após a entrega, ele foi embora e não voltou mais ao prédio.

Mas das mais de cem vítimas da tragédia de 1974, treze delas são lembradas diariamente em especial. São as chamadas “Treze Almas do Joelma”.
Essas treze pessoas tentaram escapar por um elevador, e, não conseguindo, morreram carbonizadas em seu interior.
Na época, como não havia teste de DNA, devido à carbonização, fora impossível identificar essas treze vítimas.
Seus corpos foram enterrados lado a lado no Cemitério São Pedro em São Paulo, ao lado das sepulturas foi construída a "Capela das Treze Almas".

Algum tempo depois do sepultamento das treze vítimas não identificadas começou-se a ouvir gemidos, gritos de dor e pedidos de água. Procurou-se verificar de onde vinha “aquilo”, sendo que descobriram que os gemidos e choros saiam das sepulturas das treze vítimas! Então, sabendo a forma como morreram, os coveiros derramaram água sobre as sepulturas, em seguida os gemidos e choros cessaram.

A partir de então as sepulturas atraem centenas de visitantes, principalmente às segundas-feiras – dia das almas. Há quem faça promessas e reze novenas e atribuam milagres às Treze Almas e como agradecimento colocam faixas e "placas" com mensagens de gratidão no local.

Quem visita os túmulos das "Treze Almas" sempre pode verificar a existência de um copo com água sobre cada sepultura, isso com o objetivo de tranquilizar essas almas.


Fontes: Wikipédia/ Jornal Expresso/ Site Terra (reportagem de Fábio Santos) / Site tokdehistoria.com.br./ G1 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Estranho e Extraordinário



A seguinte história foi publicada na coluna “Conexão” do jornal carioca “Expresso” a seis de junho deste ano.


“I.”, moradora do bairro do Méier (Rio de Janeiro). Evangélica desde a infância, sofreu o “pão que o diabo amassou” nos últimos dez anos. Isso porque, tão logo casou com o seu primeiro namorado, educado e carinhoso, sentiu na pele o que acredita ser uma possessão demoníaca.
“M.”, da noite para o dia, passou a falar em línguas estranhas. Havia mudanças de voz e de olhar. Tornou-se violento, xingava, falava sobre coisas do passado da mulher e dos parentes dela com a certeza de quem havia testemunhado. Inclusive revelava assuntos inconvenientes.
Nos raros momentos de lucidez, “M.” concordava com a necessidade de procurar ajuda. Pastores e bispos de igrejas foram procurados sem sucesso. Até que uma sessão de exorcismo realizada na própria casa por um padre da Igreja de Santana, no Rio, definitivamente o curou.
“I.” acredita na influência de espíritos malignos nos lares e até na cabeça de muitos políticos que prejudicam os pobres!


– Será? Seria a solução convocar os monges da Ordem de São Bento para exorcizar nossos políticos? Vote consciente, evite eleger um “endemoniado” (se é que tem um sem demônio!).
“Vade Retro Satana!”

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Estranho e Extraordinário



Massa Gelatinosa 


Um estranho caso começou em 1897, quando um objeto voador não identificado explodiu em pleno ar a 120 km de Dallas, no Texas. Na ocasião, os restos mutilados do piloto foram recolhidos e enterrados no cemitério de Aurora, enquanto os moradores locais saíram a campo para juntar pedaços de metal do aparelho espalhados pela área. Por sua vez, as autoridades da região tentaram obter informações que identificassem o piloto, mas nada conseguiram e o caso caiu no esquecimento. Provavelmente, nunca mais o assunto voltaria a ser especulado, se no início da década de 1970 não começasse a ocorrer algo estranho em Garland, localidade próxima de Dallas e de Aurora. Ali, no quintal da propriedade da Sra. Marie Harris começou a “brotar” e se desenvolver uma massa gelatinosa desconhecida, escura e cheia de borbulhas que, quando seccionada, deixava escorrer um líquido espesso e vermelho, semelhante a sangue.  Ao procurar as autoridades para falar da estranha massa, a Sra. Harris soube que “aquilo” estava surgindo também em outros pontos da região. O caso ganhou repercussão e alguns dos moradores mais antigos trouxeram à tona o acidente que nos fins do século 19 vitimara um ser de procedência desconhecida. Outros se lembraram das pessoas que haviam recolhido pedaços da nave que explodira nas proximidades. O problema despertou interesse e ultrapassou as fronteiras da região. Convencido de que no cemitério de Aurora estão os despojos de um astronauta extraterreno, o diretor do Escritório Internacional de Objetos Voadores Não Identificados, Hayden Hewes, pediu autorização judicial para exumar o cadáver mutilado, enquanto diversos pedaços de metal foram localizados e requisitados, tendo sido enviados aos laboratórios de diversas universidades, para estudos. Ao mesmo tempo em que forte contingente policial era destacado para guardar o túmulo e proibir a aproximação de pessoas, os cientistas se deslocaram para Garland, a fim de recolher e analisar a massa gelatinosa que continuava a se desenvolver. Indagado sobre o que seria a “coisa”, um dos cientistas, Arnold Dittman, disse que poderia se “tratar de uma bactéria com enorme capacidade de crescimento. Talvez uma nova mutação, uma nova espécie completamente diferente”. E concluiu: “Na verdade, porém, não sabemos do que se trata”. Aparentemente, ninguém vai saber do que trata. Passadas já décadas, total silêncio caiu sobre o assunto, a exemplo do que já ocorreu em casos semelhantes, Nem uma palavra foi dita sobre os despojos exumados, sobre os metais analisados, ou a respeito da estranha massa gelatinosa. Apenas um eloquente silêncio.

Revista Planeta, fevereiro de 1974

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Estranho e Extraordinário



A Vingança do Soldado


Em 1949...

Luciano, 22 anos, era soldado da 4ª Seção da 5ª Companhia da Legião Estrangeira, que era composta de 25 homens, na maioria alemães, poloneses e franceses. Luciano era muito bonito e possuía uma voz esplêndida, o que o fazia invejado pelos seus companheiros. Essa inveja aos poucos se transformou em ódio, que se manifestava em brigas diárias.

Depois de muitas intrigas, Luciano passou a ser perseguido pelos oficiais que o escalavam diariamente para as patrulhas mais arriscadas. Com a vida sempre em perigo, ele ainda participava das marchas forçadas, além dos combates aos guerrilheiros e das caças aos rebeldes. Depois de uma dessas expedições ele voltou com os pés sangrando e mesmo assim não conseguiu uma visita ao médico: a intenção era privá-lo de qualquer espécie de repouso.

Certo dia, atacado de uma crise de paludismo, ele ingeriu uma forte dose de quinino para baixar a febre. Pela primeira vez Luciano recusou-se a participar de uma patrulha e pediu uma licença médica. Como resposta foi amarrado completamente nu, no meio do pátio, exposto ao sol, sem receber água. No fim do dia Luciano foi libertado. Arrastou-se até sua tenda, colocou a cabeça na água e planejou a vingança. Foi para o alojamento, apanhou uma metralhadora e atirou no primeiro soldado alemão que tentou impedir sua saída. Quando surgiu no pátio de metralhadora em punho, todos fugiram desesperadamente e se esconderam. Vendo que o sargento e o cabo, seus maiores inimigos, tinham corrido para o banheiro (um cubículo de bambu), Luciano descarregou a metralhadora naquela direção. Julgando-se vingado ele correu para o alojamento, apanhou um fuzil e disparou contra sua própria cabeça. Passado o pânico, descobriu-se que havia apenas um morto: Luciano.
No cemitério militar de Locud seu caixão passou por cima do muro para evitar o portão principal; sua cruz não tinha nada escrito e seu capacete não foi colocado sobre seu túmulo.

Oito meses depois a fileira onde Luciano estava enterrado foi completada e abriram a primeira cova de uma nova fileira, que ficaria exatamente aos pés do morto. A partir desse momento fatos estranhos começaram a acontecer. No mesmo dia da abertura da cova o tenente da 5ª Companhia foi assassinado. Dois dias depois o sargento e o cabo foram mortos com flechas envenenadas. Uma semana mais tarde, quando terminou a guerra de Madagáscar, os 21 restantes morreram todos de uma só vez em um desastre de caminhão. Na fileira de covas, aos pés de Luciano, foram enterrados seus 24 inimigos.

Planeta, janeiro de 1973.



domingo, 14 de setembro de 2014

Estranho e Extraordinário



A edição de 13/11/2013 do Jornal carioca “Expresso” trazia o seguinte relato, em sua coluna “Conexão”.


Em Belém do Pará, por cerca de quase quarenta anos, vários taxistas afirmaram terem apanhado uma passageira e, seguindo sua orientação, a deixarem nas proximidades do cemitério. Ato contínuo, a mulher mandava que fossem cobrar a corrida na casa de seus pais. Somente lá descobriam se tratar de alguém que já havia morrido. Tratava-se de uma vítima de tuberculose, morta na primeira metade do século passado, chamada Josephina Conte.
Depois de longo período sem que tais aparições ocorressem, Josephina virou santa popular e teria praticado alguns milagres especialmente envolvendo jovens mulheres.
Uma professora aposentada disse tê-la visto circulando entre os túmulos na manhã do dia primeiro de novembro de 2013, véspera de Finados.


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Estranho e Extraordinário


Em “Histórias Estranhas e Extraordinárias” eu trago relatos sobre fatos estranhos, sobrenaturais, coincidências espantosas, pequenas aventuras que a lógica e o raciocínio humano não conseguem explicar, suficientemente.
Hoje trago mais uma história que foi enviada à redação da revista “Planeta” como um fato real



Mistério do Retrato de Casamento


Sebastião foi um homem querido por todos que o conheceram: alegre, divertido, comunicativo. Ele era dono de uma padaria na cidade de Catende (PE), onde trabalhava como funcionário de uma usina de aguardente. Como diretor da equipe de futebol Leão XIII, ele se tornou bastante popular entre o pessoal da imprensa. No ano de 1967, porém, Sebastião foi obrigado a abandonar todas as suas atividades por causa de uma trombose.
Recuperou-se parcialmente, mas passou a andar de muletas. Como não podia continuar trabalhando, resolveu mudar-se para Recife, onde ficaria morando com uma filha casada, e receberia melhores cuidados médicos. Apesar de todos os esforços, Sebastião morreu em 1969. Nessa ocasião, sua filha menor, Maria Auxiliadora, estava noiva, com o casamento marcado. Em sinal de respeito, resolveram adiar o enlace para o ano seguinte. Em 1970 o casamento se realizou numa igreja completamente vazia num bairro distante de Recife: foi uma cerimônia simples, sem convidados, apenas com a família presente.
A única pessoa estranha era o fotógrafo, Joaquim de Sousa, Ele tinha aceitado o argumento de que a família ainda estava traumatizada com a morte do seu chefe e que não queria muito movimento na igreja. O fotógrafo devia tirar apenas dez fotos e não 40, como de costume. Infelizmente, apesar de Joaquim ser ótimo fotógrafo – ele era um antigo profissional da imprensa pernambucana – apenas quatro das fotografias saíram. A primeira pessoa a ver as fotos foi dona Nadir, esposa de Sebastião. Ficou muito nervosa quando percebeu, sentado na primeira fila da igreja, o seu falecido marido. Os parentes, bem como os jornalistas de Catende, ficaram impressionados com a foto. O negativo foi examinado e constatou-se que não se tratava de uma montagem. Seria um sósia, então? Se fosse, a semelhança era tão grande, que a família teria notado sua presença, já que a igreja estava deserta. Ainda assim a coincidência permaneceria: um sósia aparecer no casamento da filha do outro sósia que vivia a duzentos quilômetros de distância. Segundo o depoimento de todos os presentes, além do fotógrafo, na igreja não havia mais ninguém que não fosse da família.
Todos eles, porém, concordaram que durante a cerimônia, seus pensamentos estavam voltados para o morto.

Revista Planeta, setembro de 1973.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Conto Trash


Inspirado no conto “O velho, a linda e o jovem” de Claudio Chamum, porém bastante diferente (especialmente o desfecho)!





Ele se encantou por ela no primeiro instante em que a viu. Apesar de haver no salão muitas belas jovens, todas impecáveis em seus vestidos de festa, quando ele a viu ela lhe ofuscou os olhos para tudo mais ao redor. Ela trajava um vestido preto, todo de renda, mangas longas, ombros e costas à amostra e um body bordado que dava a ilusão que estava quase nua. Tinhas seus cabelos, negros como a noite, presos, mas de forma que seus cachos caiam-lhe sensualmente pelo pescoço. Sua pele era clara como a porcelana, usava batom vermelho rubi, mas a maquiagem lhe valoriza, sobretudo, os belos olhos azuis.
Ao vê-la ele sentiu necessidade de afrouxar o colarinho de seu traje black-tie (exigido pela ocasião). Esticava o pescoço e inclinava a cabeça, seguindo-a com o olhar.
Como se tivesse percebido, mesmo estando longe, que atraíra a atenção do jovem, ela o mirou, flagrando o rapaz a observá-la. Os olhos dela eram como pedras de safira. Ele engoliu a seco e desviou o olhar – um pouco sem jeito. Olhou ao redor, como se imaginasse que todas as pessoas da festa houvessem percebido seu encanto pela moça. Tornou a olhá-la, após tomar mais um gole do seu drink. Ela havia se voltado para algumas pessoas com quem mantinha conversa, e depois de alguns segundos, tornou a olhar para ele, olhou-o de cima em baixo, como se o avaliasse e aprovasse, mas rapidamente retornou a atenção aos que estavam perto dela.
Ela passou a se deixar observar por ele, como fazem as mais experientes no jogo da paquera. Ela inclinava a cabeça e mexia no cabelo de forma que o rapaz se sentia cada vez mais hipnotizado por ela. Ele se mantinha voltado para ela, aonde quer que ela fosse, enquanto ela desfilava por entre os demais convidados. Ele se sentia atraído, de forma que mal podia conter a vontade de se aproximar. Em seu trajeto, ela olhou novamente para ele, e sorriu de forma que estivesse receptiva a uma aproximação.
Ela o fazia acreditar que estava sendo conquistada, satisfazendo sua vaidade masculina. O que ele não percebia, era que ele sim estava sendo presa da jovem.
Ele, envaidecido pelos olhares recíprocos dela, ajeitou o cabelo, colocou as mãos nos bolsos e estava prestes a ir até a jovem, quando ela, chegando a uma das mesas das festas, beijou com intimidade e na boca um senhor que estava à mesa, sentando-se em companhia deste. Ela cochichou algo ao ouvido do companheiro.

O rapaz passou a mão pela cabeça e depois passou a mão pelo rosto, enquanto se virava em sentido oposto à mesa com a jovem e o senhor, que a acompanhava.
“Putz! Que furada!” – ele pensou “É casada e está com o marido!”.
Ele permaneceu um tempo completamente desconcertado, mas não conseguiu deixar de tornar a olhar para ela. À mesa, ela se inclinava à frente, pegou uma taça de vinho, que bebeu sensualmente, olhou discretamente para o rapaz, cruzando as pernas, de forma que o lado interno de suas coxas se voltava para ele. Por mais que tentasse, o rapaz não conseguia deixar de voltar o olhar a todo instante para a moça. Corria-lhe os olhos pelas pernas, os cabelos, o lindo rosto juvenil. Sentia acalorar-se e ficou a ponto de perder a razão quando ela, após mais um breve gole de vinho, que encerrou a garrafa que o casal tinha à mesa, lambeu delicadamente os lábios vermelhos.
A essa altura, ele sentia as mãos suarem frio e estava quase descabelado de tanto que passava as mãos pelo cabelo pela agonia que a moça o impunha. O jovem esboçava o plano de deixar a festa, de forma a fugir dessa agonia, quando um dos garçons se aproximou dele e lhe disse, indicando a mesa com a jovem e o senhor. – “O casal àquela mesa o convida a beber um pouco de vinho”.

O rapaz foi até a mesa do casal, mesmo estando temeroso de que o marido tivesse se apercebido de seu interesse por sua jovem esposa.
“Boa noite” – o rapaz cumprimentou o casal.
“Queira sentar-se, meu jovem” – respondeu o senhor.
O jovem se sentou, sentindo-se completamente desconfortável com a situação. A moça o olhava de forma que seu olhar parecia penetrar-lhe a alma.
O garçom apresentou uma garrafa de Domaine Georges & Christophe Roumier Musigny Grand Cru ao senhor, que meneou a cabeça afirmativamente, o garçom, então, abriu o vinho e ofereceu a rolha ao senhor, que a cheirou, e, novamente meneou a cabeça, então o garçom serviu a taça do senhor, que com um gesto indicou ao garçom que deixasse a garrafa sobre a mesa.

“Conhece Erzsébet?” – perguntou o senhor ao rapaz, se referindo à sua companheira.
“Creio que... er... Talvez um pouco... de vista!” – o rapaz respondeu sem saber o que dizer.
“Bem, ela quis que o convidássemos a beber um pouco de vinho!” – o senhor disse servindo ao rapaz.
“O senhor aprecia o fruto da vinheira?” – questionou ao jovem, enquanto servia também à moça.
“Bem... pra dizer a verdade, eu não entendo muito sobre vinho, mas gosto muito da bebida...” – respondia desconsertadamente o jovem – “eu sempre tive dúvida sobre a forma de segurar a taça, se pela haste ou a copa...” – o rapaz disse em tom divertido, como que querendo suavizar a situação.
A moça sorriu, achando graça.
“A temperatura ideal para o vinho é 17 graus, se nos parece de acordo seguramos a haste, para que o calor da mão não o aqueça. Se, ao contrário, nos parecer mais frio, seguramos a copa para aquecê-lo. Sabe por que eu cheirei a rolha?”
“Er... na verdade, não o sei, senhor” – o rapaz respondeu desconcertado, sentindo-se inferior em cultura comparado com o senhor.
“Às vezes alguma bactéria que esteja na rolha altera-lhe o sabor”.
A moça segurou sua taça pela haste e a moveu circularmente próximo ao nariz, sentindo o buquê da bebida.
“Não é bonito como se assemelha ao sangue?” – a jovem perguntou ao rapaz.
O jovem engoliu a seco e respondeu “Sim”.
Só então o jovem reparou no estranho brasão da joia que a moça tinha como pingente de seu cordão.
“É húngaro” – ela comentou sobre o pingente.
“Seu nome...” dizia o rapaz.
“Erzsébet? Sim é um nome húngaro também, pode me chamar de Elizabeth, se o preferir” – disse a moça, sabendo o que o jovem pensava.
Ela tomou da bebia, de forma que seus lábios se molharam, e, com os olhos fixos nos olhos do jovem lambeu-os suavemente. O jovem sentiu seu corpo inteiro esfriar.
Ela se levantou e, olhou primeiro para o senhor e em seguida para o jovem, dizendo “Vou ao toalete”, retirou-se com um gesto formal.

“Erzsébet é uma linda jovem, não é?” – o senhor perguntou enquanto a moça se afastava e ambos a observavam seguir pelo salão.
A pergunta fez com que o rapaz tivesse certeza de que o marido percebera seu encanto pela esposa.
“Certamente sim... er... ela...”.
“Ela o hipnotizou, não é?”
Estava claro que não havia o que tentar esconder.
“O senhor não tem ciúmes? Digo... ela... ela é...”.
“Ela é jovem, é linda... Diga-me, meu rapaz, quantos anos você me daria?”
O rapaz se sentia muito sem jeito de responder
“Uns cinquenta talvez”- arriscou
O senhor achou graça.
“Muita generosidade! Quinhentos e cinquenta se aproximaria mais!”.
Ambos se divertiram.
“O que você pensa sobre um homem da minha idade que tenha como companheira uma jovem como Erzsébet?”
O rapaz se viu sem resposta
“Não precisa responder. Mas vou lhe dizer, eu não a posso satisfazer completamente. Contudo sinto-me satisfeito quando ela se satisfaz. Compreende?”.
“Estou admirado... er...”.
“Gosto de conhecer quem agradou a ela. Você me parece um bom tipo. Ela seleciona bem”.
O rapaz estava muito surpreso com o que o senhor lhe havia dito
“Veja, ela retorna”- o senhor disse alarmando a aproximação da jovem.
Sem tornar a sentar-se à mesa, Erzsébet disse ao senhor “Importa-se que ele me acompanhe um instante até a varanda, a apreciar o luar?”.
“De acordo, querida!”.

Ela tomou o rapaz pela mão e o conduziu através dos convidados. No entanto seu destino não seria a varanda, e sim um dos quartos do andar de cima da bela mansão.

Era um quarto amplo e belíssimo, mobilhado em estilo vitoriano.
Ela o conduziu até próximo à cama, e o derrubou, empurrando-lhe o peito. Ele caiu deitado de costas, sentia a boca secar, respirava agitadamente e ofegante. Com o olhar fixo nos olhos do rapaz, a linda moça subiu lentamente sobre a cama, engatilhando sobre ele até que os rostos estivessem próximos. A respiração dele se tornava cada vez mais pesada e lhe era impossível fechar a boca. Ela levou a cabeça na direção direita do pescoço do rapaz. Ele levou as mãos às belas coxas da jovem – sentiu lhe as coxas – frias como a morte. Ela beijou-lhe o pescoço, seu beijo, ao contrário era quente, quente como sangue! Ele sentiu um calor tremendo misturado à dor imensa em seu pescoço, enquanto seu corpo esfriava e sua vida se desvanecia.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Creepypasta - "Jack Risonho"


Creepypastas são historias curtas ou coleção de histórias com elementos paranormais, bizarros, de terror ou suspense, encontradas na internet.
O nome surgiu da palavra “Copypasta”, uma expressão usada na rede para definir textos que são copiados e colados diversas vezes. Trocando “copy” (cópia) por “creepy” (assustador).
Resumidamente são lendas da Internet.

A História de hoje é uma creepypasta chamada “Laughing Jack”, que escolhi por considerar realmente horrenda e bastante “trash”. A história trata de um suposto amigo imaginário, além de lidar com o notório medo que os americanos parecem ter de palhaços!

Há algumas versões diferentes na internet e a partir delas escrevi a tradução que te ofereço hoje. Preferi não dividi-la em partes, ou resumi-la. A história nos prende à leitura, e o que começa com ar inocente se torna terrivelmente pavoroso.

Espero que você goste de conhecer essa creepypasta!

...beijinhos***


Jack Risonho


James era um menino de cinco anos de idade, filho de mãe solteira. Ele era uma criança quieta e introvertida que nunca teve muitos amigos.

Em um belo dia de verão, James brincava sozinho no quintal de casa. Sua mãe estava na cozinha alimentando Fido, o cão da família, quando ouviu o filho aparentemente conversando com alguém.

Ele teria finalmente um amigo? A mãe decidiu ir lá fora ver com quem o filho conversava. Chegando lá, James era a única pessoa no quintal. A mãe ficou confusa, pois havia tido a impressão de ter ouvido outra voz além da do filho. Ele estaria falando sozinho?

“James, é hora de entrar!” – chamou a mãe.

Ele entrou e sentou-se à mesa da cozinha, era hora do almoço, e a mãe lhe preparou um sanduíche de peito de peru.

“James, com quem você estava falando lá fora?” – questionou.

O menino demorou um pouco, olhando para a mãe.

“Eu estava brincando com o meu novo amigo” – respondeu sorrindo.

A mãe serviu um pouco de leite ao menino e insistiu no assunto:

“Será que o seu amigo tem um nome? Por que não o chamamos para almoçar com a gente?”.

James olhou para mãe e depois de algum tempo respondeu:

“Ele se chama Jack Risonho”.

“Ah, é? É um nome estranho! Como é esse seu amigo, digo, como é sua aparência?” – continuou a mãe.

“Ele é um palhaço. Ele tem cabelos longos e um nariz grande com uma espiral preta e branca. Ele tem braços e calças largas de comprimento, com meias listradas, e ele sempre sorri” – respondeu James.

A mãe entendeu que o filho estava falando de um amigo imaginário. Embora admirada com a descrição do palhaço e o estranho nome, ela considera que deva ser normal para as crianças da idade do filho ter amigos imaginários, especialmente quando ele não tem convívio com crianças de verdade para brincar.

O restante do dia transcorreu normalmente, e quando já estava ficando tarde, ela colocou o filho para dormir, levando-o ao quarto dele. Deu-lhe um beijo, e fez questão de ligar a luz noturna antes de fechar a porta.
Como estava muito cansada, decidiu ir para a cama, não muito tempo depois.

Ela teve um pesadelo horrível...

Estava escuro. Ela estava em uma espécie de parque de diversões decadente. Ela estava com medo, correndo através de um campo infinito de barracas vazias e cabanas de jogos abandonadas. Todo o lugar tinha uma aparência horrível. Tudo era preto e branco. Os bichos de pelúcia das cabanas de jogos, que serviam de prêmio, todos tinham sorrisos doentes costurados em seus rostos. Parecia que todo o parque estava olhando para ela, mesmo que não houvesse outro ser vivo à vista. Então, de repente, ela começou a ouvir uma música tocando – A melodia da canção de ninar "Pop! Goes the Weasel" sendo executada por uma sanfona ecoou pelo parque, era hipnotizante. Quase em transe, e incapaz de deter os passos, ela seguiu a melodia para a tenda do circo. Estava escuro e a única luz vinha de um único projetor que brilhava no centro da grande tenda. Enquanto ela caminhava em direção à luz, a música abrandou, ela começou a cantar, incapaz de parar.

“Todos ao redor da amoreira;
O macaco perseguiu a doninha;
O macaco pensou que era uma grande piada;
Pop! Vai a doninha....”.

A música parou bem antes do seu clímax, e de repente as luzes a ofuscaram a vista. A intensidade das luzes praticamente a cegavam, tudo o que ela podia ver era uma pequena silhueta escura vindo em sua direção. Em seguida, outra apareceu, e outra, e outra... Havia dezenas delas, todas vindo em sua direção. Ela não podia se mover, suas pernas estavam congeladas, tudo o que ela podia fazer era ver as assombrosas e numerosas silhuetas se aproximarem. À medida que se aproximaram ela pode ver... Eram crianças! Quando olhou para cada uma ela percebeu que estavam todas terrivelmente desfiguradas e mutiladas. Algumas tiveram cortes em todo o corpo, outras foram severamente queimadas, e a outras faltavam membros, até mesmo os olhos! As crianças a rodearam, arranhando a sua pele, a arrastando para o chão, e começaram a dilacerá-la. À medida que as crianças a cortavam em pedaços, tudo o que ela podia ouvir era um riso horrível, um riso maligno!

Ela acordou na manhã seguinte, suando frio. Depois de respirar fundo várias vezes, olhou e viu que alguns dos bonecos de James foram posicionados de frente para ela, em cima de sua mesa de cabeceira. Ela suspirou, crendo que James provavelmente tinha acordado cedo e os colocou ali. Ela juntou os brinquedos e foi ao quarto do menino. No entanto, quando ela abriu a porta o filho estava dormindo.
Ela deu de ombros e colocou os bonecos de volta na caixa de brinquedos, e se dirigiu para a sala de estar.

Um pouco mais tarde, James acordou e sua mãe lhe preparou um pequeno lanche. Ele ficou quieto e parecia um pouco grogue. Talvez ele não tenha dormido bem também – pensou a mãe.

“James, você colocou alguns dos seus bonecos no quarto da mamãe, esta manhã?"

Seus olhos dispararam para a mãe por um momento, então, rapidamente olhou para baixo, na direção do prato de cereais.

“Jack Risonho fez isso”.

A mãe revirou os olhos.

“Bem, diga a Jack Risonho para manter os brinquedos em seu quarto!"

James assentiu e terminou seu café da manhã, em seguida, decidiu ir brincar no quintal.

A mãe foi descansar na sala de estar e acabou cochilando, acordou um par de horas mais tarde.

"Merda! Tenho que ver o que o James tá fazendo!” – exclamou a mãe, preocupada ao se dar conta do tempo que passou dormindo.

Ela foi ao quintal, mas James não estava mais lá. Ela ficou nervosa, e começou a gritar o filho.

“James! JAMES, Onde você está?!”.

Só então ela ouviu uma risada vindo da rua, em frente à casa. Ela correu até o portão. James estava sentado na calçada. Ela suspirou aliviada e caminhou até ele.

“James, quantas vezes eu já disse para você ficar no quint...” – “James, o que você está comendo?!”.

 O menino olhou para a mãe, então enfiou a mão no bolso e tirou um monte de doces em todas as cores. Isso deixou a mãe muito nervosa.

“James, quem te deu esses doces?”

O filho apenas olhou, sem responder.

“JAMES! Por favor, diga à mamãe, onde você conseguiu esses doces”.

O menino abaixou a cabeça, mirando o chão, e disse:

“Jack Risonho deu para mim”.

O coração da mãe disparou e ela se ajoelhou para olhá-lo nos olhos.

“James, eu já estou farta dessa maldita história de Jack Risonho! ele não é real! Agora, isso é muito sério e eu preciso saber quem te deu esses doces!”.

Os olhos do menino se encheram de lágrimas

“Mas mamãe, Jack Risonho me deu os doces”.

Ela fechou os olhos e respirou fundo.  James nunca mentia, mas o que ele estava dizendo era impossível! A mãe o fez cuspir os doces e jogar o resto fora. James parecia estar bem. Talvez estivesse exagerando, afinal, Tom e Linda, o casal da casa ao lado talvez tivessem dado os doces... ou o Sr. Walker, o outro vizinho... De qualquer maneira, ela decidiu que ficaria de olho em James! Naquela noite, ela colocou o filho para a cama como de costume, e decidiu ir para a cama cedo também.

De repente, a mãe acordou ao ouvir um estrondo vindo da cozinha. Ela saltou para fora da cama e desceu as escadas. Quando chegou à cozinha ficou horrorizada. Tudo que estava nos armários de cozinha estava espalhado pelo chão e Fido, o cão da casa, estava morto. Fora pendurado na luminária, amarrado pelas próprias entranhas e recheado com doces como uma piñata macabra. O mesmo tipo de doces que James estava comendo mais cedo naquele dia.

Seu choque, entretanto, foi rapidamente interrompido por um grito agudo vindo do quarto do filho. Ela mais do que depressa pegou uma faca na gaveta e subiu as escadas com a velocidade que só uma mãe cujo filho está em perigo poderia ter.
Ela entrou impetuosamente no quarto e acendeu as luzes. Tudo no quarto havia sido derrubado e jogado no chão.

James estava na cama chorando e tremendo de medo, uma poça de urina manjava o lençol. A mãe pegou o filho e correu para fora da casa e chamou na casa de Tom e Linda, o casal ainda estava acordado. Eles a deixaram usar o telefone, e ela ligou para a polícia, que não demorou muito tempo para chegar. A mãe de James explicou o que tinha acontecido. Os policiais a olharam como se ela fosse louca. De qualquer forma, vasculharam a casa, mas tudo o que encontraram foi um cão morto e os dois cômodos vandalizados. O oficial de polícia disse que provavelmente alguém entrou na casa e fez isso, fugindo rapidamente ao ouvi-la subindo as escadas.
Ela sabia que não era verdade. Todas as portas estavam trancadas e nenhuma das janelas estava aberta – o que quer que fosse que estava na casa não veio de fora.

Os policiais pensam que a mãe é desequilibrada quando ela balbucia sobre Jack Risonho, mas a evidência não pode ser ignorada e eles levam um relatório.

No dia seguinte, não querendo perder o filho de vista por um minuto que seja, a mãe não permite que o menino vá para o quintal, mantendo-o dentro de casa.
Na garagem ela encontra o seu antigo monitor de bebê e o configura em seu quarto, se alguma coisa entrasse em no quarto de James à noite, ela seria capaz de ouvir. Foi até a cozinha e apanhou a maior faca da gaveta e a colocou debaixo de seu travesseiro. Amigo imaginário ou não, ela não deixaria nada machucar o seu menino.

Assim que anoiteceu ela colocou James na cama, ele estava com medo, mas ela prometeu que não deixaria nada acontecer a ele. Deu-lhe um beijo, e acendeu a luz noturna. Antes de fechar a porta, sussurrou para ele – “Boa noite James, mamãe te ama”.

Ela tentou ficar acordada e aguentou o quanto pode, mas depois de algumas horas ela se sentia exausta. Acreditava que o filho estaria seguro e que ela precisava dormir. Assim que ela repousou a cabeça no travesseiro ouviu um barulho suave vindo do monitor do bebê, que ela tinha colocado sobre o criado-mudo. No início parecia uma interferência, como um rádio faria. Em seguida, o som que parecia interferência se transformou em um gemido. James estava dormindo? Então ela ouviu o riso do seu pesadelo, aquela risada horrível! Ela saltou da cama e pegou a faca debaixo do travesseiro. Correu para o quarto de James e abriu vagarosamente a porta, que rangeu... Ela apertou o interruptor, mas a luz não se acendeu. Ao dar um passo sentiu um líquido quente e grosso em seus pés. De repente, a luz noturna do quarto se acendeu para o horror absoluto!

O corpo de James fora pregado na parede. Grandes pregos transpassavam suas mãos e pés. Seu peito fora cortado e aberto e seus órgãos pendiam para o chão. Seus olhos e língua haviam sido removidos junto com a maioria de seus dentes. Ela sentiu nojo, mal podia acreditar que era o seu menino. Então ouviu novamente o desesperado gemido suave. JAMES AINDA ESTAVA VIVO!
A pobre criança sofria terrivelmente e se agarrava à vida.
A mãe correu através do quarto e vomitou no chão, mas seu mal-estar foi interrompido por uma gargalhada horrível vindo detrás dela, ela se virou, enquanto ainda enxugava a boca.
Em seguida, emergiu das sombras o demônio responsável por todo esse horror – Jack Risonho.

Ele tinha cabelos negros emaranhados que lhe caíam até os ombros, olhos brancos penetrantes cercados por anéis pretos escuros. Seu sorriso torto revelava uma fileira de dentes afiados irregulares, e sua pele branca, como tinta branca, não se parecia em nada com a pele humana, ele parecia mais ser de borracha ou plástico, usava uma roupa de palhaço desigual, preta e branca com mangas e meias listradas, seu corpo era grotesco, com longos braços e o modo como se sustentava parecia quase sem ossos, como uma boneca de pano.

Ele soltou uma risada doentia, como se quisesse que ela soubesse que estava satisfeito com sua reação ao seu “trabalho”. Ele, então, virou-se lentamente para de James e começou a rir de modo ainda mais horrível.

“Saia de perto dele, seu bastardo!" – gritou a mãe, correndo em direção ao monstro, segurando a faca acima da cabeça.

Ela desfere um golpe contra Jack Risonho, porém o golpe atravessa o demônio, passando reto por seu corpo fantasmagórico, atingindo o coração de James, que ainda batia, fazendo espirrar sangue quente no rosto da mãe, enquanto Jack Risonho se desmanchou em forma de fumaça negra.

Ao ver que o golpe desferido atingira fatalmente o coração de James, a mãe se desespera e começa a chorar compulsivamente.

“Não... o que eu fiz? Meu bebê, eu matei o meu bebê!”

Ela imediatamente cai de joelhos. Aos prantos ouve as sirenes de polícia se aproximar.

“O meu menino, o meu doce bebê ... Eu prometi a mamãe iria protegê-lo ... Mas eu não ... Me desculpe, James ... Eu sinto muito ...”.

A polícia logo chegou e a encontrou em frente ao filho, ainda empunhando a faca coberta de sangue do menino.
O julgamento foi breve: “Insanidade”.
Ela foi internada no “Phiropoulos - Casa para Criminosos Insanos”, onde permanece. Costuma se queixar de não conseguir dormir, pois, segundo ela, há alguém que fica tocando “Pop! Goes the Weasel” debaixo de sua janela.